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Blog do Raul

O professor, o sindicalista e o engenheiro …

A semana foi encerrada com três mortes inesperadas, de personalidades que conviviam no mesmo campo de lutas em São Paulo: o professor Élcio Antônio Selmi, responsável pela Coordenadoria de Ensino do Interior da Secretaria e Estado da Educação durante seis anos, quinta (4); o sindicalista Antônio Flores, dirigente histórico do Sindicato dos Metalúrgicos, quinta (4); e o engenheiro Antonio Arnaldo de Queiroz e Silva, secretário municipal nas gestões de Mário Covas e José Serra na Prefeitura de São Paulo, sexta (5). Convivi com os três e não hesito afirmar que eles figuram entre aquelas pessoas que, pelas suas inúmeras realizações para o bem comum, jamais serão apagadas de nossas memórias. Vai-se a vida, sem despedida …

Testemunhei o trabalho intenso do professor Élcio Selmi pelo Interior de São Paulo. A par da sua grande capacidade de articulação e gestão educacional, construindo pontes para a melhoria da qualidade da Educação em todo o Estado, o professor Élcio foi incansável na sua luta para garantir matrícula e permanência de toda criança na escola, desde a criação do FUNDEF – Fundo de Desenvolvimento da Educação e Valorização do Magistério. Durante o governo Geraldo Alckmin, numa das suas cruzadas para combater a evasão escolar, ele desabafou: "A pior notícia para nós [da coordenadoria] é saber do aumento da taxa de abandono, porque isso significa que perdemos um aluno".

O professor Élcio Selmi trabalhava, ultimamente, no gabinete do vereador José Police Neto (Netinho), na Câmara Municipal de São Paulo.

Antônio Flores foi um batalhador pela organização dos trabalhadores e pela unidade do movimento sindical. Fundador do PSDB e entusiasta da organização do secretariado trabalhista e sindical do partido, Flores morreu defendendo a importância da inserção do partido da social democracia brasileira nos movimentos operários e sociais. Compartilhei das suas angústias em muitos momentos, porque essa tarefa não é das mais simples.

A história de Antônio Flores foi marcada pela sua presença na direção do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, desde os anos 80. Mas, bem antes, pelos seus ideais, sofreu perseguição política na época da ditadura militar, tendo sido preso e torturado. Também foi militante do PCB – Partido Comunista Brasileiro, desempenhando um importante papel no restabelecimento das liberdades democráticas no país.

E o engenheiro Antônio Arnaldo ? Imagino que ele desejou morrer assim, orientando, discutindo, definindo cronogramas e prazos de obras e serviços. Formado na mesma escola de Mário Covas (Escola Politécnica de Engenharia da USP), Antonio Arnaldo tem uma vasta folha de serviços prestados nas áreas públicas e privadas. Relembro dos tempos em que ele foi Secretário Municipal de Vias Públicas, na gestão do seu colega Covas na Prefeitura da Capital; bem como do seu trabalho na secretaria Estadual de Abastecimento, no governo Quércia, que deixou para ajudar a fundar o PSDB.

Nos últimos tempos foi Secretário de Infra-Estrutura Urbana e Obras, com José Serra prefeito, e agora atuava como assessor especial do prefeito Gilberto Kassab, sendo um dos principais coordenadores da execução do Programa Córrego Limpo, em parceria com o Governo do Estado e a Sabesp. Não havia tema relacionado às vias públicas, drenagem, despoluição de córregos, pavimentação e edificações, sem a contribuição do engenheiro Antônio Arnaldo. Houve um momento, na discussão do Programa Córrego Limpo que o engenheiro queria dar seus pitacos inclusive na área de comunicação. Segui muitas de suas dicas para dar à comunicação a exata compreensão da realidade paulistana !

Saudades, companheiros …

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6 comentários em “O professor, o sindicalista e o engenheiro …”

  1. Raul, lembro do Flores da então Oposição Sindical Metarlugica de S Paulo, Capital no final da década de setenta.Meus sentimentos a todos companheiros desta etapa da vida.

