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Blog do Raul

Primeiro turno eleitoral de abril.

O movimento é reservado aos líderes e dirigentes dos partidos, e funciona como um turno eleitoral sem voto direto. Ninguém perceberia as suas articulações, se não fosse a exposição até das posições contraditórias pela imprensa. A corrida começou e à essa altura do campeonato, com os últimos números da pesquisa do Instituto Datafolha para a prefeitura de São Paulo, em que Geraldo Alckmin e Marta Suplicy estão empatados tecnicamente – com respectivos 28 e 29% -, novos lances estão por vir, patrocinados pelo governo Lula: Paulo Maluf e Orestes Quércia.

Hoje é possível dizer que a presença desses novos atores no processo eleitoral serve para dividir os votos da união PSDB-DEM. Quem sabe a justificativa que faltava para impulsionar a unidade das duas principais candidaturas do campo oposicionista nacional – Alckmin e Gilberto Kassab. Tenho em mente uma proposta para tucanos e democratas, sem recorrer a orações ou rezas bravas: aquele que estiver em melhor situação numa pesquisa na primeira semana de junho será o candidato a prefeito da aliança paulista.

A meu ver essa combinação política não ficaria restrita às eleições municipais, pré-definindo um projeto de longo prazo para o governo do Estado e para as duas vagas que serão disputadas para o Senado em 2010. Não me recordo de um acordo político assim em 2004, mas é bom relembrar que, em 2006, a então pré-candidata ao Senado pelo PSDB, Zulaiê Cobra, abriu mão dessa condição para o DEM, para atender à manutenção da aliança entre os dois partidos.

Ainda bem que o silêncio tomou conta da situação nesta semana, porque antes da divulgação do Datafolha estava corroendo as estruturas dessa aliança política. O crescimento de Marta é sintomático, porque ninguém pauta os programas iniciados por José Serra e continuados por Kassab na Prefeitura. Se pautassem, haveria o exercício do debate e da comparação com os feitos do PT, que resgatariam a vantagem das políticas públicas do PSDB/DEM no governo da cidade de São Paulo, contra os escândalos do lulopetismo local nas áreas de coleta de lixo e na gestão dos transportes, por exemplo.

Acho ilógico o PSDB protagonizar uma verdadeira autofagia (nutrição à custa das reservas do próprio organismo), ao revelar votos no DEM antes da definição de um caminho de entendimento e sensatez.

Reconheço os esforços do José Henrique Reis Lobo para tentar resolver e reverter os resultados dessa equação, que gera a divisão do tucanato. Lí o artigo de Lobo, publicado na Folha de São Paulo de segunda-feira (31), carregado de aflições e apelo por orações, diante do seu reconhecimento que "as vitórias em São Paulo também se devem à capacidade do PSDB de escolher bem os seus parceiros".

Esta semana foi difícil para manter atualizado este blog. Minha última reflexão foi sobre não ter medo de dormir com o inimigo. O comentário sugeriu que, como na leitura de um livro, é preciso ler uma página de cada vez. Muitas vezes identificamos entre os próprios tucanos, o comportamento de Hillary e Obama nos Estados Unidos, tendência à fratura de relações supostamente unificadas e integradas pelos programas partidários, devido aos projetos pessoais.

Os tucanos de São Paulo tradicionalmente revelam a sua satisfação pela disponibilidade de quadros políticos e eleitorais. Mas na pólítica há regras que não se restringem às disputas imediatas. Isso reforça a minha tese para que a aliança PSDB/DEM tenha candidatura única, a partir de uma data limite. Quem estiver melhor na opinião popular até lá será o candidato e ponto final.

Curioso é que numa boa parte dos municípios há confrontos sobre quem sairá candidato, inclusive com a vontade surpreendente de ex-prefeitos querendo suceder seus sucessores, quando estes poderiam exercer o direito à reeleição. O cenário de três turnos se repete além da Capital, mas a polarização da disputa Alckmin/Kassab abduz os dirigentes partidários da racionalidade e do bom senso.

