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Blog do Raul

Não quero que você morra!

O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, perdeu o controle durante uma visita a área onde o desabamento de um barranco matou uma mulher e duas crianças, na Comunidade Santa Marta no seu município. No local da tragédia, quando uma moradora disse ao prefeito que continuaria morando no local, por falta de condições de pagar aluguel em outro lugar, Amazonino perdeu o controle e disparou: __ se vai continuar aqui, então morra minha filha, morra!

Uma emissora de TV gravou a visita e a fala do prefeito, espalhando a notícia, com as imagens e a sua fala infeliz em todo o mundo, graças à internet que hoje tem um poder de comunicação quase incontrolável. Esse acontecimento mostra um lado do governante, que embora sofra todo o tipo de pressão para realizar as suas promessas de campanha e atender prontamente ao que é preciso fazer, não pode perder o controle e, por conseqüência, a calma, o equilíbrio.

O passivo do desgoverno é imenso e ainda há muito a fazer em termos de obras de infraestrutura e atendimento às necessidades básicas da população. As últimas intempéries vêm alertando o Brasil para as populações carentes que, embora atendidas por programas de compensação financeira – Bolsa Família, por exemplo, ainda necessitam de uma atenção maior e custosa para os cofres públicos: a urbanização e a construção de casas e apartamentos em áreas seguras e dignas, compatíveis com o subsídio público e a renda das pessoas.

Ninguém mora mal pela própria escolha. Na realidade, as dificuldades sócio-econômicas expulsaram muitas famílias de bairros organizados para as ocupações de áreas irregulares, por causa da preservação dos mananciais e do risco que oferecem à própria vida. Se não houver uma decisão política, no sentido de planejar as soluções, com um cronograma de ações para atender paulatinamente às famílias carentes, com toda certeza testemunharemos mortes em todos os lugares do Brasil.

As chuvas estão presentes e as previsões indicam que serão ainda mais fortes no mês de março. O administrador público precisa se antecipar, criar alternativas e apoiar àquelas iniciativas que já se apresentam como solucionadoras de médio prazo. Por isso é que faço sempre questão de citar o Programa de Recuperação Socioambiental da Serra do Mar, que está em plena execução em Cubatão, realocando famílias dos bairros Cota e da Água Fria para novas moradias no município e na região da Baixada Santista.

Em hipótese nenhuma o governante deve agir por impulso pessoal, além da disposição de fazer, realizar. Governar prevê pessoas sensíveis, preparadas e decididas; capazes de responder às necessidades expostas de maneira que os potenciais beneficiários se sintam seguros, com as informações sobre a sua própria integridade física, e conscientes de que o poder público não pode tudo, mas deve fazer o máximo que lhe cabe pela lei e pela compreensão da vida em comunidade.

Felizmente, em Cubatão, a união de esforços dos governantes reforça a minha impressão de que ninguém quer ver povo morrendo! Nem por um jogo de palavras ou violenta emoção ousaria sugerir a morte de um cidadão, sem me auto-responsabilizar pela ausência de senso público ou em razão de uma imperdoável omissão!

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10 comentários em “Não quero que você morra!”

  1. Amigo Raul,
    Assisti a reportagem e espantou-me a reação de Amazonino.Pessoas públicas e pessoas que atendem ao público são – ou deveriam ser – pessoas com preparo especial para enfrentar toda a sorte de situações. Creio que a ação, no caso dos governantes, deve ser sempre de prevenção às situações ruins.Como o exemplo da Serra do Mar que você cita.
    Mas, sinceramente, quais são as condições adversas regionais que governantes e população enfrentam no Amazonas? Esse questionamento não justifica, de modo algum, a reação de Amazonino. Mas, até certo ponto, explica. Sob sua responsabilidade aqueles moradores de área de risco, e ele, diante da cena onde o pior havia acontecido, baixou a guarda e fez, numa explosão, o que jamais poderia ter feito.
    Governar é uma tarefa árdua, e muitas vezes inglória, para os homens que tem todas as boas intenções, projetos e ideais.
    Eu temo julgar realidades que desconheço “in loco”.
    Vejo o que acontece com os Governadores e Prefeitos de São Paulo, afogados na sua imensidão de problemas. Que não se solucionam nunca, pois atrás de uma coisa resolvida já está se instalando outra a resolver!
    A impressão que tenho é a de que, aqui, será uma luta perene! Quando se aproxima da conclusão de uma remoção de área de risco, recolocando as pessoas em lugar seguro, percebe-se que muitos continuam chegando e se instalando em outros locais.
    Constiui-se uma família com um filho em cerca de 9 ou 10 meses! Cada uma! Em quanto tempo constrói-se um Conjunto Habitacional?
    São Paulo de meus avós era uma baixada, na verdade um imenso “charco”! As pessoas não param de migrar. As famílias aumentam. E se um Secretário ou Governante tiver um rompante de aflição diante de uma situação que não terá ponto final jamais? Vulgarmente falando, como um cachorro correndo atrás do próprio rabo?
    Posso estar sendo ingênua, ou simplista, mas creio que, no caso de São Paulo, a prevenção não basta, pois o aumento de habitantes é desenfreado!
    Creio que o problema deve se iniciar com a conscientização das pessoas, estejam em área de risco ou não, a respeito do planejamento familiar, orientação, esclarecimento do risco, se houver. Isso seria uma Missão muito positiva e preventiva a ser cumprida pela Defesa Civil e Voluntariado, caso o Projeto de Serra pudesse ser implantado.
    Paralela e simultâneamente, uma ação radical do Governo deveria cuidar de cercar, restringir, murar e manter Guarda em todas as regiões de vazão e mananciais. Ou as pessoas ficarão pululando de um lado a outro sempre em insegurança.
    Projeto ousado, grande. Factível? Não sei!
    Mas há que se começar por algum ponto concreto com garantia de resultado.
    Por mera curiosidade, gostaria de citar situações que o papel de mãe nos fazem enfrentar muitas e muitas vezes : Ao ver um filho “aprontando” uma molecagem de risco, ou tomar conhecimento dela, quando a mãe vê que o filho está bem, ao mesmo tempo que agradece a Deus, muitas vezes não consegue controlar o ímpeto de umas palmadas, pelo que NÃO aconteceu ao filho e poderia ter acontecido!
    São mães, agindo como Amazoninos….quando se deparam com a impotência de impedir um fato já ocorrido!
    Já agi assim.Errei…Amazonino errou. E errou feio! Mas é humano, e homem público. Um superou o outro!O humano dveria ter sido subjugado pelo homem público!
    Desculpe este alongamento de comentário. Considere como uma conversa e sinta-se à vontade de não publicar!
    Sinceramente, você sabe que isso não me incomoda.
    E sabe também que opino porque conheço certas realidades de líderes comunitários que instigam esses pobres de informação a ocupar áreas que não devem, visando auferir algum lucro posterior. Mesmo que isso custe vidas, para muitos que vivem dessa espécie de negócio escuso, as vidas alheias não contam!
    E desculpe a franqueza afiada demais para um Gentleman de ideais mais sublimes que eu conheço, como você!

