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Blog do Raul

A vez das “Passeatas Virtuais” .

Se não há consenso para encaminhar e aprovar uma Reforma Política no Brasil, por causa da visão superficial e dos interesses próprios de muitos parlamentares no Congresso Nacional, o uso da Internet nas próximas eleições será avassalador. Em todo o mundo as campanhas aumentam seu escopo e atingem públicos que jamais atingiram, principalmente os mais jovens. A troca online de informações ocorre fora do controle dos partidos e dos métodos tradicionais. As redes sociais orkut, facebook, twitter, o youtube, os blogs e sites, não puderam ser utilizadas pelos candidatos em 2008 porque o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não sabia distinguir essas ferramentas dos materiais tradicionais – faixas, banners, camisetas. Foram determinadas regras duras a pretexto de impedir qualquer abuso.

É impossível atrasar mais essa tendência digital. Dados estatísticos e estudos mostram que o número de celulares no Brasil ultrapassa 150 milhões de unidades e que a Internet prospera em quase todos os sentidos: hoje os usuários somam 65 milhões de brasileiros, a televisão será ultrapassada em 2010, como a publicidade na Internet já ultrapassou as TVs por assinatura. Dick Morris, consultor em marketing político, que ajudou a eleger Bill Clinton presidente dos Estados Unidos em 1992, disse que a Internet substituirá a televisão como força dominante na política.

Mas já não é possível achar que a Internet é uma arma política que ainda poucos sabem usar. Faz três anos ouvi uma palestra de FHC, argumentando que era fundamental achar outras maneiras de chegar ao eleitor e citou a Internet como a ferramenta para o sucesso dessa estratégia. Hoje todo mundo está pensando igual, principalmente com a divulgação ampla dos exemplos da eleição de Barack Obama,  na mobilização e organização dos eleitores, e na arrecadação de fundos para a sua campanha.

Fernando Gabeira, no Rio de Janeiro, no ano passado também realizou uma das campanhas mais limpas da história do país. Mesmo sujeito às regras restritivas do TSE ele soube utilizar os recursos da Internet, de forma inteligente e estratégica, mobilizando o carioca no seu direito pleno de se informar, se relacionar, se organizar politicamente, trocar idéias antes de escolher nas urnas. Mas ele teve pela frente um Eduardo Paes articulado, com uso eficiente das mesmas ferramentas virtuais e do ascendente poder político do governador Sérgio Cabral.

A lei eleitoral em vigor prevê que os espaços da mídia na Internet sofram as mesmas regulamentações dos demais espaços midiáticos, mas não regula os espaços dos candidatos na Internet. A liberdade no uso das ferramentas virtuais da Internet também configura um avanço sem precedentes, aproximando da política os milhares de brasileiros que hoje usufruem da tecnologia para a informação, comunicação, entretenimento e definição na disputa pelo poder, quando essa questão é levada em conta. É certo que a questão da exclusão digital emergirá nesses debates preliminares, porque a Internet ainda não é uma mídia de massa.

A utilização crescente dos computadores, inclusive nas regiões mais carentes do Brasil, logo favorecerá a interpretação positiva de que é o meio mais democrático, porque nunca houve uma forma tão rápida, expansiva e com capacidade de conectar tantas pessoas de todo o mundo para uma militância virtual e mais engajada. Esse tema precisa entrar na agenda política do Congresso. A experiência deste blog e de tantos outros espaços virtuais muito mais frequentados que ele mostra que foi na rede e não nas ruas que se organizaram os maiores protestos que se sucederam aos escândalos do mensalão, dos cartões corporativos, das passagens de aviões e por aí vai …

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11 comentários em “A vez das “Passeatas Virtuais” .”

  1. Darkwing Duck

    Isso significa mais um monte de lixo na web. Como se já não tivesse o suficiente.

  2. Amigo Raul Christiano
    Como diria o saudoso (para nós, que venceremos o Santos,
    “one more time”, next Sunday rss, vou levar muita paulada virtual daí rssss) filósofo corinthiano, o Vicente Mateus
    *-Faca de dois legumes*, não se pode subestimar no Brasil de hoje, o uso da grana “oficial” para promover vitórias, como nos “Bigs Brothers” da Globo e das adjacências, dos seguidores dos ideais consumistas das mídias e do povão, fascinado pelo Rei Petista, o neo-caudilho, muito bom de
    “self promotion” junto aos internautas(Duda Mendonça está
    mais ativo do que nunca), LULA I, o pai dos pobres, atual.
    Nas eleições americanas que ungiram Barak Husseim Obama, a internet, lá conseguiu o prodígio de mobilizar jovens à militância inteligente e ao voto voluntário.
    O risco do pré-plebicito, para o terceiro, quarto, quinto mandato, está subindo mais do que os foguetes nucleares da Coréia do Norte.
    Seu blog é um dos poucos (Noblat, Gabriel Pensador, Eliane
    Castanhede, João ubaldo Ribeiro, Arnaldo Jabor) a pensar um Brasil livre, de bons costumes culturais, de respeito ao ambiente e grande potencialmente para crescer no mundo globalizado da Economia.
    Temos que ir devagar com a procissão vistual, pois o povo
    nosso anestesiado e hipnotizado é um santo de barro pelas
    “razões” de mídias da cabocla e eficiente em tecnologia e arte “””””nossa””””” Indústria Cultural.
    Abraços do amigo
    Ivan Alvim

  3. fausto ivan

    Quem sabe essa militância virtual e mais engajada comece a fazer a diferença, de baixo para cima, na atual e desanimada fase da política, ampliada pelo modus operandi do governante de plantão.

