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Blog do Raul

Essa vida perigosa de nossos filhos !

No meio das comemorações dos 40 anos de 1968, relembro que minha adolescência foi muito sossegada, em Brotas, no Interior de São Paulo, contando histórias na sarjeta até passar o automóvel do juiz de menores Ary Mendonça, por volta das 21 horas e não sobrar um moleque na rua; e em Santos, dos bailinhos de garagem no Marapé ou das sabadeiras do Caiçara Clube, que preocupavam menos a família, porque havia segurança no caminhar de tantas ruas e vielas rumo a casa. Hoje, pai de adolescentes e jovens, não consigo tirar o coração das mãos pelos perigos que rondam nossos filhos na banalização das drogas, "esquentas", "baladas" e "cartas de motoristas imaturos".

Há um texto de Barbara Gancia, no jornal Folha de São Paulo de hoje (Chegou a Zeca-Hora de dar um basta), que traduz com fidelidade esse estado de ansiedade e medo pelo receio permanente da sobrevivência de nossos filhos. Quero compartilhar essa radiografia perfeita do estado de espírito atual de pais como eu e de muitos leitores deste blog, destacando algumas partes de uma leitura que conforta pelo alerta e para mostrar que não estamos a sós:

Escreve Bárbara Gancia, que, sinceramente, não aguenta mais ver mãe sofrendo morte de filho: "… se guerra houvesse, essa meninada ao menos estaria morrendo por uma causa e não tendo a vida interrompida sempre pelo mesmo motivo estúpido. Parece haver uma conspiração contra essa geração que hoje está completando 18 anos e ganhando seu primeiro automóvel. Todos, meninas inclusive, bebem demais, todos comem de menos, todos vêm e vão em horários impensáveis de se sair e voltar para casa e todos, juntos, formam o público-alvo de uma indústria perversa, a de bebidas alcoólicas, que confunde propositalmente liberdade de expressão com permissividade a fim de criar novos consumidores (e vítimas)".

"Eu pergunto: como é que, até hoje, ninguém contestou em praça pública a venda de um produto indecente como aquela garrafinha de 300 ml de vodca adocicada, que é destinada exclusivamente ao consumo de gente jovem? Como podem as marcas de cerveja cooptar impunemente os ídolos da juventude para serem garotos-propaganda de seus produtos? Como pode o manobrista de casa noturna entregar, sem questionar, as chaves do carro ao jovem que está cambaleando de bêbado?"

"Nunca entendi esse negócio de ‘esquenta’ – o ato de começar a beber antes da festa e só chegar à tal da ‘balada’ em horários em que, antigamente, a gente estaria voltando para casa. Como é que os pais admitem esse ritual macabro? Não será óbvio que o ‘esquenta’ aumenta as chances de o jovem se meter em encrenca e que seis ou sete horas de festa é tempo demais para qualquer um aguentar de cara limpa?"

Realmente assino embaixo do texto de Bárbara Gancia. Somos permissivos demais e, quando ousamos resistir a autorizar que o façam, na maioria das vezes somos contestados em casa pela nossa companheira: ___ Excluir nossos filhos da alegria de juventude? Fizemos o mesmo na nossa época!

Não é verdade, como acentuei no início deste texto. Era muito diferente na nossa época. Resisto a me incluir no retrato da jornalista, quando afirma que "tem pai que é cego, e a mera existência do celular passou aos progenitores uma falsa sensação de segurança. Se sei onde meu filho está, tudo bem, pensam eles. Mas não é bem assim…" No entanto, ainda não consegui, na maioria das vezes, uma resposta objetiva sobre os nomes e sobrenomes dos seus companheiros de noitada: ___ Você vai com quem? Quem levará? Quem irá buscar?

Pelo sim ou pelo não, quando não me vejo na porta de uma casa noturna ou barzinho, à espera dos meus filhos e convivas, avanço a noite em casa, notívago, zumbi, como se estivesse à espera de qualquer tipo de notícia; ainda bem que Deus existe e que ele é sempre portador das boas! 

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16 comentários em “Essa vida perigosa de nossos filhos !”

