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Blog do Raul

Escola não é tudo com Bolsa-Família !

Pesquisa divulgada ontem pelo jornal O Estado de São Paulo mostra que o programa mais importante do governo Lula, o Bolsa-Família, não consegue fazer as crianças completarem o ensino fundamental. Isso é grave, justamente porque a matriz dessa iniciativa, o programa Bolsa-Escola Federal, criado no governo FHC, foi responsável pela presença maciça de crianças de 6 a 15 anos na escola. Naquela época, as famílias recebiam o benefício, desde que mantivessem os seus filhos em sala de aula. O governo Lula ampliou o número de beneficiários, mas desobrigou a freqüência no início; quando voltou atrás nesse objetivo, as famílias não davam valor à escola, achando que recebem a bolsa porque são pobres, nada mais, além disso.

Os dados constam de levantamento dos ministérios da Educação e do Desenvolvimento Social e preocupam por causa da valorização exclusiva da compensação financeira. A evasão escolar crescente em 91 dos 200 municípios pesquisados, e a estagnação dos índices de exclusão escolar e social em 37 municípios, acende uma luz amarela de atenção, havendo tempo de modificar o foco de meramente assistencialista para uma reação emancipatória.

Hoje, o programa Bolsa-Família dá R$ 58 e mais R$ 18 para cada filho de zero a 15 anos de idade matriculado na escola. O governo Lula elevou o valor do benefício, mas não conseguiu manter a sua meta de fazer a população pobre ter escolaridade melhor e uma perspectiva de futuro longe da exploração do trabalho infantil e das condições de risco.

Como essas crianças ingressam mais tarde na escola, o Bolsa-Família está estendendo a faixa de idade para até 17 anos. Então surge uma dúvida sobre a eficácia do programa, tendo em vista que a pressão pela sobrevivência acelera o abandono da escola para buscar salário e contribuir com o orçamento familiar.

Não está na hora do governo Lula refletir sobre a necessidade de transformar o caráter compensatório e assistencialista, para emancipar os seus beneficiários, com a ampliação dos programas de reforço de aprendizado, cuidados com a saúde e vagas nos cursos técnicos e profissionalizantes?  Houve o momento, ainda na época do Bolsa-Escola, que a orientação estava baseada em dar o peixe, a vara de pesca e, ao mesmo tempo, no ensino de como pescar.

Retomo uma discussão desde o final do governo FHC, quando 97% das crianças de 7 a 14 anos foram matriculadas nas escolas. O maior desafio, então, foi universalizar o acesso à educação fundamental e crianças, adolescentes e jovens de todas as origens puderam frequentar escolas públicas boas e ruins. Ninguém gosta de ficar em escolas ruíns e isso reforça a minha tese de que o governo Lula não conseguiu, nos seus cinco primeiros anos, vencer o desafio de melhorar as estruturas e a qualidade do ensino.

Como diz o senador Cristovam Buarque, a criança vai para a escola "pela merenda, para garantir que a família receba o dinheiro da Bolsa. E em escola ruím, mesmo pagando, a criança não fica!" Quando será que Lula quitará a sua dívida com a cidadania? Quando superará esse estágio muito além do seu contentamento populista, que se resume em distribuir bolsas isso e aquilo, como se fossem esmolas?

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3 comentários em “Escola não é tudo com Bolsa-Família !”

  1. Meu Amigo Raul,
    É muito triste vermos as mães engravidando somente para terem garantida o “Bolsa Família”. Esta é uma realidade que só não vê quem não quer. Nas comunidades carentes deste nosso país os lares estão se tornando verdadeiros depósitos de “filhos”, filhos estes que não são gerados pelo amor mas sim pela necessidade. Brasileiros, de todos os tipos, cores, profissões, religiões, enfim, que tenham ainda um pouco de sensibilidade e vontade de ver e viver em um país mais digno, outubro está aí, a nossa porta. Façamos valer os nossos direitos.
    Criança com fome não se desenvolve dignamente nem consegue aprender. Tem pai que manda o filho para a escola as 13 horas sem ter comido ABSOLUTAMENTE NADA desde a hora em que acordou.
    Me desculpem pelo desabafo mas, é muito doído vivenciar tudo isso, dia-a-dia.
    Ivete.

  2. Raul, não dá prá se fazer comparação do hoje com o de ontem, as famílias mais humildes, sempre tiveram números exagerados de filhos, e acredito que por falta de informação, falta de conhecimento e até mesmo por negligência, e não porque hoje existe esseprojeto assistencialista do governo federal.
    Não devemos esperar nada desse governo, a não ser que o tempo que lhe falta, passe na velocidade da luz, ainda mais na questão da educação. De que educação estamos falando para esse governo adotar, se o mesmo tem pouca cultura, e por isso alguns já pensam infelismente que, se o Lula chegou a presidente ,e só tem o antigo primeiro grau, se é que tem, prá que estudar?
    Sei o quanto é duro ter que dizer isso,más eu e muitos não acreditamos nos dice-me dice desse governante.
    Mais nem que a vaca tussa!

  3. Maurilio Tadeu

    Raul,

    Esse Programa dá uma esmola para as famílias e as ilude. Creio que as autoridades não devem estar preocupadas com a educação em sí. Em escola ruím, despreparada, mal dirigida, com professores não comprometidos com o seu papel fundamental de EDUCADORES, o aluno, recebendo ou não esse “soldo”, não fica na escola. Já é difícil para uma criança que precisa trabalhar prematuramente para ajudar nas despesas da família permenecer na escola; se ela está em um lugar que não a motive a estudar, ela preferirá a praticidade do ganha-pão. E não será essa “Bolsa” que garantirá a sua permanência na escola. A criança deve frequentar a escola bem alimentada e com boa saúde e ter, na escola, um tratamento digno e sentir que essa escola é de qualidade, bem organizada e com procedimentos claros em seu trabalho educativo. Portanto, nenhuma espécie de “Bolsa” será a garantia da permanência na escola, se outras condições fundamentais não estiverem presentes.

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