  4. Caro amigo,
    Já está na hora do Brasil aprender a utilizar esta ferramenta tão útil e popular que é a Internet. Blogs, comunidades, sites, youtube, orkut, twitter,msn,e-mail, enfim temos um arsenal de recursos dentro de um computador a disposição de todos. As informações estão aí, esperando serem acessadas por quem quer que seja. Mas o nosso governo tradicionalista ainda se recusa a aceitar que evoluímos e que precisamos acompanhar esta evolução tecnológica. Barack Obama foi um exemplo de marketing politico virtual de sucesso. Cantores, atores, e até desconhecidos fizeram camapanha de apoio a ele e a outros candidatos pela internet. Somos referência na urna eletrônica, agora precisamos ser referencia na eleição virtual.
    Abraços!

  5. A internet já e mais que uma televisão vem incorporando tudo, ainda o melhor vem para consertar tudo a favor de todo o destino sem fronteira como se o mundo fosse um só

    Um caminho só de ida

    O maior milagre vai ser o Resumo do Futuro no Projeto Felicidade para todos, tudo será detalhado em 22 capítulos postado na internet para virar lei, e preciso virar matéria escolar
    A distribuição do lucro do mundo dividido por habitante em troca de todos os benefícios incluindo alguns tributos tem o maior projeto educacional embutindo junto

  6. Com certeza irá aumentar e muito os “lixos eletronicos” em nossa(s) caixa(s) de entrada de emails, agora… que seria uma ótima votar nos candidatos nas eleições, através da internet sem ter que se deslocar de nossa residência, cabos eleitorais pelo caminho c/ santinhos, colando adesivos em meu braço, poluição visual de panfletos e santinhos sujando as ruas, pegar filas enormes,… Bancos fazem transações para seus Clientes como pagamentos, transferencias de valores,… atraves de programas seguros pela internet, eu os faço e até hoje nunca tive desvios de valores ou outro tipo de problema algum pelo Santander e CEF, em minhas transações bancarias via internet e olha que por diversas vezes já tentaram entrar no sistema atraves de paginas falsas do banco ou colher os códigos de segurança e nada, é só tomar cuidados básicos que é seguro! Normalmente ouço acontecer varios problemas mas é atraves das transações(compras) com os cartões e não das transações dos bancos pela internet…

  7. “Nenhum partido tem o direito de deixar o Brasil partido ao meio.
    Nosso povo quer o Serra para cuidar do país inteiro.”

    Raul,

    Eu sempre tento me desculpar, mas não tem jeito, eu acabo saindo fora do contexto. Mas eu não resisto em apresentar minha opinião de acordo com o que eu percebo nas minhas conversas com variados grupos, e não faz diferença se o método é moderno e avançado ou não, o que importa é o efeito.
    Sempre que eu tenho oportunidade de manifestar minha opinião, eu tento desenvolver uma reflexão sobre a minha percepção do que é mais nocivo do que o ato de cometer erros recorrentes.
    Esse argumento infantil do Luluzinho que emprega a artimanha malandra de que faz isso ou aquilo porque o amiguinho também faz, é próprio de uma mentalidade cultural que apresenta algum retardo no seu desenvolvimento. E o pior é que, na prática, funciona.
    Pobre nação que é conduzida sob tais princípios e fundamentos.
    A corrupção, aparentemente, gera apenas prejuízo material.
    Porém, não se esclarece a população desinformada que tipo de assistência nos é negada por conta desses desvios.

    Mesmo assim, eu ainda considero a influência do mau exemplo mais danosa do que a corrupção e o mau uso do dinheiro público, porque isenta os autores dos desvios e conduz o povo as mesmas práticas, o que gera hostilidade, violência e uma série de conflitos que degradam a sociedade e provocam sofrimento.

    E é justamente a falta de cultura e informação que facilita a ação criminosa, que segue o esquema já conhecido por outros povos, em outras épocas, como por exemplo, a tragédia provocada pela eficiente propaganda nazista.

    “Política em Goebbels”, ministro da propaganda de Hitler
    Um estudo sobre a produção da publicidade
    a partir de seus Diários
    Luís Mauro Sá Martino
    Jornalista, doutor em Ciências Sociais pela PUC/SP,
    professor da Faculdade Cásper Líbero (SP).

