Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Blog do Raul

PISA é um termômetro para o ensino

Quando o Brasil aceitou submeter o seu ensino à prova do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), criado pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), o fez voluntariamente pela primeira vez no segundo governo de FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato Souza. Longe da pretensão de concorrer em qualidade com os países mais ricos, essa avaliação foi buscada porque é considerada um dos instrumentos mais sérios e respeitados no mundo para identificar os defeitos do nosso sistema educacional. Posso afirmar que foi um ato de coragem, justamente porque a nossa dívida com o setor crescia desde o início dos anos sessenta.

Os resultados do exame de 2006 revelam que a qualidade do ensino continua sofrível, apesar dos investimentos iniciais em 1997 com os recursos do Fundef (Fundo de Desenvolvimento da Educação e Valorização do Magistério) e a variedade de programas focalizados na melhoria do ensino básico, principalmente em relação à estrutura física das escolas, ao transporte escolar, ao material didático e às diretrizes para atualizar e melhorar a qualidade da formação dos professores.

Acontece que a mudança dessa realidade não vai acontecer apenas com mais recursos para a educação, porque o PISA toca e explicita fundamentalmente os problemas estruturais decorrentes da descontinuidade na política educacional.

O ex-ministro e atual deputado federal Paulo Renato (PSDB-SP) ressalta a experiência chilena, cuja política educacional é preservada ao longo das últimas duas décadas: "Claramente, eles definiram a prioridade do ensino básico e investiram pesado na melhoria da sua qualidade. Isto explica o salto que o Chile conquistou no desempenho do exame de leitura do PISA deste ano. No Brasil aconteceu exatamente o inverso. A política educacional imprimida no governo Fernando Henrique foi deixada de lado e a universalização do ensino fundamental não foi estendida para o ensino médio. Programas voltados para a qualidade do ensino foram abandonados e cito aqui o abandono do programa ‘Leitura em Minha Casa’, através do qual distribuíamos livros para os alunos e treinávamos os professores para a leitura. O mesmo se repetiu com a matemática, com a descontinuidade das suas olimpíadas".

Qual a reação do governo petista? Acuado pelas matérias opinativas e editoriais com o registro da estagnação do ensino brasileiro, o atual ministro Fernando Haddad não apresenta uma receita nova e dá de ombros aos indicadores e exemplos de superação de outros países. Prefere o atalho da partidarização e escolhe São Paulo como alvo, logo após a divulgação de pesquisa eleitoral do Datafolha que exibia a superioridade do governador José Serra (PSDB) numa eventual eleição para a presidência da República.

Haddad deu ênfase aos resultados dos estados, para exibir disfunções entre eles. Acusou São Paulo, que tem o maior número de estudantes do país e que hoje tem uma política educacional muito clara e comprometida com a qualidade do ensino, como responsável pela média negativa do Brasil no PISA.

Infelizmente o governo Lula não aproveita o PISA como deveria, se quisesse o povo brasileiro bem educado. FHC tem razão quando afirma que o Brasil não pode ser governado por quem despreza a educação.

Compartilhe

2 comentários em “PISA é um termômetro para o ensino”

  1. Raul, obrigado por suas preciosas informações para um leigo nos assuntos educacionais.
    A única ressalva que posso fazer é de natureza política ideológica: As diversas mídias (a salvo algumas exceções
    que aliás desconheço-as) exercem a tirania dos conteúdos capitalista do consumismo a qalquer preço,do egoísmo como condutor (“duco”) sobre “todos” meios de informação e de comunicação.
    O brasileiro criança é “educado” pra ser um cidadão de segnda classe americano. Não há relevância à misdigenação da nossa verdadeira História e são adestrados pra consumir
    a Historiagrafia oficial , “folclórica”, omitindo-se os genocídios aos Povos Indígenas, das corrupções vertentes que desaguaram nas águas imundas da atual poítica global.
    O brasileiro jovem é agente dos interesses não-coletivos,
    e pratica o fascismo corporativista por sua necessidade de estar no sistema, como nos afirmou o José Saramago, há um tempo, em entrevista “esquecida” na Folha de São Paulo.
    O brasileiro velho tem à sua disposição as brincadeiras e jogos, que “nosso” Estado paternal, através da suas três esferas de poder executivo, macro, médio e micro, lhe proporciona: lazer, programas de inclusão social, saúde
    etc…e tal. Mas eles lembram de outros produtos culturais

    Ao Estado conivente e apoiador, político-financeiro das
    mídias e suas expressões interessa é manter tudo como está e se jactar de futebol, carnaval, naturez que resta, essa gente bronzeada mostrando o seu “valor”.

    Claro está que exagero, existem boas medidas de governo
    e da sociedade digna, como parte…Mas o todo?

    De toda a forma, obrigado por boas notícas dos passado
    e não sinto mais indignação no presente…porque se o Mc Luhan, antes definiu que o meio são mensagens, há que se ressaltar que nesse silogismo, no capitalimso excludente
    da maioria, o meio são as embalagens as quais te conduzem
    (Aóprxis das alienações) as mensagens.

    Abraços fraternais
    Ivan Alvim

  2. O ministro Haddad, apenas comentou a média de São Paulo, não foi ele quem deu a nota e sim o PISA. Em tempo foi o governo de São Paulo que criou a Progressão Continuada( da forma que é, é uma vergonha)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *