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Blog do Raul

Rocinha desprivatizada !

Estado resgata Rocinha

O Rio de Janeiro continua o seu projeto de UPP – Unidade de Polícia Pacificadora, com a secretaria estadual de Segurança Pública, e agora retoma para o Estado a Favela da Rocinha, para construir um ambiente de paz para os moradores locais. Esse resgate de área dominada por traficantes e milicianos (ex-policiais e paramilitares) funciona para garantir a entrada de serviços públicos essenciais como luz, água, limpeza pública e obras de saneamento básico, mas, a exemplo de reocupações anteriores, os moradores da Rocinha comemoram o feito, mas desacreditam nas respostas imediatas dos poderes públicos.

Toda mídia divulgou de maneira espetacular a vitória do Estado contra o Paraestado do crime organizado. A presença constante da polícia, a partir da ação da UPP, busca trazer ganhos além da área de segurança pública e, apesar das primeiras reações de descrédito, a intenção é justamente para ampliar a confiança do cidadão e das empresas que trabalham e investem no Rio de Janeiro, com vistas aos grandes eventos globais no Brasil – a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos em 2016.

O governador Sérgio Cabral está feliz da vida com o sucesso de mais essa operação de reestatização da comunidade. Os desafios agora são grandes para atender com importantes obras de infraestrutura e de melhorias nas condições sociais da população e na segurança dos moradores e turistas potenciais. Mas a sociedade brasileira espera respostas mais contundentes, não só no Rio de Janeiro como em diversos outros lugares do país, que enfrentam os mesmos problemas.

A reestatização da Rocinha vem predominando no noticiário e isso ajuda no sucesso do modelo de UPP’s, que envolve efetivo de policiais mais experientes, o auxílio do BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio e até das Forças Armadas, em alguns casos. Mais uma página da história de insegurança da comunidade é virada, mas como lidar com a desconfiança em um país que tão próximo de grandiosos eventos ainda apresenta resultados tão negativos em questões básicas e fundamentais para os cidadãos?

Lí no jornal “Folha de São Paulo” sobre os moradores, que desacreditam do papel que o Estado e com o pronto atendimento das suas instituições legais. No mesmo jornal, a cientista social Silvia Ramos perguntou em artigo: __ Será que o Rio vai aprender a integrar sua favela à cidade?

Não faltam ações isoladas no Rio e em outros municípios do país para atender a essa integração, além de resolver as suas necessidades sociais, principalmente com emprego e geração de renda, e na reassunção do papel de Estado apropriado nos últimos 30 anos pelo tráfico. Como atender a uma comunidade que até agora era “privilegiada” com a quitação dos seus aluguéis e a compensação de renda com os filhos adolescentes, que recebiam em média pró-labores de R$ 2 mil/mês? Bastarão as bolsas federais mínimas para essas famílias?

A desprivatização da Rocinha impõe decisões e melhorias com políticas públicas específicas para a Educação, Saúde, moradia e geração de renda. E essa tarefa, de caráter sustentável, permanente, não caberá somente ao governo do Estado do Rio, mas também a Prefeitura e ao Governo Federal. Do contrário, o retrocesso é iminente.

Ilustração: foto de Cleber Júnior (Agência O Globo).

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