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Blog do Raul

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Congresso desfigurado, segundo FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso avaliou a atual composição do Congresso Nacional, em entrevista à jornalista Lídia Nardi (A Tribuna de Santos, 25 de março), considerando-a desfigurada, desmoralizada. "O episódio dos sanguessugas, a subordinação da maioria ao Executivo, utilizando-se de meios ilícitos, tudo isso desmoralizou muito a ação parlamentar. E como o Governo não parece ser capaz de definir uma agenda legislativa que interesse ao País, o que se vê é a perpetuação do sistema do dá cá, toma lá", reflete FHC.

Um outro aspecto que merece a atenção dos leitores mais críticos, principalmente, é a sua análise sobre a eleição dos mensaleiros e fragilidade partidária:

"Mais do que surpreso, fiquei revoltado. Surpreso não, porque em nosso sistema eleitoral os votantes mal sabem em quem estão votando. Mas os partidos sabem e deram legenda a corruptos".

Fernando Henrique respondeu também sobre a importância da reforma política e citou exemplos regionais:

"Acho importantíssimo mudar o sistema eleitoral. Defendo o voto distrital. Em Santos, por exemplo, dependendo do número de eleitores, haveria um, dois ou três distritos. Cada partido (serão cerca de dez) apresentará um candidato por distrito. O eleitor escolherá um entre dez, podendo conhecê-los melhor, e não como hoje, quando cada eleitor escolhe um entre mais de mil. Hoje, os candidatos buscam o voto no Estado inteiro, e o eleitor muitas vezes vota em alguém que não tem nada a ver com Santos, que não conhece, e que de quem nunca poderá cobrar o desempenho".

Grande expediente de Bruno Covas

Conversei nesta semana com o deputado estadual Bruno Covas, sobre o convite, que ele distribuiu para os seus amigos e correligionários, para testemunhar o seu primeiro discurso no plenário da Assembléia Legislativa de São Paulo. O evento acontece na terça-feira (27 de março), às 15h30, mas Bruno ainda faz segredo do conteúdo.

Então perguntei qual o tema do primeiro discurso de seu avô Mário Covas, quando estreou na Câmara dos Deputados, em 1963. Segundo versão contada pelo próprio avô, naquela ocasião ele programou uma fala que evitasse polêmica e apartes sobre temas que poderia não dominar completamente.

E Mário Covas decidiu falar sobre as "plantações de bananas do Vale do Ribeira". Sem apartes, comentou Bruno com o bom humor de sempre.

Aproveitei para sugerir que repetisse o avô, relembrando o discurso histórico. Bruno não hesitou com a resposta:

__ Como? Pensei remotamente nisso. Mas você esqueceu que o Samuel (Moreira), o primeiro deputado eleito pelo Vale do Ribeira, sabe tudo sobre a região?

Saturnino, Covas e Serra. Ondas limpas!

O governador José Serra mantém legado do sanitarista Saturnino de Brito e do engenheiro Mário Covas, ao assinar os quatro primeiros contratos de obras de saneamento da Baixada Santista e do Litoral Sul. O índice de coleta e tratamento de esgotos hoje é de 53%. Após a conclusão do Programa de Recuperação Ambiental da região metropolitana das praias, do Porto e das indústrias, este índice será de 95% nos municípios de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente.

O evento aconteceu em Santos, na véspera do sexto aniversário da partida de Mário Covas (dia 5 de março de 2007). José Serra oficializou um programa que representa investimentos de R$ 1,23 bilhão do JBIC – Japan Bank for International Corporation, do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e da Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo. Destes, R$ 1,04 bilhão em empreendimentos de coleta e tratamento de esgotos e R$ 187 milhões em aprimoramento dos sistemas de abastecimento de água.

