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Blog do Raul

Pobre Brasil sem dívida externa…

Ficou no ar o feito do Brasil deixar de ser devedor, pela primeira vez na história, e se tornar credor externo. O anúncio do Banco Central, nesta semana, não sensibiliza a maioria do povo porque a compreensão se limita a uma operação contábil, explicada pelas aplicações do país no exterior, mais que suficientes para pagar os compromissos externos assumidos por empresas e por governos. A meu ver, esse é o retrato desconfortável de um governo que tenta conciliar os vigorosos números do superávit primário, também responsáveis pela "dívida zero", com o ufanista e desavergonhado discurso sobre os passos de cágado da sua política de crescimento.

Perdoem-me os admiradores do governo Lula, que não reconhecem a verdadeira origem do Plano Real e as turbulências internacionais superadas graças aos governos fortes de FHC, mas a notícia da "dívida zero" soa nova movimentação do marketing lulopetista. Por isso enfatizo a síntese da análise dos principais economistas e comentaristas econômicos brasileiros, que apesar do fato de o país ter se tornado credor não significa a completa eliminação da vulnerabilidade externa. Considere-se que a dívida externa líquida do país foi reduzida em US$ 165,2 bilhões, mas o passivo externo líquido foi aumentado de US$ 297 bilhões para US$ 472 bilhões entre 2004 e junho de 2007.

Mas sob essa ótica, realmente há o que cacarejar, porque são números importantes sobre os investimentos estrangeiros no Brasil e brasileiros no exterior. Reforça ainda a capacidade brasileira de resistir às crises externas, como a turbulência recente envolvendo a economia americana. E, apesar da acumulação de reservas servir para aumentar a dívida interna, os cenários econômicos sopram ventos favoráveis para diminuir o risco do país e podem estimular a redução das taxas de juros.

Esse discurso é parecido com as falas do ministro Guido Mantega (fazenda) e deve encontrar resistência de quem entende mais de economia, como o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros, que considerou um presente o ajuste das contas externas, em artigo recente no jornal Folha de São Paulo. Para Mendonça de Barros, esse fato "pode ser comparado ao primeiro estágio de um foguete que pode nos levar ao desenvolvimento. Mas esse primeiro estágio é apenas condição necessária, não suficiente, para que o Brasil consolide um novo patamar de desenvolvimento. Os próximos estágios não cairão do céu. O país precisa construí-los com firme ação do setor privado e do Estado, demandando investimentos colossais em educação, saúde e infra-estrutura".

Qual será a resposta concreta do governo Lula na aceleração do crescimento para valer? Em 2008, ainda não houve um mínimo sinal de reação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), porque até agora o Congresso Nacional não aprovou o Orçamento Geral da União, impedindo o governo Lula de iniciar legalmente os novos investimentos que ele não cansa de propagar. Nos primeiros 45 dias do ano, apenas R$ 600 mil foram empenhados para as ações do PAC. Isso é uma contrapropaganda mortal para o "sucesso" do lulopetismo em relação às políticas desenvolvimentistas.

Pagamos o dobro da dívida para ficar sem dívida, na medida em que renunciamos involuntariamente aos investimentos públicos em infra-estrutura e educação. Nossa contribuição para essa conquista do governo Lula está na falta de reação à sua prática de superávit primário, que é um grande mal para uma economia que convive com taxas de desemprego da ordem de 11,4%. É um mal porque o setor público destrói recursos que poderiam ser aplicados em investimentos produtivos, gerando empregos e renda.

A revista Veja, deste final de semana, estampa matéria com o título "Lula surfa na supereconomia". Quem diria!? O fantasma da dívida externa é expulso pela porta da frente, sem calote, contra tudo o quê ele disse no passado, quando optava pelos direitos e pela quitação da imensa dívida social, mas sempre contra o pagamento da dívida externa.

Imagina se a precipitação dos resultados da estabilidade na economia brasileira tivesse ocorrido no próprio governo FHC e a dívida fosse quitada naquele período, entre 1994 e 2002… Faixas de "fora FHC" retomariam as ruas, numa contradição à felicidade de Lula com os banqueiros nacionais e internacionais, hoje em dia.

Enfim, a dívida que parecia eterna, está em suspenso. O Brasil quer ações internas, que o governo Lula não consegue sucesso. É muito cedo para comemorar, não?