    Abraços querido amigo!

  2. Em tempo Raul… A moradora, e por certo outros tantos, seriam Paraenses. Conhecemos a tragédia do Estado do Pará e o total desgoverno praticado nas últimas gestões. Conhecidos que tenho de lá já citaram que no Pará, diante de total abandono, tem vivido um êxodo como nunca visto. Talvez a afirmação de Amazonino tenha sido a gota dágua! Afinal, eleito como Prefeito de Manaus, tem como “herança maldita”(está na moda, não?) solucionar o problema da total ineficiência do estado vizinho.
    Ele se candidatou a Prefeito de Manaus, e não socorrista do vizinho incompetente.
    Estado do Pará o qual, na minha opinião, se o Brasil tivesse uma atuação séria nesse sentido, já estaria sob intervenção ha muito tempo!

    Abraços!

  3. Eu fico pensando, professor… não é difícil para um político tarimbado, tomar o devido cuidado com as palavras. Não pode ser difícil.

    E nós, eleitores, acabamos por errar tanto na cabine de votação, que pessoas de bem comumente ficam de fora. E eleitos vão os piores.

    Tem hora que esse nossa luta parece árida, como uma pregação no deserto.

  4. Realmente vc tem razão, as coisas devem ser ser prevenidas antes de acontecer passam anos e continua sempre na mesma,infelizmente os votos vão para as pessoas erradas e a maioria do povo vota em candidatos aqueles q fazem medias com todo mundo. Abs

  5. Excelente artigo Raul, como sempre você focou um problema brasileiro muito sério.
    O que mais me preocupa é ver o descaso das autoridades com relação a esse problema do clima.
    Enquanto o problema não for enfrentado de frente, a começar por atitudes coerentes do Governo Federal, vamos ter que lamentar a perda de muitas vidas durante os verões.
    @BobWebBB

  6. Realmente o Amazonino foi muito burro,ele devia fazer como fazem todos,usado aquela velha maneira de enganar o povo com discursos inflamados,ser demagógico prometendo o que não vai cumprir,em São Paulo a favela Pantanal depois de um Ano continua na mesma,devia falar que vai construir mil casas populares,e no fim dizer que queria a ajuda do povo para resolver os ploblemas.

  7. Solange Freitas

    Oi, Raul. Muito bom seu artigo, mas gostaria de falar sobre o Programa da Serra do Mar. Acho o programa excelente, mas algumas famílias precisam sair de lá “ontem”. Sei que muitas não quiseram ir para conjuntos habitacionais em outras cidades, mas para elas também seria muito difícil, já que essas pessoas trabalham e estudam em Cubatão e preferiram esperar as novas moradias na cidade. E o auxílio-aluguel também é uma ótima ajuda, mas com tanta procura (por causa das empresas que buscam moradias para os trabalhadores) Cubatão agora tem imóveis para alugar por mais de R$ 500,00, R$ 700,00. Quando a gente alerta para esses problemas, é para ajudar, não para criticar o Poder Público. A prefeitura, por exemplo, também tem de tomar alguma providência. E acho que agora, vai tomar, já que não para de chover. Enfim, estamos aqui para ajudar também, e acredito que alertar para o problema também é uma maneira de ajudar. Um abraço

  8. Na pratica todos são iguais, prometem e não cumprem. Onde estão os projetos: Vila Pantanal no Saboó e Vila Alemoa no Chico de Paula.

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