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Blog do Raul

As leituras de um abraço solidário …

Faz quatro anos que perdi meu pai. Faz sete meses que perdi minha mãe. E estava relendo os jornais da semana, com a repercussão da perda de Ruth Cardoso, atento aos comentários sobre o conforto dos amigos e adversários de FHC no momento da sua dor. A tristeza dessa experiência é comum para ele, para mim e para todos quantos perdemos um ente querido, despudoradamente amado. Por isso acredito que os abraços apertados, na maioria das vezes sem palavras que possam superar esses gestos, revelam o desejo de força maior na hora da dor. Óbvio o abraço de José Serra. E o de Lula ? Óbvio também, como registrou Eliane Cantanhêde, na Folha de ontem, porque conseguiu mexer "com corações endurecidos e partidarismos inflexíveis no PT e no PSDB".

Não é possível, como bem escreveu Eliane, projetar o futuro nesse gesto solidário. Mas faço questão de registrar trechos do seu texto, que subscreveria convicto, se sugeridos para refletir num minuto de trégua:

"Um abraço de velhos companheiros… … Aliados nos tempos do inimigo comum, a ditadura militar, FHC e Lula e seus respectivos grupos e partidos se distanciaram basicamente por diferenças de táticas políticas e de estratégia, aprofundadas ao longo do tempo pela disputa de poder… … FHC e Lula são o que há de melhor na política brasileira, pela capacidade intelectual de um, a perspicácia do outro, a liderança e a excepcionalidade de ambos. FHC fincou as bases em praticamente todas as áreas para um país muito melhor do que encontrara oito anos antes. Lula pegou o bonde e acelerou…"

"Os avanços na economia e na gestão, porém, não refletiram em melhorias na prática política nem no refluxo nos escândalos. Os dois, entrincheirados em seus partidos e reféns de suas alianças, conviveram com erros bem parecidos. Mas é justamente por esses erros que se matam uns aos outros. O sujo falando do mal lavado. A diferença é que Lula e os petistas foram implacáveis contra FHC e os tucanos no poder, mas não suportam provar do próprio veneno. Virou uma guerra…"

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6 comentários em “As leituras de um abraço solidário …”

  1. Caro Raul,

    Bem sei como é a partida de quem a gente ama e nos amou ( e ama lá do Mundo Espiritual…). A minha querida mãe partiu há cinco anos, mas muitas vezes parece que foi ontem, posto que o Tempo não é como nos acostumamos a crer. Concordo com vc. e a jornalista Eliane Cantanhêde. PSDB e PT têm projetos muito semelhantes, mas aliados igualmente estranhos. E essas amarras eleitorais acabam atravancando muitos projetos sociais, trabalhistas, educacionais em razão de conflitos ideológicos e de perspectivas, o que provocam ainda atraso nos mecanismos que sustentam todos os projetos. Infelizmente houve um afastamento destes partidos das suas bases que são na verdade a força propulsora da Democracia. Urge voltar as bases e ouvi-las, sempre. Abs.

  2. Raul Cristhiano.
    Análise perfeita da Eliane Castanhêde, e a tua manifestação endossando e ampliando os conteúdos do justo e sábio comentário.
    Fernando Henrique no programa de TV, “Roda Viva” em 2007 fez o “mea culpa”, por ter se juntado, ao então, PFL (partido eminentemente capitalista “liberal”), e não ter procurado
    uma aliança com o PT, assim como, criticou Lula por ter agido da mesma forma ao seu unir ao PL e não caminhar para a difícil união com o PSDB. Ambos estadistas, se encolheram nos nichos estreitos partidários, fechando as mentes as ideologias recíprocas dos anos 80, tempos em que nasceram essas correntes da mesma raiz e origem…O MDB do Dr. Ulysses (Esperanças e Mudanças),Mario Covas, Montoro entre outros agentes do progresso social da Nação.
    PSDB e PT, ainda são reféns dessas péssimas contradições nas ações políticas que fazem a festa dos “nossos coronéis, sem fardas” desse capitalismo feroz e cruel que nos assola desde o mercantilismo imperial… do “Descobrimento do Brasil”( em 2000, Eliane Castanêde escreveu um artigo formidável, com o título *Descobriram o quê, cara pálidas?*, do ponto de vista por auto delegação das Nações Indígenas brasileiras)
    Abraços dominicais
    Ivan Alvim