  1. Na infância o medo da morte dos pais nos assombra; adultos nosso pesadelo é a perda dos filhos. Deus existe; tanto que determina, em linhas gerais, prudência. Onipotente só ele (Criador).
    De resto, lembro lição de Nelson Hungria comentando o antigo art. 281 do Código Penal (revogado pela Lei de Tóxicos 6.368/76) – a minha edição é de 1958 – discorrendo sobre a permissividade brasileira em relação ao álcool. Em linhas gerais afirmava que na nossa cultura
    Cerveja e pinga são alimentos. Refrigérios no verão, fonte de calor no inverno. E como os valores econômicos são mais interessantes do que os sociais – especialmente quando governantes ultrapassaram a linha da moralidade – se fez o círculo infernal: bebidas, cigarros, maconha e cocaína. A bebida iniciando a balada, a cocaína pra não “deixar cair” (o bêbado), depois a maconha para “dar um corte”. E “um poste” ou “um tiro” – não raro – ceifando a juventude. Acrescentando-se à liberalidade de muitos pais, a inoperância de uma Polícia com horário de expediente. Enquanto a maioria dorme e descansa tranquilamente depois de um bom uísque (garrafas), a minoria só pode fingir que não vê. Aliás, vê os corpos de meninos e meninas; as lágrimas dos familiares. Quem e quantos estão trabalhando (velando pela segurança) neste exato instante? Sinistro, verdadeiramente! No sentido original do vocábulo.

  2. Maisa Costa

    Cabe a nós pais educarmos nossos filhos para: para o álcool, para a maconha, para o cigarro, para a balada. Cabe também a nós ensinarmos responsabilidades para que nossos filhos saibam escolher e que tenham liberdade com responsabilidade. Não vejo muita diferença da nossa época, creio que fazíamos as mesmas coisas, diria que os termos mudaram, como por exemplo: balada era domingueira, o esquenta era vaquinha que fazíamos para beber chapinha… lembra disso??? Porém a diferença era que não éramos suicidas… e podíamos até ter habilitação para dirigir, porém não tínhamos o carro. E quando discuto com o meu filho sobre isso ele diz que jovens suicidas existem faz tempo e a diferença esta na banalização, pois os suicidas eram glamourosos tipo Jimi Hendrix, Jani Joplin e outros, e hoje são jovens anônimos insatisfeitos com o mundo e diz mais que a culpa é da minha geração. É, e que Deus nos ajude!

  3. Fomos criados com muito respeito e preocupação com nossos pais . Não demos um minuto de coração na mão, chegávamos até sem fôlego mas na hora combinada . O segredo é o Amor Familiar : Pais x filhos deve sempre empatar. Bjsssss

  4. A propósito do glamour de personalidades mortas, cabe lembrar aos nossos filhos que – naqueles anos – as drogas eram envoltas por um certa magia. Um combustível para o transcedental, fonte de inspiração artística e intelectual. Muitos desses inconscientes suicidas desconheciam os efeitos nefastos das drogas. E por uma grande razão: “os jurístas de todo o mundo e profissionais de saúde” pregavam que a divulgação dos efeitos das drogas sobre o organismo apresentava resultado diverso, ou seja, em vez de prevenir acabava estimulando a experimentação. Hoje, ao contrário, se divulga e se conhece bem os efeitos do cigarro e das drogas ilícitas. E para saber que algo mata não é necessário experimentar, basta saber quem foi morto pela “Experience”…lembrando de “jimi Hendrix”. Aliás, meu ídolo. Apenas na guitarra; genial apenas quando sóbrio. Drogrado era um músico canhestro, ficava imprestável como todo e qualquer bêbado ou drogado. Deixou uma grande experiência: “quem usar drogas vai morrer como eu, sufocado no próprio vômito”.

  5. Maria do Carmo

    A gente cresce e percebe que tantas coisas deixamos de fazer porque estavamos preocupados em viver intensamente. Hoje vejo esses adolescentes tendo vida de adulto. Meninas de 10 anos pitando o rosto, usando roupas de adulto,voltando para casa já noite a dentro, assistindo filmes para maiores de 18 anos, tudo é muito natural. E quando chega aos 12 anos, embalando seus filhos nos braços, os mesmos que em outra época estariam com bonecas.
    A sensação que passa é que estão anciosas em crescer rápidamente.
    E quando comento com outras pessoas sobre a tristeza que tenho em ver eesas meninas pulando a fase da adolescencia, dos bailinhos, das brincadeias de menina, dizem que estou “por fora da realidade”e que o mundo mudou.
    Mudou sim , mas será que é para o melhor?

  6. mesquitinha

    Raul,muito oportuna essas considerações.Sei que não é facil a espera noite adentro,horas que não passam e que só aliviam a preocupação quando a chave tranca a porta e os nossos jovens estão em casa.Tenho a felicidade de ter em casa rapazes ajuizados,longe de drogas e bebidas,fizeram a opção pelo esporte.E talvez isso seja a grande sacada.Mas a preocupação,não é só com meus filhos,é com todo jovem que na maioria das vezes só quer se divertir,o que hoje é sinônimo correr risco.

