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Blog do Raul

Militante Virtual

Mais bullying na internet

Na política crescem 'guerrilhas' para desconstruir reputações
Na política crescem ‘guerrilhas’ para desconstruir reputações
Dois artigos sobre o uso também desvirtuado das redes sociais por uma militância virtual, engajada politicamente, chamaram a atenção nos últimos dias. O senador Aécio Neves (PSDB) e a ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), escreveram sobre o mesmo tema, alertando para a atuação de uma “indústria subterrânea voltada a disseminar calúnias e a tentar destruir reputações”.
Ora, faz alguns meses (outubro de 2010) e escrevi também sobre formas de bullying político (cyberbullying), com menção ao comportamento de algumas pessoas que se utilizavam das redes sociais para praticar atos de violência verbais ou físicas, como recursos tentativos de intimidação ou cerceamento do direito de expressão democrático e livre. O tema é sempre recorrente entre os especialistas educacionais, justamente porque muitas novas gerações de estudantes estão sujeitos a esses ataques, que atualmente tem repercussão maior com a internet, por sua liberdade e velocidade um dia inimagináveis.
Mas na política, incapazes ao debate democrático e honesto, cresce uma guerrilha virtual que atua para desqualificar o próprio debate e tentar prevalecer suas ideias e versões dos fatos.
Sou usuário das redes sociais, com assiduidade desde 2004, ao criar a minha primeira conta no Orkut. Desde então, criei um blog e contas no MySpace, Facebook, Linkedin, Youtube, Twitter, Formspring, Instagram, Observador Político, WhatsApp etc. Pessoalmente interajo com amigos, conhecidos e pessoas interessadas em debater publicamente sobre as atividades pessoais, políticas e profissionais que desenvolvo na minha atuação em sociedade.
O Brasil conta atualmente com 94,2 milhões de usuários de internet, incluindo uma população com idade a partir de 2 anos, com acesso em qualquer ambiente (em casa, no trabalho, na escola, em lan houses e em outros locais); destes, 46 milhões são usuários de redes sociais, de acordo com o mais recente levantamento feito pelo Ibope (3.º trimestre de 2012). O Facebook, por exemplo, desde que iniciou as suas operações, conta com a participação de 73 milhões de brasileiros em rede.
Com essa radiografia de uma presença ativa na internet, confesso que concordo plenamente com as opiniões publicadas por Aécio e Marina Silva, de que “no universo das mídias, as virtudes da credibilidade e a opinião informada convivem com os vícios dos preconceitos, mentiras e desinformação”. Quem é mais bem informado e viveu na época da censura e da manipulação da mídia, durante os governos na ditadura militar brasileira, não se enganam com as brigadas digitais organizadas e pagas por empresas, partidos e governos. Minha primeira atitude em relação a esses grupos, fáceis de identificação, justamente pela sua natureza, ora com perfis falsos ou com a divulgação contumaz de sites de notícias comprometidas com uma mesma linha editorial, é com o escalonamento da sua relevância perante os mais variados públicos.
Aécio Neves detalha esses agrupamentos, que na sua visão não dispõem de senso ético e de responsabilidade compartilhada: “um verdadeiro exército especializado em disseminar mentiras e agressões. Fingindo espontaneidade, perfis falsos inundam as áreas de comentários de sites e blogs com palavras-chaves previamente definidas; robôs são usados para induzir pesquisas com o claro objetivo de manipular os sistemas de busca de conteúdo; calúnias são disparadas de forma planejada e replicadas exaustivamente, com a pretensão de parecerem naturais”.
Esses aspectos são técnicos e muitas vezes imperceptíveis aos internautas levados a compartilhá-los pela simpatia de uma manifestação com aparência justa. Não obstante, ainda vemos políticos e militantes virtuais a seu serviço, aumentando a pressão por um controle maior sobre a internet ou com o disfarce da regulação dos meios de comunicação, principalmente os desalinhados com o poder do Estado.
Assino embaixo dos artigos “Mensalet”, de Marina Silva, publicado na edição de 24 de maio de 2013, do jornal ‘Folha de São Paulo’, e “Mensalão da internet”, de Aécio Neves, em 27 de maio de 2013, no mesmo jornal. Copio e compartilho a conclusão de Aécio, quando diz que “liberdade de imprensa, de informação e de opinião são conquistas definitivas da nossa sociedade. Calúnia, injúria e difamação são crimes. E assim devem ser tratados”.

