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Blog do Raul

Twitter, cadê você ?

Uma das redes sociais mais badaladas da Internet hoje em dia, o Twitter, saiu do ar por volta das 23h30 desta segunda-feira (14). Busquei informações no google e em outros sites e parece que a boataria de que o Twitter sofreria uma pane geral nos próximos dias, desta vez teve razão de ser. Faz uma hora e meia que não consigo acessá-lo e, a exemplo das vezes anteriores, ao digitar o seu endereço de acesso www.twitter.com aparece aquela já famosa imagem da baleia com o aviso “Twitter is over capacity” (excesso de capacidade do Twitter). Então comecei a imaginar como seria a vida sem o Twitter…

Coube lembrar imediatamente a letra daquela composição do Arnaldo Antunes, intitulada “Longe”, que descreve uma situação muito parecida e “aflitiva” com o pesadelo de viver sem o hábito de tuitar: “Onde é que eu fui parar? / Aonde é esse aqui? / Não dá mais pra voltar / Por que eu fiquei tão longe? / Longe… / Onde é esse lugar? / Aonde está você? / Não pega celular / E a terra está tão longe / Longe… / Não passa um carro sequer / Todo comércio fechou / Não tem satélite algum transmitindo / notícias de onde eu estou / Nenhum email chegou / Nem o correio virá / E eu entre quatro paredes sem porta / ou janela pro tempo passar / Dizem que a vida é assim / Cinco sentidos em mim / Dentro de um corpo fechado / no vácuo de um quarto no espaço sem fim / Aonde está você? / Por que é que você foi? / Não quero te esquecer / Mas já fiquei tão longe / Longe… / Não dá mais pra voltar / E eu nem me despedi / Onde é que eu vim parar? / Por que eu fiquei tão longe? / Longe, longe, longe, longe / Longe, longe, longe / Seis, cinco, quatro, três, dois, um.

Por onde os meus amigos, conhecidos, desconhecidos, fakes ou trolls, que passaram a interagir comigo, desde que criei o meu login www.twitter.com/raulchristiano em agosto de 2008, voltarão a se encontrar comigo? Quem sabe o meu amigo e colega de pós-graduação na ESPM, o publicitário Adriano Brandão, que me orientou acessar o Twitter pela primeira vez, tenha uma receita que substitua esse quase vício de contar o que estou fazendo, pensando e querendo mudar. Por ele já me habituei ao mantra: #Educaçãoétudo #Educaçãoétudo #Educaçãoétudo ou parodiar o poeta, dizendo que tuitar é preciso, mas viver é ainda muito mais!

Pelo Twitter além de interagir mais com as pessoas, contando sobre as minhas idéias e tornando mais transparentes as minhas opiniões sobre quase todos os assuntos que movimentam nossas vidas, acompanhei também as reflexões dos meus filhos e percebi o quanto bem humorados eles se tornaram. Eles cresceram e já pontuam uma visão do mundo à sua volta, que hoje em dia é quase impossível conhecer nos raros momentos em que compartilhamos todos à mesma mesa na hora do almoço ou do jantar.

O Twitter me fez tuitar mais que blogar, que já havia se tornado um hábito diário. Virtualizando consegui olhar o mundo de uma outra forma, sem barreiras, principalmente porque quando comecei aqui, o fazia pelo prazer de confabular, chegando a imaginar que na síntese das minhas orações, mensagens, agendas, análises críticas, em apenas 140 caracteres, na prática retomaria a minha produção poética dos anos 70 e começo dos 80. Mas está cada vez mais clara a importância dessa rede e de suas ferramentas eficazes, o seu uso no dia a dia pessoal, do trabalho e da militância política.