    O objetivo deste trabalho é explorar alguns aspectos da es
    tética da propaganda política alemã nos anos 1933-1945
    conforme apresentados nos diários políticos de Joseph
    Goebbels, Ministro da Propaganda.
    De toda a escória dirigente nazista, Joseph Goebbels é, de longe, a figura mais complexa.
    Doutor em filosofia, criador da propaganda política moderna – todos os marketeiros lhe devem alguma coisa – Goebbels usou seu talento para consolidar o regime brutal do qual se orgulhava de fazer parte.

    Goebbels anotava meticulosamente seus trabalhos no diário.
    Foram centenas de páginas mostrando o funcionamento da máquina de destruição alemã, mostrando uma frieza e um cálculo espantosos.

    Não faltam auto-referências elogiosas.

    “Causou profunda impressão meu discurso aos trabalhadores”.

    “Com efeito, dez anos são passados desde quando criei o Ministério da Propaganda, como um novo instrumento de orientação do povo alemão.”

    “Os nossos propagandistas são melhores. Dia e noite, noite após noite, estão em contato direto com as massas.”

    “A propaganda ideológica permite disseminar, para toda sociedade, de forma persuasiva, as idéias de um determinado grupo. A ideologia, dessa forma, se espalha e impregna todas as camadas da sociedade.”

    “A política noticiosa é uma arma de guerra. O objetivo é sustentar a guerra e não fornecer informações.”

    (NO NOSSO CASO É GUERRA ENTRE CLASSE MÉDIA E MISERÁVEIS, BRANCOS CONTRA NEGROS, NORDESTINOS CONTRA PAULISTAS, MOVIMENTOS SOCIAIS CONTRA O EMPREENDEDOR, SEM TERRA CONTRA PROPRIETÁRIOS, ENFIM, UM PAÍS DIVIDIDO, PRONTO PARA A GUERRA)

    Nesse sentido, a propaganda ideológica tem um alcance muito maior do que sua correlata comercial. A ideologia deve ser transformada em prática pela propaganda:

    “Sua função é formar a maior parte das idéias e convicções do indivíduo, e com isso orientar seu comportamento social.”

    A teoria da propaganda de Goebbels, em linhas gerais, pode ser resumida em um princípio: as massas são ignorantes, portanto a mensagem deve ser direta; portanto, a propaganda deve agradar; para tanto, seu modelo não é a política, mas o entretenimento.

    “Essa propaganda não mais designa objetivos concretos. Ela se derrama por meio de gritos de guerra, imprecações,
    de ameaças, de vagas profecias.”

    Goebbels fez questão de manter a propaganda simples
    e fácil de ser assimilada por qualquer espécie de público.

    (ASSIM FAZEM SEUS SEGUIDORES)

    E isso o leva a explicitar, pela única vez em seus Diários, um protótipo de teoria da propaganda:

    “A propaganda deve, portanto, ser sempre essencialmente simples e repetida. Afinal de contas, obterá resultados práticos, no sentido de influenciar a opinião pública, aquele que puder reduzir os problemas à sua expressão mais simples, e que tenha coragem de persistir em apresentá-las sempre na sua forma simplificada, apesar
    das objeções dos intelectuais.”

    O ataque pessoal, fruto de sua experiência política como orador do partido e administrador de Berlim, era uma constante.

    A utilização símbolos alegóricos, imagens e uniformes era a forma de o movimento mostrar seu caráter ‘sério’, ou, em última instância, ‘oficial’.
    No entanto, mais do que a complexa simbologia, diversão era a palavra-chave. Note-se que aqui usamos a palavra ‘diversão’ não em seu sentido estrito, relativo a ‘fazer rir’, mas também como a maneira de distrair as massas, ainda que para isso fosse preciso fazê-las chorar.

    A carga emocional lançada sobre a assistência era muito grande. Além disso, Goebbels era especialista em ridicularizar seus adversários. Despertar emoções era sua
    prioridade, pois é muito mais fácil absorver uma mensagem quando esta não passa pelo crivo da razão.

    O mais espantoso talvez seja o sucesso de Goebbels no sentido de direcionar o descontentamento do povo alemão para o ódio aos judeus, ao capitalismo e a qualquer outro inimigo declarado do regime.

    A tarefa do ministério da propaganda era manter os
    alemães presas fáceis do mito do herói personalizado na figura do líder da pátria.

    Afinal, se a propaganda tinha se tornado uma arma, Goebbels sabia encontrar, no elenco de temas populares, espaço para o melodrama e tinha noção do quanto um
    apelo místico pode ser eficaz.
    Talvez seja útil lembrar, nesse sentido, a peregrinação feita pelos
    políticos atuais em época de eleição, visitando igrejas, templos, sinagogas e mesquitas em busca de votos.

    E não deixa de ser emblemática uma recomendação anotada em seu diário que parece fazer parte do breviário do arsenal representativo moderno:
    “Quando precisa, o Diabo passa por anjo.”

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