O jeito Obama nas redes sociais

Interatividade conquista mais.
Todo candidato a um cargo político mira nos princípios de marketing que Barack Obama usou em sua campanha presidencial em 2008. Para aprofundar o conhecimento na área, ele busca a assessoria de especialistas, quando não encontra um conhecido seu mais familiarizado com as novas ferramentas de relacionamento público pela Internet.

No Brasil o uso da internet nas campanhas eleitorais vinha sendo limitado por resoluções da Justiça Eleitoral, motivadas pelo desconhecimento da profundidade e do alcance do seu controle e da influência que poderia causar no eleitorado. Analistas de mídia e defensores da liberdade de expressão encontraram nessa ignorância a única explicação para tantas tentativas de limitação do uso.
Desde 2010 o cenário do marco legal é outro, tão livre quanto nos países democráticos em que essa opção é usada e bem sucedida. Mas neste ano, a partir do momento em que a liberdade de expressão pelos meios digitais foi considerada no calendário das eleições municipais, as primeiras manifestações demonstram a falta de estratégia de marketing e criatividade, em busca de votos e da vitória.
Acho importante lembrar que em 2008, Barack Obama era um senador pouco conhecido e de apenas um mandato de Illinois, contra a expressão e a máquina da ex-Primeira Dama dos EUA e senadora Hilary Clinton. A exemplo de muitos candidatos brasileiros, hoje, Obama entendia que usando as mesmas regras de receptividade de Hilary estaria colocado no mesmo campo de batalha, que naquela altura era totalmente favorável a ela.

A desvantagem de Obama também era muito grande no que diz respeito aos fundos financeiros para realizar a sua campanha. Com isso, como ele poderia superar Hilary e os seus e-mails em massa, telemarketing, mala direta e os comerciais de TV e rádio?

Encontrei a resposta por meio de Chris Hughes, cofundador do Facebook e estrategista de internet de Obama, que ao invés de jogar com as regras usuais, na época, o caminho foi identificar formas diferentes de marketing receptivo, por meio da inovação e valorização de conteúdos, formas e canais diferentes de abordagem.

Hughes conta que adotou a estratégia de ajudar os indivíduos a entender os valores de Barack Obama e da sua campanha, tornando mais fácil possível a eles que se engajasse com o trabalho da campanha. Desse modo abriu a maior quantidade de canais diretos de comunicação – usando e-mails, mensagens de texto, redes online – equipando-os com ferramentas para divulgar a mensagem da campanha no blog (my.BarackObama.com) e no Facebook.

A partir daí os americanos puderam conectar-se com Obama através do blog, da página do Facebook (5,8 milhões de contatos), do Twitter (450 mil seguidores), LinkedIn (13 mil membros) e Youtube (21 milhões de visualizações), entre outras redes sociais e websites.

Erich Frenchman, consultor online de John McCain e chefe de estratégia na internet da agência política online Connel Donatelli, destacou a habilidade de Obama em usar o Facebook com eficácia. Citando a criação de funções como o “registro de voto”, Frenchman lembra que essa disposição de Obama ajudou-o a reunir mais de três milhões de seguidores no Facebook contra 610 mil de McCain.
Outro ponto destacado por Frenchman, que funciona como uma dica importante e eficaz para o uso das mídias sociais, diz respeito ao Twitter apenas para conversar com as pessoas. McCain usou-o como “veículo de comunicação direcional”. Para bom entendedor isso quer dizer que ele não estava ouvindo seus eleitores e sim apenas falando “para” eles.