  7. Raul: A idade já chegou de tal forma que estamos lembrando dos fatos passados. Agora, por exemplo, tenho desejos de comer os pastéis do “Carioca”; outro dia, descemos (toda a família) para saborearmos um “cuscuz a Paulista” (do Café Paulista – tive de ligar antes, encomendando, pois não é mais prato diário). Lembrei, ainda, quando andávamos de bicicleta, tranquilos, pelas ruas de Santos (ia de bicicleta até a sua casa, no Marapé; ia de bicicleta para os encontros do “Picaré”). Agora, temos todas as preocupações do mundo com os nossos filhos que, sabidamente, são muito mais atirados do que fomos em nosso tempo. Lá atrás, podíamos assistir filmes de arte e retornar para casa lá pelas 3 da matina. Hoje, levamos e buscamos nossos filhos; se não fazemos isso, nossos corações não se tranquilizam. Subscrevo suas preocupações e compartilho sua análise sobre a atualidade de “liberdade”. Às vezes acho que temos uma Constituição elencando apenas os direitos, mas esquecendo de listar “as obrigações/deveres”. Grande abraço do amigo de sempre Sérgio G.

  8. Julio Penin

    O ponto crucial chama-se 1968, a marca inconteste das profundas mudanças ocorridas nas rebeldes mentes da joventude. Foi belo, Raul, marcante demais para ser esquecido, pois transformamos a verdade, alteramos o rumo da história, rasgamos o ventre poluido da mentira social, expusemos a chaga social, acabamos com a falsidade. É possível que nunca tenha havido na história, tão marcante ruptura com o “status quo” quanto nesse momento. Estabelecemos o “é proibido proibir”. Vivemos e usufruimos o verdadeiro conceito de liberdade, desafiamos e vencemos, alteramos e rompemos. Fizemos alterações comportamentais e acreditamos firmemente que estavamos fornecendo o melhor dos legados para as próximas gerações. Não sei o que deu errado, talvez não tenhamos acompanhado os passos do que criamos, transformando-nos apenas em contestadores sem bandeiras, em empedernidos e comodos vivenciadores de um consumismo canhestro e sabe como é, as gerações seguintes perceberam as nossas contradições e estão dando a resposta. Só existe uma maneira de fazer uma correção de rumo, é jogar limpo, desvestindo-nos da falsidade e das mentiras que tanto combatemos e de uma hora para outra, as incorporamos. Não reneguemos o nosso passado e levantemos novamente as bandeiras dos sonhos. Ainda dá tempo.

  9. Raul Virgilio

    O problema não está nos esquentas, ou nas baladas de grande duração, mas sim na EDUCAÇÃO DE BASE.

    sem querer puxar o saco, mas já puxando do meu genitor e ora escritor, tive uma educação de base muito forte, uma vez que ele e minha mãe sempre tiveram abertos para qualquer tipo de conversa, e sempre souberam me alertar para todos os perigos que uma noitada pode levar, partindo da premissa que podemos fazer tudo, desde que seja feito com responsabilidade.

    Afinal quem nunca bebeu um pouco a mais, e acabou querendo fazer sexo com as andorinhas???

    Hoje tambem sou pai, e com certeza passarei a meu filho o que meus pais me passaram. CURTA A VIDA COM RESPONSABILIDADE!!!!

  10. Sérgio Martins Guerreiro

    Caro Raul:
    Que coincidência… acabei de chegar trazendo minha filha de 15 anos de uma festa e estava justamente pensando que no meu tempo ( e não faz tanto tempo assim ) nem nos preocupavamos com isso aqui em Peruíbe.
    Agora temos, quase todo final de semana uma tragédia dessas, assaltos, bebedeiras > volante > acidentes, e … morte ou invalidez.
    Também estou entrando nessa fase com filha adolescente de pedir auxílio de Deus! Que Deus nos ajude e guarde nossas crianças… ops… jovens de todos os males. Amém!

  11. Na minhe fase de adolescente aqui em Cubatão eram os bailes, Esporte Clube Cubatão e Guimarães, todos se conheciam, hoje temos uma população flutuante e os tempos mudaram, a balada inicia depois da meia noite.Quantos jovens poderiam cumprir suas tarefas, trabalho, estudo, etc, sem fazer as estravagâncias que vemos ou assistimos na TV.Podemos trabalhar o jovem em projetos, jovem ensinando jovem. O FUTURO A DEUS PERTENCE, FAÇAMOS NOSSA ORAÇÕES E ROGAMOS A DEUS, NOSSO SEMHOR JESUS CRISTO, QUE PROTEJA A TODOS.

