Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Blog do Raul

“Progressão continuada” não é vilã !

Tenho muito receio da forma com que certos temas são colocados em debate para a sociedade durante os anos de eleições. A crítica é comum contra aqueles que estão no poder e ainda não conseguiram resolver completamente as questões, como no caso da educação, cujas medidas importam mexer com a vida de uma geração em envolvimento. Por isso vejo com reservas a forma com que a “progressão continuada” retoma o centro das atenções e das opiniões políticas e eleitorais, porque os seus defensores a deixam numa posição muito vulnerável, restando-lhes absorver todo tipo de crítica, como se fosse a única responsável pela qualidade do ensino e pelos resultados apresentados nos últimos anos.

A associação da “progressão continuada” com a “aprovação automática” configura o desvirtuamento desse modelo importante para impedir o desequilíbrio idade/série dos estudantes e evitar múltiplas repetências, que são os principais fatores da evasão escolar. A “progressão” deve ser organizada, na forma prevista pela LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em forma de ciclos, para saber o nível e a absorção de conhecimento, sem interrupção, mas de construção. A “progressão continuada” se orienta no acompanhamento e entendimento de que o aluno está continuamente se formando, construindo significados.

No entanto, há uma discussão que precisa ser pautada com o envolvimento dos principais atores responsáveis pela educação, especialmente dos ciclos básicos, onde a “progressão continuada” se verifica. Governos, conselhos de educação, associações de pais e mestres, dirigentes, funcionários, alunos e pais precisam com urgência tocar e fazer acontecer questões fundamentais para que esse sistema resulte em avanços, como o educador Paulo Freire já previa em seus estudos, teses e práticas: mudanças específicas nas condições estruturais, pedagógicas, salariais, de formação de professores e em todos os atributos que forem considerados essenciais para que o programa seja desenvolvido com os resultados preconizados.

Afora isso, o entendimento da sociedade, que se desperta para o assunto sempre na época das eleições, continuará restrito à “aprovação automática”, singelamente considerada desde que o estudante não falte às aulas. Infelizmente não é possível neste novo momento eleitoral pautar o tema de maneira clara e sem críticas oportunistas. A vontade política dos governantes deve ser clara nessa direção e as organizações corporativas e comunitárias não podem manter uma postura reacionária.

Se o aprendizado e o desenvolvimento dessas crianças e adolescentes “envergonham” pais e educadores, porque ficar fugindo da própria culpa, se a solução está tão próxima das suas decisões e atitudes? O estudante que tem dificuldade de aprender necessita de especialistas para identificar as suas deficiências e da aplicação das vacinas apropriadas com reforço escolar e atenção específica. O Brasil vai avançar mais quando a Educação for tratada como uma urgência e estiver inserida como o primeiro item da agenda de todos quantos tiverem o poder de decidir.

Compartilhe

8 comentários em ““Progressão continuada” não é vilã !”

  1. Maisa Costa

    Querido amigo parabéns pelo artigo! A má interpretação da Progressão Continuada passa também pelos educadores, infelizmente. Para ser bem didática o que aconteceu foi o seguinte, criou-se um cenário futurista (Progressão Continuada) e os atores continuaram atuando no século passado, daí vem o choque! De série passamos para ciclo, de notas (numéricas) passamos para conceitos, e o mais creul de todos (na cabeça de alguns) da Progressão Continuada para Promoção Automática. Eu sou defensora e acredito na Progressão Continuada, com organização e compromisso de todos com a aprendizagem. Sou contra a reprovação, mesmo porque nem sempre a reprovação se dá por causas pedagógicas. Sei que combater a reprovação é apenas uma parte da solução. A questão de fundo é ensinar a todos e a cada um.