Também é fato que, na ausência de uma definição clara do PSDB em relação à sua política nacional de alianças, com vistas à reconquista da presidência da República em 2010, o cenário é um Deus nos acuda. Esse comportamento de cada um por si justifica, por exemplo, que Aécio Neves tem avançado mais, embora entregando as possibilidade tucanas à base aliada do PT: em 2008, Aécio e o PSDB mineiro apóiam um candidato do PSB a prefeitura de Belo Horizonte; em 2010, para sucedê-lo, Aécio e o PSDB mineiro apoiarão o próprio PT…

Falta rumo nesse primeiro turno eleitoral de abril. É trágico que isso esteja acontecendo, mais parece um arakiri… 

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9 comentários em “Primeiro turno eleitoral de abril.”

  1. Ernesto Donizete da Silva

    A situação realmente está descontrolada. Não existe uma voz uníssona dentro da estrutura partidária do PSDB, para orientar as alianças que estão sendo “negociadas” em todo o Brasil.

    Não há neste momento dentro do nosso ninho, ninguém com autoridade e aceitação da maioria para erguer a sua voz e ditar com as rédeas na mão qual será a estratégia do PARTIDO e não de grupos isolados, visando as eleições deste ano e a de Presidente da República em 2010.

    Cabe no entanto, referendar que dentro dos nossos quadros existem tais pessoas, verdadeiros expoentes nacionais, estaduais e municipais, que por algum motivo não estão (ou não querem) assumir esta verdadeira “missão” formadora de unidade – inclusive devido a responsabilidade decorrente.

    A vastidão de alianças que estão sendo feitas no território nacional nos demonstra a situação CAÓTICA vivenciada. Em cada localidade a preocupação é obviamente ganhar o poder ou nele se manter. Voltando ao seu texto “dormindo com o inimigo” vemos os motivos que também explicam a situação atual dos tucanos no cenário político.

    É lógico que devemos e TEMOS que ocupar o espaço que nos cabe, mas gostaria realmente de ver a presença e atuação de LÍDERES. Faltam líderes, em tudo não apenas na política, faltam pessoas comprometidas realmente por uma causa, capazes de se expor, de agregar com argumentação, de dizer e fazer o necessário sem ter de temer as reações contrárias… líderes que não engolissem tantos sapos e numa postura ética e moral revertessem este quadro (diria) melancólico e sem sal no qual o país está mergulhado.

    Cada um cuida de si, do seu umbigo, etc… Já em relação ao código de honra dos samurais, não vejo tal analogia. Os samurais utilizam o harakiri como uma OBRIGAÇÃO ou um dever de suicidar-se em determinadas situações nas quais julga ter perdido a sua HONRA.

    O que percebo, pelo menos neste momento, é a negociação, a barganha, o acerto sendo feito visando tão somente interesses particulares de uns poucos. Mas é óbvio que ninguém irá assumir isto, não é verdade?

    Ernesto Donizete da Silva
    PSDB/SANTOS

  2. Amigo Raul.
    O sistema político brasileiro continua a se utilizar dos mesmos meios -ou mídias- da S/A Poderes e Centrais capitalistas para fazerem valer feudos de dominação, via Institutos de Pesquisas, veículos publicitários, os quais hoje, -com a tecnologia apurada- na aórea do jornalismo noticioso pautam e com competencia forjam números e induzem as conclusões da….galera (urgh). Há exceções, as quais desconheço, mas sei que existem, de ouvir falar, ou de imprensas de menor alcance de público, faladas, escritas e/ou tecladas (por ex.seu Blog).
    Esta semana, um caso da violência contra os indivíduos fisicamente mais fracos, plantada pelos estilos de “way of life by” filmes, games e alarmismos ibopeanos, ganhou dimensão
    extraordinária. “Por acaso” rssss, o que está rolando em Brasilia na “apuração” de fatos e
    realidades, do fascismo corporativista que no Brasil impera em quase todos os setores da vida social, nessa marca capitalista fantasia da “Democracia” foi para o pano de fundo da
    comoção social, e tudo continuará como antes
    ou como sóe acontecer, hoje no mundo global financeiro…fazer o quê? Nada ou assistir na TV o mundo passar rsss. Para onde? Jamais nós,
    as minorias *diletantes* que pensam saberemos!
    Um forte abraço e parabéns pela abordagem do assunto em tela…no seu/nosso Blog, claro!
    Ivan Alvim

