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Blog do Raul

Preparar e qualificar para tanto petróleo.

Volto ao assunto da última descoberta da Petrobrás, na Bacia de Santos, porque ainda pairam muitas dúvidas sobre o que está reservado para o futuro do Brasil com os seus dividendos. Vivo numa região ansiosa, justamente porque essas notícias, aliadas às movimentações concretas da Petrobrás, sinalizam com um salto estratosférico no seu desenvolvimento econômico, desde as implantações do Porto de Santos e do Pólo Industrial de Cubatão. E a pergunta que não cala é a seguinte: quando isso será transformado em realidade?

A imprensa vem dando muita ênfase à força econômica dos municípios cariocas que recebem royalties do petróleo. Mas essa pujança não exclui a abundância de problemas na sua infra-estrutura regional e a exclusão social. Os dividendos do petróleo são inclusivos para uns, mais preparados e qualificados para atuar nesse novo mercado.

Na Baixada Santista há um boom imobiliário para a classe média. Basta circular pelos bairros de Santos e Praia Grande, por exemplo, para denotar a quantidade de novos empreendimentos de luxo e alto luxo. A resposta é que haverá muitos executivos bem sucedidos ocupando esses apartamentos, por conta antecipada das atividades petrolíferas e da exploração do gás. O medo de muitos conterrâneos é que a região sofra uma invasão de imigrantes como se uma nova Serra Pelada estivesse com ouro à mostra.

Retornei ao assunto para refletir sobre a necessidade de uma provocação aos dirigentes governamentais locais, com o respaldo do Estado e da União, para que despertem logo para o planejamento estratégico. A infra-estrutura regional não oferece as condições compatíveis para um salto populacional. São importantes as carências em diversos setores, como a saúde, transportes públicos e a qualificação profissional, por exemplo.

Todos sabemos que não jorrou uma gota dessas descobertas nos reservatórios da Petrobrás. Mas as possibilidades disso acontecer logo ainda dependerá de uma grande atenção para o cumprimento de exigências em termos de tecnologias, investimentos e logística de processamento, dada a distância da costa e das características desse lençol petrolífero em águas profundas, na camada de pré-sal da plataforma oceânica do país. É sabido, ainda, que há uma contradição à vista: o petróleo estará cada vez mais visado e controlado por causa dos seus efeitos de emissão de gases de efeito estufa. Portanto, essa exploração haverá de se orientar em políticas de sustentabilidade que a Petrobrás tem cacife para banca-las, felizmente.

Acho que a exploração do petróleo e as suas consequências configuram questões de Estado. Questões que estão postas e que, mesmo sem definições claras de quando resultarão em realidade, exigem preparo antecipado. As perspectivas de retomada do desenvolvimento e da recolocação da Baixada Santista, novamente como ponto estratégico para o país, não permitem governantes sem visão do futuro. As escolhas nas eleições municipais de 2008, de prefeitos e vereadores, precisam ser consideradas sob a ótica dos mais capazes de antecipar o futuro e não esperar para ver o que acontece.

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6 comentários em “Preparar e qualificar para tanto petróleo.”

  1. Julio Penin

    Raul,
    O momento é extremamente adequado ao desenvolvimento de tal discussão, visto um dos itens da coligação com o PMDB/Papa, ser um Programa de Governo. Assim, vamos analisar com mais profundidade e detalhes esse assunto.
    Valeu!!!
    Saudações tucanas
    Julio Penin

  2. Raul,acho importante que se discuta a nivel de região metropolitana um planejamento estratégico por conta das atividades da Petrobras em nossa região.Mas isto são “males” do crecimento que bom se os problemas econômicos parassem por aí e o governo não aumentassem a a taxa de juros em 0,5 por cento.

  3. …Caro Raul,

    Ateóagora todo este anúncio das descobertas petrolíferas na Bacia de Santos ( Bacia esta que vem de longe e vai longe, onde muitas vezes o ouro negro só irá ajudar outras regiões…), só está provocando o que vc. disse acima: especulação imobiliária, com inúmeras construções novas, visando principalmente quem tem poder aquisitivo mais alto ( como se vivéssemos em um país rico…) e também aumentando e muito o valor de imóveis usados, um absurdo! Sem contar que não há estrutura, por exemplo, para a capitação da rede de esgoto dos novos edifícios, o que irá provocar em dias de chuvas, muitas fezes e urina escoando pelo meio fio a fora…É necessário investir em infra estrutura, como água e saneamento básico, saúde, educação, transporte coletivo, etc., como bem vc. falou. Enquanto isso, vivemos a ilusão de um progresso que ninguém pode afirmar se realmente virá. É isso! Abs.

  4. Carlão.Biomédico

    Prezado Raul,

    Concordo em numero, genero e Grau…com o nosso fraterno amigo Julio Penin…

    Abraços.

    Carlão

  5. Raul,como eu dizendo, o Banco Central aumentou os juros atitude que pode diminuir o ritimo do crecimento economico e a Petrobras poderá nivestir nemos na região.
    Aliás poderá por um freio no crecimento de toda a economia.Os juros nas alturas engordará em bilhões este imenso “cartão coorporativo” das 2000 afortunadas famílias rentistas,dinheiro este que faltaram aos trabalhadores e as famílias dos mais pobres .Mas os pobres que se explodam diriam os mais toscos.
    Agora o nosso amigo Penin ,com suas idéias maoistas de sua juventude,se ficar indignado,não poderá contar, neste caso, em sua passeata com o lider de seu partido Arthur Virgílio nem com o aliado senador Agripino Maia(DEM-RN)que acharam o aumento da Selic arcertadíssimo.Abraço

  6. Enguaguassu

    Caro Cristiano,não pode repetir em nossa região o que aconteceu no Rio de Janeiro, onde os royalties pagos pela Petrobrás produziu um desenvolvimento desigual.

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