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Yeda, política sem “teflon” !

Por muitos anos, PT e Porto Alegre eram sinônimos. Rio Grande do Sul e terra de machos também. Daí surgiu Yeda Crusius, PSDB e mulher, que desde o primeiro dia do seu governo dizia que o seu objetivo de zerar o déficit não era por uma razão contábil, mas uma decisão política para servir ao povo gaúcho. Os aliados que conseguiu para vencer as eleições em 2006 queriam outras coisas para garantir a governabilidade. Mas, felizmente (ou não, dependendo do campo de visão) faltou a Yeda, ex-ministra do planejamento e deputada federal, habilidade para impor os seus planos e programas, rejeitando o jeitão normal de fazer política no Brasil. Vitoriosa, porque não tinha rejeição, enfrenta agora a reação dos mais rejeitados.

Inflexível, "cabeça-dura", sobrou a Yeda Crusius pagar um elevado preço para tentar a superação do preconceito e do fato de que o seu PSDB sempre foi um partido nanico no Estado gaúcho. Não fazer concessões aos "aliados" significou e ainda significa concentrar as suas energias mais positivas para desmontar minas e carregar os piores estigmas, porque ela é uma das raras figuras políticas brasileiras em que o "efeito teflon" não lhe serve, curiosamente.

No último final de semana, Yeda foi alvo de denúncias que alimentam o noticiário nacional desde as brigas que teve com o seu vice-governador, com a base de sustentação na Assembléia Legislativa e com alguns membros do seu próprio governo. Hoje à tarde ela assistiu a uma manifestação de protestos na região central de Porto Alegre, composta de estudantes, servidores públicos e professores querendo o seu impeachment. Esse evento foi organizado pelo Centro de Professores do Estado, que veiculou comerciais em sete emissoras de TV durante o horário nobre e que foi acompanhado com sorrisos lulopetistas no canto das bocas.

Acontece que, em julho do ano passado, depois de provocar desgastes à governadora, uma CPI na Assembléia Legislativa gaúcha, que investigava os desvios atribuídos a Yeda e à sua equipe de governo, concluiu relatório isentando-os de qualquer responsabilidade com os fatos. Agora, a mesma oposição, liderada pelo PT, quer outra CPI, no penúltimo ano da sua gestão, quando muitos políticos acham que Yeda está derrotada e parece um gato morto.

Convivi e conheço há muitos anos a governadora Yeda Crusius. Ela tem uma história de respeito e sempre foi uma militante obstinada e franca com a mudança nos rumos do Brasil. Acho que ela vai esclarecer essa situação e se reelegerá, de modo que possa empreender um governo sem o déficit que atormentou o Rio Grande do Sul por mais de 30 anos. Também acho que ela ainda conta com uma defesa tímida por parte de seus companheiros do PSDB, até que se prove o contrário, o quê, convictamente, acredito que em breve vai transparecer !

Força, Yeda, sempre !

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A febre do “toque de recolher” crianças !

Está virando moda a determinação do toque de recolher para as crianças e adolescentes menores de 18 anos de idade. Três cidades do Interior de São Paulo já adotaram essa medida, que é interpretada como um gesto de proteção, dado o risco e o envolvimento deles em casos de furtos, consumo de álcool e drogas, prostituição e lesões por violência de toda ordem. Mas essa questão divide opiniões, num momento em que é fundamental às três esferas de governo pautar logo a necessidade de reverter o passivo da falta de políticas públicas para a infância e a juventude. O debate ensejará duas instituições essenciais para se obter as melhores respostas e soluções – a família e a educação.

Quando era adolescente, nos anos sessenta, em Brotas, por volta das 21h00, havia o temor de ser abordado pelo juiz de menores, que circulava pelas ruas da cidade com seu carro pessoal. Nem todos contávamos com aparelhos de televisão em casa e nos sujeitávamos ao expediente dos botequins que os mantinham como chamariz. O risco nessa época era o de falar alto demais e ser expulso do recinto pelos donos dos bares ou então habituar com aquele ambiente de álcool e jogatina. Nem bem assistia à telenovela das oito e logo corríamos para casa com medo de ser pego e até preso.

Sem dúvida os riscos eram bem menores, incomparáveis com os dias de hoje. Não havia o Estatuto da Criança e do Adolescente, que nas suas primeiras linhas decreta que a família, a sociedade e o poder público devem garantir uma infância e juventude sadias. Em Fernandópolis, por exemplo, uma das primeiras cidades a adotar o toque de recolher (em agosto de 2005), houve uma redução de 80% nos atos infracionais e 82% das reclamações do Conselho Tutelar.