  12. Enguaguassu

    Caro Cristiano,época boa é a época de nossa juventude, ouvimos isto de nossos pais que ouviram de nossos avós que ouviram dos avós dos avós.Assim se repetem como padrão atravéz dos tempos.Agora chegou a vez de nós repetimos a história.Cada geração enfrenta os desafios de seu tempo a sua maneira e devemos acreditar no potencial de nossos jovens.Como pais as nossas preocupações se concentra na segurança e no problema da dogradição.
    o fenomemo do aumento do consumo de dogras ilicitas nos assusta.O consumo das tais drogras tem aumentado como tem aumentado a criminalização de drogas que no passado erram lícitas.Alem de muito amor e dos cuidados não podemos cair na paranóia e fazermos nossa “drugs war” particular .O fenomeno do consumo de drogas é tão antigo como nossa civilização já encontraram múmias do Egito “maconheiras” como o uso do alcool (vinho )tanta na Biblia Sagrada como nas festas de Dionisio ou nos Bacanais de Roma.E nossa geração não usava drogas? A nos erramos diferentes diria o saudoso Penin.
    Com toda dificuldade de tratar um tema que envolve preconceito muito interesses em criminalizar e faturar politicamente e financeiramente com a repressão a sociedade começa a reagir contra a cega perseguição ao asuario.Hoje os jornais noticiam que o Tribunal de Justiça de São Paulo em jugamento recente declara inconstitucional a lei que criminaliza o porte de drogas ilícitas.

  13. Raul,não deixe de ler o artigo “Partidos e homens partidos” do Marco Aurelio Nogueira hoje no “Estadão”.
    Me descupe não tratar do tema é complicado.Tony Blair num desabafo quando foi chamado pela policia para recolher seu filho adolecente que se encontrava bebado nas ruas de Londres falou que é mais facil ser primeiro ministro do que ser pai.Mas não fugirei do tema, mais tarde falarei de filhos e de “drogas,sexo e rock and roll”(menos).
    Agora vou a praia porque o SOL nasceu para todos e tambem para voce….

  14. Raul, entendo a preocupação que temos com a segurança de nossos filhos e filhas, quando os mesmos não estão ao alcance das nossas vistas.
    Por outro lado , não tem como, pensar no passado e só pensar no pior, porque viver em sí já é perigoso, portanto aos jovens a liberdade com responsabilidade é claro, mais a vida pertence a todos e todos que vivam o melhor da vida. A liberdade , a diversão o prazer pelas coisas boas. E não existe coisa melhor do que se curtir e divertir, pois são esses momentos de curtição e diversão , que nos da a sensação de viver, e não de viver por viver.
    Perigo existe também na ida a escola, a faculdade ao trabalho, e não só nas baladas e madrugadas. Portanto jovens, divirtam e aproveitem ao máximo, pois passados os anos terão lembranças e sentirão saudades desse tempo maravilhoso.
    Abraços.

  15. eliana scatena

    Caro Raul;se droga fosse ruim ninguem se viciava.Terrível constatação mas a mais pura verdade.Todos os comentários acima são pertinentes e como mãe de quatro adultos(32,30,28,27 anos) passei toda a adolescencia e juventude deles,sofrendo muito por todas essas suas preocupações.Depois de noites sem dormir,coração disparando à cada telefone tocando no meio da noite,brigas,sermões,estórias horripilantes inventadas de acordo com minhas aflições,celular tentando rastrá-los,reolvi relaxar…joguei a bomba nas mãos de DEUS…ufa!Agora consigo cochilar até todos estarem em casa,na certeza de que cumpri minha missão(ingrata).Acredito que o bom exemplo é a melhor cartilha para esses jovens tão cheios de convicções e tão destemidos,acredito tambem que eles fazem suas própias escolhas,apesar de muitas vezes não se responsabilizarem por elas; mas acredito muito mais que o que falta à esses jovens é uma relação de maior intimidade com Deus.Nà o esse DEUS carrasco ,que está de olho em cada tropeço para nos punir,mas no DEUS Amor que nos toma nos braços como filhos amados pronto a compreender-nos como seres humanos passi’veis de erros, pois estamos aqui para evoluirmos ,pois se ELE nos quisesse perfeitos ,seriamos todos deuses .Meu humilde conselho:tragam DEus para dentro de seus lares,falem DELE com seus filhos,não para que O temam,mas para que O amem e entreguem seus filhos`a ELE,incondiconalmente sem jamais duvidar.Meu abraço e admiração.

  16. Arnaldo Mendonça

    “automóvel do juiz de menores Ary Mendonça”, (Ford Preto )
    Batizado de Batmovel.
    Hoje com 53 anos de idade eu ainda sinto falta daqueles tempos em que a garotada ia nadar no rio Jacaré e logo vinha o Ary Mendonça dar umas chamadas, tambem no cinema, ele controlava a entrada de menores a determinados filmes. Tenho saudades daqueles tempos, pois ele era meur pai, e apesar de sua atitude um pouco rispida, eu ainda dou valor a tudo que ele nos encinou.
    Abraços.
    obs: Raul eu o conheço ???

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