Há 100 anos, o sanitarista Saturnino de Brito criou um sistema de canais abertos em Santos, que se tornou um marco internacional. Os canais evitavam que a água do mar permanecesse parada, foco de criação de mosquitos, e a separava dos esgotos. Naquela época, deu certo o plano de Saturnino de Brito para combater e cessar epidemias que afetavam a cidade – febre amarela, malária, peste bubônica, varíola e tuberculose. A Sabesp e a Prefeitura de Santos se encarregaram de modernizar o funcionamento das comportas dos sete canais que cortam a cidade, bem como a captação dos seus detritos para o emissário submarino do bairro José Menino.

Essa atitude conjunta resultou na recuperação da balneabilidade das praias santistas, tão propalada desde 1990. Enquanto a cidade, juntamente com São Vicente, conta com 87% dos esgotos tratados.

Nessa linha histórica insere a disposição do saudoso governador Mário Covas, que durante o seu governo (1995-2001) recuperou as finanças da Sabesp, incentivou a despoluição e a recuperação do rio Tietê, além de ampliar a capacidade de coleta e tratamento de esgotos na região metropolitana de São Paulo, e de formular e iniciar negociações com o JBIC para o Programa de Recuperação Ambiental da Baixada Santista, que agora se concretiza com Serra.

A Baixada Santista surfará em ondas limpas, graças ao seu legado histórico.

O melhor presidente da história do Brasil ?

35% de brasileiros espontâneos consideraram Lula o melhor presidente da história do Brasil. Não é provocação minha; está no Datafolha deste domingo (17 de dezembro). Curiosamente uma Nação que tem memória de elefante pode avaliar as gestões presidenciais brasileiras desde o advento da República. A provocação é do jornal Folha de São Paulo, que brinca com os valores fundamentais da nossa história.

Como poderia um governo confirmado estatisticamente de o mais corrupto de toda a história ser o melhor? Como ousa o Datafolha protagonizar um exercício como esse, sabendo que a grande maioria do povo não se lembra mais em quem votou neste ano?

Trago este tema ao debate.

Vou providenciar um artigo expondo melhor a minha posição além destes pequenos questionamentos.

Sem dilemas no ninho

O jornalista Francisco La Scala Jr fez uma avaliação sobre o quê transpira do tucanato santista, no texto anterior a esta postagem, sob o título “Dilema Social-Democrata”. Posso afirmar que ele tem muita razão, quando identifica alguns cenários, um deja vu. Mas os antecedentes históricos do PSDB local sempre indicaram para a divisão e, portanto, para o envolvimento de cerca de 50% do partido nos projetos políticos na cidade. Os restantes sempre estão acomodados: não movendo uma palha pelas candidaturas colocadas ou realizando um trabalho surdo em prol dos adversários ou simplesmente torcendo pela derrota do candidato próprio.

Nesse quadro é preciso resgatar algumas palavras do presidente Fernando Henrique Cardoso, em recente encontro com a direção estadual do partido: “O PSDB não pode largar companheiros no meio do caminho. É preciso ter unidade na ação. O PSDB tem líderes, e liderança existe quando há capacidade de entendimento do processo político, para dar as mãos e caminharem unidos e organizados para as competições eleitorais. Partido que teme competição não está preparado para a disputa. A sociedade está de olho nesse comportamento; espera isso e pode ampliar o número de participantes do nosso exército, por isso é essencial a nossa conexão maior com a sociedade, para falarmos além de nós mesmos”.

Portanto, não há dilemas na social-democracia. Há uma profunda necessidade de unir mais para ser competitivo e mostrar a cara e o estilo de todos nós.

Estou postando este comentário, que pode até ser interpretado como levar para a opinião pública questões internas do PSDB de Santos; creio que por aqui (enquanto a direção local não toma a iniciativa de promover um debate sobre a conjuntura política atual e as suas perspectivas para o futuro) possamos fomentar um debate para que o partido assuma o seu destino histórico e responda à sociedade que tem muita expectativa e simpatia pelos ideais da social democracia brasileira.