  2. Ayr Quaglio

    Querido amigo,como fico feliz vendo um artigo como o seu!será leitura em reunião com os professores.A nossa querida amiga Maisa,falou tudo:o que impera em nosso meio,infelizmente,é a má interpretação,o receio,a insegurança e principalmente em alguns a falta de comprometimento com a educação.Eu sinto muita falta dos nossos professores,lembra?!!dedicação,compromisso em fazer com que aprendessemos de qualquer maneira.Infelizmente os nossos alunos,muitos deles tem somente nós professores para a leitura e tudo mais.O dia que todos os professores “enxergarem” essa realidade e assumirem o seu compromisso,a educação será a melhor do mundo!!!!!bjão

  3. Luiz Carlos

    Tudo é lindo e maravilhoso!!!! Fui professor na perifeia e chegou a situação de escutar de um aluno!!!” Vou me dedicar para que? Vocês não podem me reprovar mesmo o que eu quero é meu diploma de segundo grau….Em emados dos anos 80 escolas eram valorizadas, professores davam aulas com amor e APRENDIAMOS….Vocês devem ter pesquisado em escolas particulares ou em outro pais pois em São Paulo não é!!!!!

  4. Então… Capitão de Karl Max também é lindo… o novbo testamento também… mas na prática….
    Escolas hoje são “Maquininhas de carne moida”. Pais que mandam seu filhos para a escola achando que escola é creche, professores que so reclama mas não se mexem, alunos que estão mais preocupado em ficar ouvindo música em celulares dentro do transporte coletivo… cachorro correndo atras do rabo… INFELISMENTE

  5. Me desculpem … digitei muito rápido e não revisei o texto… então vamos lá….

    Então… Capital de Karl Max também é lindo… o Novo Testamento também… mas na prática….
    Escolas hoje são “Maquininhas de carne moida”. Pais que mandam seu filhos para a escola achando que escola é creche, professores que so reclama mas não se mexem, alunos que estão mais preocupado em ficar ouvindo música em celulares dentro do transporte coletivo… cachorro correndo atras do rabo… INFELISMENTE

    PS me desculpem sou um iletrado…

  6. Prof.Miguel

    Que Deus lhe proteja Raul Cristiano, mas tenho certeza que essa progressão continuada não funciona em São Paulo, porque o que se espera dela é apenas retorno de dados atraentes, para que o mundo possa ver.
    Não se tem educação de qualidade com professores mal pagos e em péssimas condições de trabalho.
    Na minha escola não há biblioteca, não há sala de informática nem há segurança – periferia de Capão Redondo São Paulo.
    Estou terminando uma pós na PUC – não recebo nehuma ajuda do governo e ainda tenho que pagar pelo curso 628,00 – meu salário 1340. Vale alimentação 4,00. Enquanto um vereador ganha em torno de 7 ou 8 mil. E NÃO VENHA ME DIZER QUE SER PROFESSOR é dedicar-se a causa – professor também vive, e sem dinheiro ninguém sobrevive.

  7. Prof. Marco António

    Sabe amigo,como nós professores podemos ser comprometidos ou termos comprometimento com algo,quando vc pega um diretor que quer passar todos os alunos fabricando notas azuis, e dizendo para vc alterar seu conceito e ainda diz que azul ou vermelho é tudo igual, ou seja se mascara resultados, depois vem prova Brasil, ENEM, SARESP, etc, e prova o contrario do que se é coagido a fazer, como ter gosto por educar, por ensinar se encontramos profissionais incompetentes na direção e supervisão como acontece aqui na cidade de Campinas/SP, que te obrigam, te coagem a fazer o que querem fabricando notas e mascarando resultados.É dificil se trabalhar no estado em uma escola onde as coordenadoras e direção não falam a mesma lingua e uma das coordenadoras ainda fala pobrema e esta no cargo apenas por ser amiga de frequentar a casa do diretor, etc… As coisas estão todas erradas e a reformulação tem que vir de cima, a começar dos supervisores que temos muitos mal preparados e quem nem mesmo sabem o que é a progressão e acham mais facil jogar o nã oentendimento nas costas dos professores e que ficam induzindo e coagindo professores a fabricarem notas e resultados que não existem, apoiados por diretores mal preparados, vice-diretores que nem conseguem passar em concurso para diretor e ou professor e estão em cargos por amizade de quem os chama (convida) para tal… Sabe to decepcionado com otipode profissionais que temos ocupando cargos… E que nunca sabem realmente definir a progressão a questão de notas etc e que sóquerem mostrar notas azuis acima de 5 mascarando resultados que não existem. Tô tão bravo que volto em outro momento para comentar o blog… Abraços…

  8. Enzio Meixedo Chiarelli

    Amigo, você já entrou em uma sala de aula, quer seja na rede pública ou particular, na condição de professor?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *