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Blog do Raul

Professor

A globalização dos boatos

Quem disse a você é uma fonte confiável?

Hoje em dia todo mundo sabe o significado de fake news, assim como desde a antiguidade os nossos antepassados testemunharam que verdade e mentira se misturavam nos mais diversos contextos da vida em sociedade. Esses fatos e versões, reais ou inventados, influenciam a nossa percepção e opinião, aguçando mentores e interesses a lançarem mão desses recursos no jogo baixo e covarde.

Vê-se que essa questão, nos meios de comunicação cada vez mais acessíveis, é imperativa em todos os níveis. Outro dia li uma associação do consumo dos boatos aos menos educados ou formados. Ora, o pecado a meu ver vincula-se à falta de uma orientação e consciência da sociedade sobre a origem das versões, que superam os fatos ou se criam sustentadas no nada apenas para alcançar algum tipo de vantagem.

O mundo é competitivo e quem tem uma formação melhor pode mais. Entendo que se as condições fossem igualitárias e menos sujeitas às espertezas, certamente haveria mais justiça e respeito entre os desiguais. O historiador francês Paul Marie Veyne registrou no seu ensaio “Os Gregos acreditavam em Seus Mitos?”, que “os homens não encontram a verdade, a constroem, como constroem sua história”.

Motivos não faltam para a criação de notícias falsas e espalhar e reforçar boatos, com o interesse de atrair a atenção das pessoas. Com a internet, além de ampliar o número de acessos aos sites, são reforçadas as estratégias de se estabelecer um pensamento coletivo, desconstruindo personalidades, reputações, para o prejuízo da integridade de pessoas comuns, celebridades, políticos, marcas e empresas.

Nesse contexto, urge orientar a partir dos anos iniciais das crianças nas escolas, além de evitarem doces e presentes de estranhos e interagir com tarados e pessoas anormais em rede, que a educação valorize a conectividade com redes confiáveis. Os grandes portais de imprensa, editoras e dirigentes da Educação deveriam criar um selo de qualidade para quem trabalha com a verdade.

Assim vamos contribuir para tornar as próximas gerações menos superficiais e mais preparadas para os desafios do futuro, em sintonia com a realidade, sem mais depressão, complexo de inferioridade, bullying etc.

Acho apropriada, nesse momento de buscas e descobertas, a célebre frase de Abraham Lincoln, de que “você pode enganar algumas pessoas todo o tempo. Você pode também enganar todas as pessoas algum tempo. Mas você não pode enganar todas as pessoas todo o tempo”. Que se valorize o papel do jornalista, dos escritores e, fundamentalmente, dos professores, para diminuir a influência dos boatos na formação de uma sociedade intelectualmente sã.

Portais de notícias no mundo criaram setores para checagem de informações e no Brasil existem agências chamadas fact-checking, para notícias suspeitas. Respondo aos amigos de Facebook, Twitter e WhatsApp, que o ideal é duvidar sempre e saber em outros meios. Eis um processo educativo que, na medida em que cada cidadão fizer a sua parte, compartilhando apenas aquilo que tem certeza de que é verdade, as fake news estarão fadadas ao ostracismo, como o recurso da mentira e da corrupção dos valores humanos essenciais.

Educação, urgente !

Ziraldo relembra plano de Paulo Renato

Neste 15 de outubro, Dia do Professor, participei de evento em São Paulo, em que o governador Geraldo Alckmin anunciou um amplo programa de ações voltadas à melhoria da Educação, priorizando a valorização da carreira do magistério, para torná-la mais atrativa e procurada pelos jovens. Essa atitude é uma conexão com a história de vida dedicada à Educação, do ex-ministro Paulo Renato Souza, homenageado pelo governador como o patrono da Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Professores, no bairro de Perdizes, na Capital, e que, na mesma semana foi lembrado pelo cartunista Ziraldo, por causa do seu plano durante o governo Fernando Henrique Cardoso, de fazer do Brasil um país de leitores.