  3. Pois é Raul, a morte de um ente querido, jamais será esquecido.
    A presença da morte,aproxima as pessoas, pois diante dela é que alguns que pensam ser intocáveis, caem na real que não adianta o poder nem as fortunas, nessa hora prevalece a humildade.
    Com relação que o PT e o PSDB venham a ser aliados, jamais, acho que é carta fora do baralho.
    Esses dois partidos sempre estarão aos extremos. Isto é um em cada ponta, um em cada lado, mais jamais unidos!
    Abs.

  4. JORGE GONÇALVES

    Prezado Raul,

    Sinto um pouco de desconforto com alguns comentários. Sobre o lado pessoal, nenhum reparo ao comportamento do Lula, ao mostrar-se solidário ao FHC naquele momento de dor. Sobre a proximidade com o PT, estranho essa necessidade de muitos do nosso partido terem de tratar aquele partido como um irmão que se desgarrou do bom caminho. Ele seria naturalmente bom, mas as más companhias acabaram por afastá-lo. Não muito diferente do que se fala de FHC e suas alianças.

    Acho, entretanto, que os meios qualificam os fins e entendo que o PT é hoje o que há de mais atrasado – dentre os partidos relevantes – no país. Todo o esforço feito – e você participou disso – no sentido de dotar o governo, e o Estado, de critérios que priviligem o interesse público, e não o do governo, na gestão da coisa pública, foi por água a baixo. São evidentes, e o dossie é a maior prova disso, o uso da máquina pública em benefício do governo, de seus governantes e do PT. O caso Varig, ainda não esclarecido, é mais uma evidência disso. O estrangulamento das agências reguladoras, a tentativa de criação de mais estatais, são todas iniciativas no sentido inverso de tudo o que fizemos no governo federal. Por último os programas sociais, tão caro a você e a todos que participaram da sua formulação, hoje não passa de um esmolário … perpetuando a pobreza, e não resgatando a dignidade das pessoas.

    Se isso é proximidade do PT com o PSDB, desculpe-me, não entendi nada. Vamos deixar de conversa mole. Qualquer iniciativa de aproximação do PT teria que ser precedida de uma mudança no DNA daquela agremiação, que vem atentando continuamente contra a nossa democracia – duramente conquistada, também com o auxílio deles. Uma mudança na sua prática, e não no seu discurso – que em muito se assemelha ao nosso.

    Enquanto estamos perdendo tempo tentando identificar nossa poximidade com o PT, eles se encarregam de nos distanciar cada dia mais um pouco.

    Não vamos perder tempo. Essa estória de irmão desgarrado é uma bobagem. Caim e Abel e os fundadores de Roma são exemplos de como os irmãos podem ser traiçoeiros.

    Abraços

  5. Alguém que já passou por momentos de dor, como está acontecendo com Fernando Henrique, sente-se sensibilizado com qualquer demonstração de afeto. É como se retornássemos ao nosso momento de dor.
    O que mais me comoveu, mas não surpreendeu, foi a solidariedade de José Serra, um verdadeiro e grande amigo. Entretanto, quando uma pessoa fria, inabalável e inatingível manifesta algum sinal de emoção (não vale choro de campanha política), realmente surpreende, afinal, os brutos também amam.
    Eu não entendo porque tanta evidência ao abraço do pre$idente. Eu prefiro enaltecer a grandeza de Fernando Henrique em aceitar o abraço. É evidente que Fernando Henrique jamais hostilizou o atual presidente, este é que nunca o respeitou.
    Absurdo imperdoável é transformar um momento de dor em palanque, afinal seu “singelo” abraço rendeu mais homenagens do que a vida e a morte de Ruth Cardoso. Até no momento de dor de Fernando Henrique, Lula roubou a cena.

  6. Nada de misturar joio com trigo.
    Na verdade, o PSDB precisa se livrar do trigo contaminado.
    Do outro lado, tem muito pouco trigo perdido no meio do joio.

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