Na mesma direção de Fernandópolis, os municípios de Ilha Solteira e de Itapura também praticam essa política e se tornaram alvo de interesse de outros lugares, que buscam o mesmo atalho ao invés de gerar um movimento educativo com debates sobre as carências de oportunidades para os filhos menores. A autoridade exercida apenas pela ação policial, sem uma motivação da família para acompanhar os passos dos filhos nos momentos das suas principais movimentações, não educa e portanto não muda comportamentos.

É possível que nesse debate surjam propostas de regras mais rígidas, à exemplo das leis seca e antifumo. Nenhuma, contudo, pode determinar que a juventude fique ilhada nos quartos e submissas ao contato virtual com a realidade – computadores, internet, jogos. A própria adequação dos curriculuns escolares à compreensão do mundo e da convivência harmônica numa sociedade tão competitiva servirá para construir cidadãos que não repetirão os mesmos erros de nossas gerações de dirigentes.

Vamos refletir sobre o tema, antes que vire uma regra geral e o principal – a garantia de uma qualidade de vida melhor para todos – continue esquecido para ver tudo como caso de polícia … O primeiro impulso é saber qual a sensação de cada um, imaginando que o filho está desacompanhado de um diálogo mais frequente, uma orientação para a vida !

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Onde cabe tanto dinheiro, heim Pai ?

Quem não se perguntou sobre o volume do dinheiro movimentado com a crise econômica mundial, as cifras altíssimas dos saques na boca do caixa à época do mensalão em Brasília, os dólares na cueca do assessor parlamentar, as malas do pastor, os gastos com bilhetes de avião ? Exceto os funcionários da Casa da Moeda de todos os países e os tesoureiros de caixa dois de algumas campanhas eleitorais, creio que poucos conseguem imaginar o espaço que essa dinheirama ocuparia fora da sua própria carteira. Então, compartilho com os leitores habituais deste blog, um texto excepcional do jornalista Paulo Schiff, que fez esses cálculos para responder a dúvida de seu filho mais velho: "O trilhão de dólares cabe na sala ?"

"Meu filho mais velho teve uma dúvida interessante no domingo: um trilhão de dólares cabe na sala de uma casa? 
A quantia ficou banalizada no noticiário da crise financeira internacional do ano passado. É um trilhão para cá, outro trilhão para lá… geralmente escorregando dos cofres de governos (dos Estados Unidos, do Japão ou de União Européia) para mega-empresas endividadas. Ou para super-bancos quebrados. Que logo depois, com surpreendente descaramento, distribuem uma parte dessa grana como gratificações para os executivos que produziram a quebradeira. 
Será que cabe na sala? O que você acha? 
Apelei para os conhecimentos da época do cursinho vestibular para calcular (aproximadamente) o volume dessa montanha de dinheiro. 
É uma montanha mesmo. 
Imaginando que a nota de cem dólares tenha mais ou menos 105 cm2 de área e que uma pilha de 01 cm de altura seja constituída de 100 cédulas, US$ 10 mil ocupariam um volume de 105 cm3. O trilhão, nessa conta, ocuparia 10 500 m3. Ou seja do chão da rua até o piso do décimo-segundo andar de um prédio com 10 metros de largura e 30 de comprimento. Térreo incluído. 
Se você preferir imaginar um campo de futebol de 75 metros de largura por 100 de comprimento, as notas de 100 dólares empilhadas e uma ao lado da outra, apertadinhas, chegariam até a altura de um metro e quarenta, mais ou menos nos lábios do meia Madson, do Santos ou do deputado ACM Neto. 
Visualizar fisicamente a dimensão das quantias envolvidas pode não inibir a voracidade dos mercados e dos pilantras que levaram o mundo a essa crise. Mas ajuda a gente a ficar mais consciente do perigo gigantesco que eles representam para o nosso trabalho, a nossa sobrevivência e o nosso sossego. Dá uma idéia da incompetência dos governos que deveriam fiscalizar movimentações irregulares desse bolo de dinheiro e não percebem nada. E também do apetite sem limites das empresas que abocanharam lucros fictícios desse tamanho. 
Ou seja: ajuda a gente a adotar uma postura mais “esperta”."
 