  2. Amigo Raul.
    Um abração dominical.
    Caramba, não saberia, se não fosse por seu blog do passamento do Flores, grande amigo dos tempos mais amargos.
    Uma passagem desse intrépido, valente lutador da causa socialista científica no Partidão, e que posso contar:
    Em uma das prisões do De Lellis, no DOPS, esse também, saudoso companheiro de lutas, então Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos
    quando, os resultados pretendidos pela real militância eram ideológicos políticos e não de resultados fianceiros, pretensamente de aumentos salariais (fascistas na real), o Flores, vendado, era torturado pelo Delegado
    Fleury para denunciar os passos comunistas do Afonso De Lellis em Saõ Paulo, Flores, com o estoicismo dos imprescindíveis nenhuma pista
    forneceu aos capitalistas hidrófobos da feroz ideologia e prática direitista, nessa tortura
    que De Lellis assistia. Isso, me foi narrado pelo próprio líder comunista, de quem fui com muita honara confidente e quase biógrafo. Não deu tempo, pois logo, o De Lellis se foi.
    Isso mostra a lealdade e a coragem do Flores.
    Outra passagem interessante em que participei com flores, foi quando ele era Vice Presidente
    do Sindicato, o Presidente era o Medeiros. A Escola Superior de Guerra convidou em pleno governo Montoro, ao Presidente para fazer uma palestra aos militares e aos simpatizantes da ADESG. Luis Antonio Medeiros viajou, sob o pretexto de participar de uma reunião da OIT na Itália e encarregou o Antonio flores de o representar sobre o tema desenvolvimento. De Lellis me procurou e me intimou a escrever o discurso do Flores, na ALESP (lembra-se?). Juntei, os velhos comunistas da época em que o PCB agiu de fato e pra valer…De Lellis, Tenorinho, Lazinho (de Itanhaem) e outro que
    me fogem à lembrança. Ouvi-os e anotei todas
    as ponderações Históricas e escolhemos então
    o tema PETROBRAS, para a a palestra.
    Basicamente o discurso do Flores foi montado
    na consideração de que quando os Intelectuais
    mais os Trabalhadores e os Militares uniram-
    -se pela criação da Estatal surge a PETROBRAS
    como força maior do empresarial Brasil.
    Em suma, o filho do Gal. Lott que presidia a ESG., e todo o público que ouviu ao Flores, se emocionou muito e ele foi aplaudido de pé, durante o encerramento da palestra.
    Puxa, preccisa um grande amigo morrer pra eu ter essa oportunidade de contar meu orgulho por ter colaborado com esse fato Histórico!!!
    Desculpe-me, pelo laivo do ego vaidoso, mas
    fica demonstrado como seu blog, é hoje em dia com o jornalismo no estado atual (prefiro nem comentar os porquês) é verdadeiro e veículo de idéias e fatos, tão poderoso.
    Que o amigo Flores esteja na paz da luz, que em vida fez por merecer.
    Ivan Alvim

  3. Raul
    Parabens ao Ivan Alvim por nos brindar com uma história de vida do Flores e do De Lellis. Meus sentimentos aos familiares e amigos do Flores. Fatos como os relatados pelo Alvin, colocam o Flores e o De Lellis na galeria dos companheiros que fizeram a história recente deste país.

  4. fausto ivan

    Não conheci Selmi nem Antunes que v. Raul descreve bem, mas conheci e muito bem nosso amigo e companheiro Flores, ainda no PMDB em reuniões nacionalistas promovidas por nosso amigo Dr. Almino Affonso.Fico com a sensação que foi para o outro plano um pouco frustrado por não ter conseguido entrelaçar o sindicalismo com nosso partido como gostaria, sei que tinha grandes objetivos nessa linha.Chateia também que um fato como esse não tenha sido comunicado pelo Partido. Em tempos de comunicação real time é imperdoavel. Amigo Flores, que Deus o tenha e continue protegendo sua família.

  5. MISSA POR ANTÔNIO FLORES

    Sexta-feira, dia 12 de dezembro, as 19h00, na Igreja da Sagrada Família (rua João Cordeiro, 772 – Vila Carrão – Capital).

  6. Madalena Fernandes Maia (A_Art LM19 M2)CR

    Quando aconteceu essa triste história? Ppois; estou fazendo um trabalho sobre a E.E Profº Elcio Antonio Selmi. Não encontro informações mais confiávei na internet; sómente aqui no seu Blog que encontrei a história.
    Agradeço se enviar mais inforrmações sobre o profº Elcio e também sobre a escola!
    desde já; grata!
    att.
    Madalena F. Maia

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