Não posso crer que o Twitter se apagou, mesmo agora quando começo a acreditar, há quase três horas sem conseguir acessar o meu próprio perfil, que os boatos tinham um fundo de verdade. Buscando informações, achei uma nota sobre um possível “Twitpocalypse”, informando que a ameaça de esgotamento devia ao banco de dados da rede social Twitter, que suporta 2.147.483.647 (dois bilhões, cento e quarenta e sete milhões, quatrocentos e oitenta e três mil, e seiscentos e quarenta e sete) posts e que, quando esse número fosse ultrapassado, a tendência é que o sistema pararia de funcionar.

A vida é mesmo assim… quem sabe esse apocalypse seja apenas mais uma estratégia de marketing para ganhar ainda mais adeptos ou então para que possamos utilizá-lor cada vez mais, como se já não tivéssemos a idéia do quanto impossível é viver fora de uma rede social nos dias atuais. Confesso que, antes de postar estas divagações, tentei dezenas de vezes acessar o Twitter, em vão… …enquanto isso não acontece, e nem bem sei se ele irá voltar, vale a pena ouvir Arnaldo Antunes, cantando “Longe”, mas tão perto de todos nós: http://youtu.be/uoKWAiwmUes

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5 comentários em “Twitter, cadê você ?”

  1. Também não consigo acessar o twitter, até agora..
    Vamos esperar que ele volte. rs 🙂
    E eu não suportaria viver sem twitter, sério. Já é um vício. rsrs

  2. Belo texto. Acrescento mais uma qualidade a você : a capacidade de ver com bom humor algo que tira os menos centrados do sério. Eu fuimudando de rumo e estado de espírito. Primeiro curiosa, depois inquieta, comecei a enfurecer e controlei a vontade de esmurrar o note (custa muito caro!).
    Depois passei ao estado de “limbo na comunicacão”. Perdida, atrapalhada…
    Quando oTT voltou, rememorei o sentimento de quando conseguia trocar a pilha de um brinquedo!
    Mas durou pouco, o bug voltou. Enfurecida consegui ao menos anunciar que ainda existia…
    Raul, se alguém , algum dia, pensar em censurar algo neste meio, deve pegar prisão perpétua!
    A Internet é nada menos que a forma dos comuns, a voz dos anônimos, a válvula de escape para anunciar, reclamar, promover…fazer parte da sociedade hoje tão engessada!
    Abs amigo!

    Lis

  3. Se o twitter cair, inventamos um novo oras! Um “Tuiu”, “tuiuiu”, “tevi”, qq coisa assim… rsss
    Abs RC!

  4. Fatima Segalla Coutinho

    Raul,não chores,se um dia o twitter fugir de você..terás mais tempo para ler bons e maus livros..mais tempo para o jornal..conversar com a família…ir ao bar com amigos…comer “pastel” no café do centro…rs
    Gozado,nada me surta diante da perda, embora não queira perder, mas, caso algo se vai, me faço contorcionista e descubro que conversar com a camelô do boulevard de Bauru é tão divertido e energizante que um twitter qquer.
    Ah…nunca experimentou o orkut?…diverti bem…
    Se um dia abrires um..me add..que te mando recado com youtube todos os dias…
    bjs menino

  5. Ernesto Donizete da Silva

    Viver sem “Twittar”, seria provavelmente mais salutar para a maioria das pessoas.

    É óbvio, que para quem já é realmente letrado, capaz de desenvolver e entender um texto, a assertiva acima não se enquadra. No entanto, fico cauteloso, com a enorme demanda deste instrumento de comunicação, no qual há uma redução dantesca nas articulações da nossa língua pátria.

    Os 140 caracteres das mensagens, forçam as reduções esdrúxulas, bem como na articulação das idéias. Normalmente, são tratados apenas assuntos desprovidos de qualquer conteúdo educacional; os assuntos são os mais superficiais possíveis.

    Sou sempre a favor do progresso, e como vocês (bloggistas), utilizo muito os recursos da rede mundial. Mas, no caso do “twitter” (ressalvada a exceção inicial), considero-o mais nocivo do que salutar.

    Acorda Povo Brasileiro!!!

    Ernesto Donizete da Silva
    PSDB/SANTOS

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