Diante dos desafios para conquistar a vitória nas eleições municipais de 2012, ou em qualquer outra oportunidade para cargos políticos ou de representação classista, comunitária e social, o uso estratégico do marketing de atrair pessoas para o seu campo de ideias e ações é fundamental. Dessa forma, e organizadamente, um candidato pode competir e vencer os seus concorrentes com pouco dinheiro.

Não sou candidato a nada !

Há outras formas de participar, além dos mandatos.
Escolhi outro rumo para minha vida, como cidadão e político posso participar ativamente dos acontecimentos, sem que necessariamente precise gastar energias irrecuperáveis numa campanha eleitoral. Nas disputas eleitorais que participei consegui votações expressivas, insuficientes para a minha eleição, porque faço parte de um partido – PSDB – muito forte. Numa eleição para deputado federal obtive 82 mil votos, que me credenciaram inclusive a disputar a prefeitura de Santos em 2004. Mas confesso a minha dificuldade em lidar com o atual modelo das campanhas, principalmente em relação ao financiamento delas. Não consigo os recursos financeiros para bancar os custos cada vez mais elevados, não somente dos materiais necessários, como também do preço político de esquemas profissionais de lideranças comunitárias, sociais e político-partidárias. Concluo, sem nenhuma presunção, que seria um ótimo político, mas um péssimo candidato.

Acumulei experiências que orgulhariam os meus eleitores, se conquistasse um mandato de deputado, prefeito, vereador. Não precisaria, como aquele candidato e hoje deputado Tiririca, ser eleito para ir lá ver como funciona e depois contar para todos. Sei como funcionam as engrenagens dos poderes Legislativo e Executivo, para poder cumprir as melhores expectativas da sociedade brasileira. Mas hoje tenho a tranquilidade de dizer aos meus amigos, e a todos que sempre confiaram nas minhas ideias e propostas, que disputar eleições não é o meu forte. Quero que saibam que estou desistindo desse objetivo sem um pingo de frustração. Estou muito resolvido, principalmente porque vejo com clareza inúmeras formas de contribuir para a melhoria da vida e da cena política nacional, pela Educação, fundamentalmente, e pela disposição de participar presencial ou virtualmente.

Sou um militante virtual bastante ativo atualmente. Nunca fugi à luta. Quem conhece a minha história política, sabe que sou praticamente um homem de um partido só. Militei na minha juventude no MDB, depois ele se transformou em PMDB, que em virtude de uma dissidência interna fui impelido a sair e ser um dos fundadores do PSDB. Jamais deixarei o PSDB. Sou dirigente estadual e nacional do partido. Participo de todas as suas atividades no país e ainda busco contribuir com a formulação de ideias e propostas de ação. Como intelectual, escritor, escrevi a história do PSDB em livro publicado em 2003 – “De Volta ao Começo, Raízes de um PSDB Militante que Nasceu na Oposição” – que deve ser reeditado este ano, ampliando os seus conteúdos.

O fato de não aceitar ao convite do Paulo Alexandre, Bruno Covas e Edmur Mesquita, para ser um dos candidatos a vereador nas eleições de 2012, não significa que deixarei de atuar na campanha municipal para a Prefeitura de Santos e para os candidatos a vereador do PSDB e dos partidos aliados ao projeto liderado pelo Paulo Alexandre. Ajudarei da melhor forma que os meus líderes locais julgarem necessário. Ninguém ousaria duvidar da minha lealdade e empenho favorável à eleição do melhor projeto para Santos hoje.