Deixe o seu comentário aqui ou escreva diretamente ao Paulo Schiff: prschiff@uol.com.br

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Lixemo-nos todos !?

Não sei se o momento tem a ver com a mudança de posição da lua, mas as últimas informações vindas de Brasília são de lascar a nossa dignidade: primeiro, o palavreado do deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), relator do processo contra o seu colega deputado Edmar Moreira (sem partido-MG), dono daquele já famoso castelo mineiro, ao revelar que vai preservá-lo e "que se lixe a opinião pública". Segundo, o arquivamento, pelos ministros do Supremo Tribunal Federal, da ação contra os petistas Delúbio Soares e José Genoíno; benefício estendido também ao publicitário Marcos Valério. Lixemo-nos todos com esse espetáculo de arrogância e hipocrisia, sem um cara-pintada para protestar, porque UNE, CUT e MST estão na conta do lulopetismo.

Será que as manifestações contra esse estado de coisas estão restritas a essas entidades ? Qual a posição dos partidos de oposição – PSDB, DEM, PPS e PV ? E a OAB, a ABI, o Voto Consciente, os sindicatos, as associações comunitárias, o clubes de servir etc ? Silêncio quase que total para contribuir ainda mais com o descrédito na classe política.

Felizmente um dos últimos pilares jurídicos dos governos militares – a Lei de Imprensa – foi demolido. Entretanto, muitos daqueles que apostam na impunidade como regra geral no país pensam que sem lei de imprensa não há liberdade para a imprensa brasileira. Torcem pela mordaça e por um suposto direito de impedir a divulgação desse rio de mazelas, porque a Justiça lhes garante direito de resposta e de barrar a divulgação dessas falas sem respeito e indignas.

Mas a imprensa livre é que nos alimenta dessas notícias, que atormentam o nosso espírito nesse começo de noite, ao ler os principais sítios na Internet. Não podemos perder a nossa capacidade de indignação. Será possível mudar esse cenário apenas com os resultados eleitorais para a presidência da República, mantendo um Congresso viciado e desafiador ? Nesse instante de reflexão vale provocar os ideólogos e conteúdistas de programas políticos e partidários com uma pergunta apenas: ___ Qual a sua alternativa para o Brasil ? 

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Reforma Política ou mera agenda positiva ?

Em busca de uma agenda positiva, que remova o Congresso Nacional do atoleiro em que se encontra, o tema Reforma Política ressurgiu entre os parlamentares, sem qualquer link com a sociedade ou com as suas entidades representativas. Recentemente uma pesquisa divulgada pela Folha indicava o desprezo da juventude pela vida partidária e um dos ítens mais festejados pelos partidos da base lulopetista é o voto em lista, que apenas serve para legitimar a força dos burocratas partidários, que aceitam filiações em massa e podem conduzir os partidos como balcões de negócios ou como meras siglas de aluguel, não se importando com esse descrédito. Acho inaceitável essa manobra, produzida logo após as confissões de Fernando Gabeira, Eduardo Suplicy e do presidente Lula da Silva, sobre o uso dos seus bilhetes de aviação por terceiros, a exemplo da grande maioria parlamentar em Brasília.

Vale repetir aquele chavão de que nunca antes na história deste país houve tanta oportunidade de pautar temas mais importantes no Congresso Nacional. Reforma Política, sim, mas sem prato pronto. Nos últimos meses há uma paralisia entre os seus movimentos políticos, ora pelo volume de medidas provisórias do governo federal, ora pelas denúncias comprovadas e capilarizadas sobre a aplicação e comprovação das verbas indenizatórias dos deputados e senadores. Caberia uma campanha nacional para justificar a necessidade e a importância do Parlamento num estado democrático como o quê vivemos. Afinal, no ano que vem haverá eleições e será muito difícil se apresentar para os cidadãos com a informação de que precisa do seu voto para ser deputado estadual, deputado federal ou senador, sob o guarda-chuvas de regras ultrapassadas e vulneráveis.

Preocupa o fato de que, ao invés de um processo educativo, comprometido com a cidadania plena, o Congresso ensaia aprovar uma Reforma Política sem refletir o interesse da maioria da sociedade, que já não confia mais nessa possibilidade. Acho fundamental entender uma reforma do gênero, como uma resposta desejada pela própria sociedade, que pode mudar a sua visão sobre os parlamentares, aproximando eleitos dos eleitores, resolver a questão do financiamento das campanhas, reordenando o sistema eleitoral brasileiro. Nos últimos anos o Supremo Tribunal Federal vem baixando normas para regular esse sistema e garantir o máximo de lisura nos seus procedimentos. Mas pouco tem sido feito para dar mais importância aos partidos políticos e despertar o interesse em participar das suas bandeiras e lutas.