Com o programa “Educação – Compromisso de São Paulo”, novas linhas de ação devem conduzir à conquista do objetivo da melhoria da qualidade da Educação em todos os níveis no Estado. O próprio governador Alckmin ressaltou, juntamente com o secretário Herman Voorwald, que essas medidas não seriam possíveis sem os investimentos expressivos realizados em gestões anteriores, no Estado e a nível federal, para a universalização do Ensino Fundamental, o combate à evasão, a grande ampliação da oferta do Ensino Médio (das 545 mil matrículas em 1985, para 1,512 milhão em 2010), a implementação de um novo currículo (com os programas “Ler e Escrever” e “São Paulo Faz Escola”), o desenvolvimento de materiais de apoio a professores e alunos, o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar (Saresp), a implantação da progressão por mérito e do bônus por desempenho e a criação da Escola de Formação de Professores.

Nessas novas linhas de ação, um novo modelo de escola de Ensino Médio, com a ampliação não só da jornada (de 6 para 8 horas diárias), mas também do currículo, prevendo disciplinas eletivas, laboratórios, salas temáticas e três refeições por dia. O modelo prevê uma diferença em relação às atuais escolas de tempo integral, integrando disciplinas do currículo a um novo regime de trabalho de seus professores. No novo regime de trabalho, haverá dedicação plena e integral, com gratificação que será incorporada para fins de aposentadoria.

Também haverá, a partir de agora, uma atenção maior às 1.206 unidades de ensino consideradas de maior vulnerabilidade, tanto no aspecto socioeconômico, como nos de infraestrutura e de aprendizagem, entre eles o desempenho no Saresp 2010. A Secretaria de Estado da Educação vai intervir e monitorar permanentemente essas escolas, com formação continuada de professores, investimentos em infraestrutura, implantação do programa de professores-mediadores, salas de leituras e projetos especiais de recuperação do aprendizado dos alunos.

O momento é histórico e não tenho dúvida de afirmar que representa um grande e exemplar avanço para todo o Brasil. O escritor e cartunista Ziraldo reclamou da Educação no país, quando convidado a participar e falar durante o seminário “Cinema Infantil Brasileiro: Trajetória e Futuro”. Na oportunidade ele aproveitou para dizer que não iria ficar falando só de cinema não: “O centro da minha preocupação no Brasil é a Educação. Há mais de 30 anos viajo pelo Brasil e conheço todos os tipos de escolas. Sou o ‘não especialista’ em Educação que mais entende do assunto”.

E Ziraldo completou: “O ministro da Educação do governo Fernando Henrique, Paulo Renato, tinha um plano, e era assim: ‘Vamos fazer um país de leitores’. Isso era sensacional. Apesar do Lula ter sido o melhor presidente do Brasil, sua gestão para Educação foi ruim porque desconstruiu essa premissa”.

Não tenho dúvida de que Educação é tudo! Da mesma forma entendo que a sociedade reconhece o valor do professor e transfere aos governos a responsabilidade integral pela qualidade da Educação pública. Nos últimos anos vimos testemunhando investimentos em obras, materiais, equipamentos e na melhoria salarial – graças às instituições do Fundef e Fundeb, desde o governo FHC.

Mas ainda é pouco para se recuperar da defasagem histórica, das boas escolas públicas dos anos 50 e 60.

O esforço do Brasil, que deve ter metas concretas para ter novas gerações melhor educadas, deve ir além do discurso de prioridade dos políticos e seus governos em todas as esferas. A Educação precisa ser tratada como uma urgência, envolvendo a todos, repartindo atribuições e responsabilidades.

Está mais do que na hora de encarar os desafios insuperados da Educação como uma causa nacional. Regras, como a do piso salarial nacional dos professores, precisam ser cumpridas como o mínimo a fazer no quesito vencimentos, mas os profissionais da Educação devem merecer a atenção com a sua qualificação, atualização e avaliação permanentes.

Em resumo, comemorando e refletindo o Dia do Professor em 2011, Educação melhor não se faz apenas com os melhores salários, e sim inclusive com eles. Nossa luta é por esse reconhecimento, suficiente e cada vez mais urgente!