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8 comentários em “Pobre Brasil sem dívida externa…”

  1. …Caro Raul,

    Todos os governos adoram alardear sucessos, como esse agora da dívida externa. Dívida esta que começou lá na Independência, em 1822, quando a Inglaterra virou credora do Brasil no mto. que reconheceu o laços cortados com Portugal. Ela veio aumentando ano após ano, tendo sido aliviada depois da Segunda Grande Guerra p/ subir novamente nos governos seguintes. Isso não foi diferente nos 8 anos de FFHH, tendo entrado inclusive na negociação do pagamento dos juros da dívida externa a entrega de nossas estatais e o aumento das tarifas públicas, onde as contas de luz, telefone, etc. foram p/ a estratosfera. A taxa de desemprego está 11,4 por cento? Na era FFHH chegou a 20 por cento na grande São Paulo. Mesmo com flexibilização da CLT, surgimento de “cooperativas” de trabalho onde só os donos têm lucros, aumento de empreiteiras, contratos de trabalho temporários, etc., não conseguiram gerar mais empregos, pois os empresários ficaram à vontade p/ explorar o trabalhador e auferir mais lucros. Sabemos todos que é um falácia o discurso que as obrigações trabalhistas oneram a folha de pagamento. O que onera as empresas é a alta carga tributária e isso nenhum governo mexeu até agora. Concordo contigo qdo. diz que é bem mais interessante investir e educação, saúde, habitação, saneamento básico, geraçao de empregos do que quitar a dívida. Este era o discurso de Lula na oposição, infelizmente esquecido quando o PT chegou ao poder. E os banqueiros continuam ganhando tanto agora quanto ganhavam antes. Eles nunca participam do Sacrifício Nacional. Até quando??? Abs.

  2. Até quando o povo vai assistir aos ataques e defesas entre oposição e o Governo Lula.
    Lula e os petistas vivem acusando e criticando o ex. Presidente FHC, mesmo após as eleições de 2006, que o Presidente em seus discursos dizia que se fosse reeleito, não mais criticaria o governo de FHC, até porque os últimos quatro anos fora quem governou o Brasil.
    Passaram se as eleições, Lula reeleito e mesmo afirmando na campanha que não mais criticaria o governo do FHC, é só o que assistimos, críticas e mais críticas, para com isso, tentar criar uma cortina de fumaça em torno desse governo blá blá blá, composto por pessoas na sua maioria, despreparadas e desqualificadas para assumirem alguns Ministérios, Secretarias e cargos de comando nas Estatáis.
    Por outro lado vem a oposição no contra ataque, e isso já esta transbordando o saco do povo, eu pessoalmente não tenho mais saco para assistir cotidianamente essa novela que não parece ter fim. Com o Título: ” Lula x FHC” e , ambos mostrando com isso que tanto o governo e a oposição não tem proposta para o País deixando-me a impressão que ambos são mesmo bons de discursos, e na sua maioria, vazios.

  3. A maioria da população não entende o que quer dizer zerar o déficit da dívida pública. É sem dúvida um momento histórico. Mas o mérito não é de um homem só (leia-se: o sr. presidente). Na verdade o governo deu continuidade à política que vinha sendo adotada e fomos nós que pagamos o preço, arcando com taxas de juros altíssimas, pagando fortunas de impostos e vendo o governo além de não economizar, racionalizar, “cortar na carne” como prometido, ainda vemos os banqueiros enriquecendo.
    E a festa dos cartões corporativos???
    O que o governo deveria fazer agora seria zerar também as dívidas internas, sanear o país, investir em saúde e educação. Mas o desesperador é que o sr presidente fala em endividar-se novamente!
    Seria salutar quitar os títulos precatórios…tanta gente morre sem chegar a recebê-los…
    Bem como, acabar com a festa dos cartões corporativos.
    Na verdade a situação do país é como uma cobra mordendo o próprio rabo: sem educação básica obrigatória e acessível à TODOS não sairemos nunca deste impasse. Afinal, analfabeto funcional não entende notícias, não lê jornal, não vota direito…