  3. Rafael Valdivia

    Caro Raul
    Sua proposta é a única viável e atende aos anseios de quem deseja não só o melhor para si e seu partido mas para a população, objetivo final da politica. Marcar prazo para as “previas publicas” do PSDB e DEM em São Paulo é o caminho.
    Grande Abraço
    Rafael Valdivia

  4. CAro Raul,

    As declarações do Lobo, Presidente Municipal, acalmaram um piuco os ânimos. Isso é bom para o PSDB.
    Mas ainda temos que encontrar uma saída para esse incômodo impasse.

    Temosuma situação complexa: o PSDB é gestão, no Governo Kassab e, ao mesmo tempo, aspira lançar o querido Geraldo como candidato. Como desatar esse nó?

    Vamos aguardar…mas diálogo e respeito são fatores que ajudarão muito.

    Abraços!

    Zé Rubens

    http://www.tucanojovem.wordpress.com

  5. Édson de Morais Bueno

    Caro Raul, Feliz Dia!

    Imagino a aflição que este pleito tem trazido aos companheiros tucanos, e porque não dizer também aos democratas. Isto é democracia e com certeza proporcionará crescimento para todos.
    Quero parabenizar nosso Presidente do Diretório Municipal da Capital, José Henrique Reis Lobo, pela excepcional condução do processo e também parabenizar São Paulo, pois, melhor do que ter um candidato com chances reais na disputa é ter dois.
    Infelizmente temos presenciado declarações infelizes de alguns companheiros que me parecem mal preparados, pois, querendo ou não, em São Paulo o PSDB é Governo!
    Creio que não teremos dois candidatos e que nossos grandes líderes saberão resolver esta equação, pois, caso isso não ocorra, apesar de estarmos vivendo no Tempo da Páscoa, ressuscitaremos algumas figuras.
    Afirmo que não será necessário “arakiri”, porém, um pouco de oração é coisa que não faz mal a nínguem.
    Para encerrar e acalmar a tucanada, e porque não dizer também os democratas, com certeza teremos um grande final feliz mantendo a aliança vitoriosa. Caso não consigam visualizar este final a que me refiro, é porque o fim ainda não chegou, afinal de contas todo final é feliz.
    Saudações e Dia Feliz para todos.
    Édson de Morais Bueno
    Diretório do PSDB Jabaquara

  6. Paulão/Jabaquara

    Amigo Raul,

    Eu vejo que não será necessario o arkiri, parece que o entendimento esta proximo, mas meu amigo nós somos tucanos e isso não ha como negar, se voce conhece algum tucano que veja no cenario politico paulista o PSDB sem candidato na cabeça da alinça mostre ao partido e veremos que não é um tucano autentico.

    Abraços

  7. Raul, não aguento mais esse lenga lenga do PSDB, na questão de ter candidatura própria ou manter aliança com o Dem.
    Esse partido foi fundado, após divergências de opiniões partidárias dentro do PMDB. Acho que com tantos desencontros e ninguém para assumir com rédeas curtas, não seria melhor fundi-lo e iniciar com uma nova sigla?

  8. QUEM NÃO FAZ GOL, TOMA. e TOMA FEIO!!!

    NÃO ACEITOU III
    Além de não aceitar, Kassab desmontou os tucanos, afirmando que a Prefeitura de São Paulo é coisa séria e não moeda de troca para interesses maiores, ou ponte para chegar mais fácil ao governo do estado. Se os tucanos não tem orgulho , ele tem e muita honra de ser prefeito da capital, exercendo o mandato até o final.

    http://www.jornalcidadedesantos.com.br/

  9. Enguaguassu

    Caro Cristiano,parabéns pelo blog, de volta a Santos andei pesquisando o seu é o mais concorrido.
    Fico contente em encontrar um militante das “Diretas Já”.
    Lamento a perda do Lara.

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