Recentemente assumi a Pró-Reitoria Comunitária da Unimes – Universidade Metropolitana de Santos e essa tarefa também está exigindo o melhor de mim. Não posso falhar na área que mais estimo e me dedico. Devo isso ao saudoso amigo ministro Paulo Renato Souza (Educação), com quem trabalhei durante os oito anos do Governo Fernando Henrique Cardoso em Brasília. Sei também que outro amigo saudoso, Rubens Lara, que foi professor da Unimes, aplaudiria a minha decisão. Por isso é que estou convencido da escolha do melhor rumo, para mim, minha família, amigos e todos quantos sempre acreditaram que posso ou poderia fazer o melhor pelo bem comum.

Militância polí­tica virtual em 2010

Chegamos ao futuro com a Internet. Orkut, Facebook, LinkedIn, MySpace, Windows Live, Twitter, Blogs, Flickr e muitas outras ferramentas foram criadas e formam as chamadas redes sociais, que ampliaram a comunicação humana e são responsáveis pela integração global, com as suas formas de produção, distribuição e consumo do conhecimento. O Brasil registra número crescente de internautas e acessos, e neste ano a Internet vai experimentar essas ferramentas com maior liberdade nas eleições. Os exemplos e resultados positivos com a vitória de Barack Obama na campanha americana animam especialistas brasileiros em marketing eleitoral, partidos e candidatos em todos os níveis.

Essa experimentação ocorre com atraso, porque as regras em nosso país sempre foram muito rigorosas, dado que legisladores e o Judiciário não dispunham de referências de segurança para o uso político e eleitoral. O debate no Congresso Nacional revelou a preocupação com limites que são praticamente impossíveis de identificar no mundo virtual global. Houve quem defendesse uma isonomia dessas novas regras com os limites dos meios de comunicação tradicional. Esse paradigma mudou quando houve interatividade dos parlamentares com os eleitores, convictos pelo seu uso livre.

Os candidatos potenciais em 2010 se movimentam e tentam aproximar as suas ideias dos eleitores e os eleitores para as suas próprias campanhas. Contudo, a experiência eleitoral de Barack Obama ainda não serve totalmente ao Brasil, porque os americanos têm hábitos muito diferentes na Internet. No caso de Obama, os seus simpatizantes produziram vídeos manifestando apoio ao candidato, independentemente do partido ou da sua campanha. No Brasil, embora cerca de 37 milhões de usuários estejam conectados, em casa ou no trabalho, que somam 64,8 milhões quando consideramos os acessos em lan houses, bibliotecas, escolas e telecentros, os conteúdos políticos ainda têm interesse restrito.

A audiência na Internet configura hoje numa das maiores em comparação com os demais meios de comunicação, somando todos os tipos de veículos. Isso aumenta a relevância desse instrumento pela classe política, que necessitará muita criatividade para mobilizar o eleitorado na Internet no seu dia a dia. Internautas e eleitores não restringem o exercício da interatividade crítica somente no período de quase 90 dias das campanhas. Os conteúdos farão a diferença na percepção desses eleitores, que rejeitam as obviedades dos contatos pelos mecanismos tradicionais de comunicação.

O eleitor virtual vai ser atingido pelo político e pelas suas redes de militância virtual, desde que o uso da Internet observe uma comunicação em via de mão dupla e, ao mesmo tempo, convençam que as suas mensagens são também individuais, pessoais e abertas à troca de informações, ideias, propostas. Não acredito na massificação das mensagens eleitorais, justamente porque hoje há uma verdadeira repugnância às toneladas de lixo eletrônico e propagandas intrometidas. O sentido da propaganda eleitoral virtual, do emissor ao receptor, como a “entrega” de um panfleto eletrônico, sem interatividade e chance de contribuir para os conteúdos é um indicativo do fracasso nesse meio.

A Internet fará diferença nos custos das campanhas, que reduzirá materiais e agregará valor aos que compreendem a força de instrumentos virtuais. O seu uso adequado e inteligente mesclará eleitores que acreditam na política como meio de transformação da sociedade e a comunidade que busca conscientemente, credibilidade, confiança e envolvimento para mudar.