  4. Não só os banqueiros são os que lucram no Brasil, também As grandes empresas e seus empresários, que sempre repassam o aumento da carga tributária para o consumidor final, que somos todos nós.
    Algumas pessoas vivem questionando quem fez o que em benefíco do País com relação aos feitos no Governo de Fernando Henrique e do governo atual, só o que não aceito é algumas pessoas acharem que estar livre da dívida externa não foi bom para os brasileiros, o que não é bom é não ter dívida e não aproveitarem para fazer o País crescer até mais que os nossos vizinhos :chile Argentina etc.
    Tá certo que as crises internacioais constantes na época do Fernando Henrique, prejudicaram e bastante o desenvolvimento do País, más também houveram recursos oriundos das privatizações e com isso o País ficou isento do prejuizo que algumas empresas causavam, até por fôrça de indicações de pessoas sem perfíl adequado para administra-las como também acontece nesse governo., onde
    os indicados apoderam-se do poder que possuem para lezar os cofres públicos , recebendo gôrdas propinas por favoresserem algumas empresas a ganhar as concorrências licitatórias na área pública.
    Em emprêsas privadas a maioria desses indicados não passariam pelo crivo para serem contratados, por um simples motivo: para serem admitidos teriam que apresentar atestado de Antecedentes Criminais e com certesa isso seria impossível para alguns.Também nãotenho tanta certeza asssim, pois no Brasil só dá esperto; a maioria só pensa em levar vantagem. Usufluir da Lei do Gerson.
    Cada um de nós deveria fazer um levantamento financeiro pessoal e responder prá cada um de nós. No que melhoramos, o que conquistamos no governo anterior e no atual;
    Possa ser que esteje enganado mas, quem trabalha na área privada, por baixo ficou no O x O.

  5. Prezados senhores,

    causa profunda estranheza o texto de 01/03/08 do Sr. Raul Christiano em a Tribuna. A minha impressão é que ele não falava do Brasil e sim de um país de fantasia, algo como a Tucanolândia! Cometeu várias injustiças a começar dizendo que o Plano Real foi implantado no governo de FHC. Não foi!!!! Foi no governo Itamar Franco!!! Aliás, esse comportamento de apropriação é típico dos tucanos. Eles só não se apropriam do que não deu certo. Queria lembrar ao sr. Raul que na era FHC, de triste memória, a dívida interna foi multiplicada cerca de 12 vezes!!! Que o dinheiro das privatizações, que segundo FHC seria usado para pagar a dívida externa e investir na área social (educação, saúde, saneamento básico e moradia popular) “sumiu” e nada do prometido foi feito, ao contrário, as dívidas interna e externa permaneceram altas, as reservas cambiais eram pífias e a área social ficou a ver navios, como todos sabemos. Dizer que o governo FHC foi forte, é a coisa mais risível que ele podia ter escrito. FHC foi o governo mais fraco da história da república!! Um governante arrogante, nada afeito ao trabalho, um “pavão” que fazia papel ridículo nas viagens internacionais. Deixou-nos um país quebrado em 2002, como bem diz Delfim Netto, endividado com o FMI (40 bilhões de dólares), uma balança comercial inexpressiva, sem obras de infra-estrutura dignas de nota, sem reservas cambiais adequadas para alguns meses, sem um rumo, com milhões de desempregados (criou em oito anos 800 mil empregos, ridículo!), assinou antes de sair um decreto para que um maior percentual da Amazônia fosse derrubado pelos proprietários de terras, acabou com a indústria naval, acabou com a indústria ferroviária, deixou a Petrobrás de lado – queria “doá-la” como fez com a Vale, deixou-nos como herança marcante o apagão elétrico e a total falta de democracia quando em uma greve dos petroleiros mandou o exército cercar os trabalhadores, coisas da ditadura que aprendeu com seus comparsas, os demos.
    Sr. Raul não pense que os leitores santistas são tão ingênuos de cair nesse papo fora de propósito de querer inaltecer o pior governo que o país já teve, a era Tucana. Deus nos livre de algo semelhante!!!

    Roberto Medeiros de Araújo.

  6. Zé Rubens, de que crise você fala?????????
    Crise foi o apagão elétrico do incompetente governo tucano. Crise é o estado de São paulo estar patinando faz 14 anos, sem obras no Metrô para as necessidades da população, cadê o Rodoanel que deveria estar pronto em 2006???? Pagamos os pedágios mais caros do país, contratos terríveis para o povo feitos pelos tucanos!!! Veja quanto vai custar o pedágio da era Lula nas federais!!! Não há comparação, os tucanos são elitistas governam para meia dúzia de leitores da Veja!! Acorde o país melhorou, nós tiramos o país do buraco dos tucanos/demos. Graças a Deus!!!

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