Lamentavelmente as regras eleitorais são modificadas e/ou interpretadas de maneira diferente a cada ano. Isso favorece a insegurança institucional, principalmente quando observamos a movimentação dos parlamentares tentando a Reforma Política sob a ótica de considerar os seus próprios interesses em primeiro lugar, para depois qualificar esse debate com temas que a meu ver deveriam merecer destaque: o parlamentarismo, o voto distrital, o fim das coligações proporcionais (de candidatos ao Poder Legislativo – senadores, deputados e vereadores), o financiamento transparente das campanhas, a liberação do uso da Internet e uma Reforma Partidária.

Fora isso, resta-nos também refletir se é possível perdoar erros, porque eles foram praticados por figuras que se conduziam pela ética na política ou que mantém elevados índices de popularidade e aprovação, e aceitar que os escândalos prossigam "escondidos" sob os tapetes do poder – o lixo de uma boa parte da história política recente do nosso país.

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Brasil tem remédio para a gripe suína ?

Não tem a solução dos problemas, mas a resposta fácil está sempre na ponta da língua do presidente Lula. Alguém já esqueceu o tratamento que ele deu à crise econômica mundial, quando a chamou de "marolinha" ? E agora, quando todo mundo vigia os espirros à sua volta, com medo da "gripe suína", o mesmo Lula minimiza com uma informação que interessa ao Mundo: "o país tem remédios para enfrentar a situação". Confesso que estou mais tranquilo com essa informação do preparo antecipado da saúde pública nacional (sic).

Nos EUA, Barack Obama destacou que o momento é de precaução máxima, porque há notícia de 65 casos, a maioria de menor intensidade, e de uma morte. Uma situação séria, que exige, além de palavras de tranquilidade relativa e de louvação a Deus para que ela não chegue ao Brasil, a ampliação e o rigor da vigilância sanitária para detectar e informar possíveis novos casos, em qualquer parte da terra.

Ontem à noite, o Ministério da Saúde anunciou que segue monitorando 20 pacientes que estiveram em áreas afetadas pela gripe suína e que apresentaram algum sintoma da doença ou mantiveram contato com pessoas com essas características. Ainda há pouco lí no portal G1, que muitos e-mails falsos circulam pela Internet, virando "iscas para novos golpes".

O Organização Mundial de Saúde diz que o mundo está muito perto de alcançar a fase 5 (de um máximo de 6) de alerta de pandemia (epidemia com alcance mundial) por causa da expansão da gripe suína. Sem alarmismo, pânico ou tumultos, o Brasil certamente vai precisar muito mais que retórica para se defender. Qual o remédio pode tranquilizar uma população inteira ?

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Sérgio Willians encanta Bondes de Santos.

Há 100 anos, dia 28 de abril de 1909, entrava em operação a primeira linha de bondes elétricos na Baixada Santista, num trajeto que ligava Santos a São Vicente. Desde 1971 eles não fazem parte da paisagem santista, exceto a linha turística que em 2000 voltou a circular pelas ruas do Centro de Santos, desde a Praça Mauá para uma viagem ao passado histórico da cidade. Pela vontade política do governador José Serra a região pode reconquistar um outro meio de transporte ferroviário, o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, refazendo o itinerário Santos-São Vicente, para depois estender a Cubatão e o Litoral Sul. Durante as comemorações do centenário, na próxima quarta-feira (28), um novo livro do jornalista e escritor Sérgio Willians, intitulado "Bondes de Santos", conta a história romanceada de uma família que sonha com a volta dos bondes.

Os bondes fazem parte da memória dos santistas e os circuítos turísticos e históricos foram retomados por causa dos sonhos e do empenho do atual prefeito João Paulo Tavares Papa. Santos vem se redescobrindo com a restauração de pequenos grandes detalhes de uma terra marcada pela pujança econômica e por muitos movimentos e lutas políticas e sociais. Essa característica renomeou Santos como a Barcelona brasileira ou a sede do Porto Vermelho.

Tomemos o bonde para uma viagem ao passado. Acho fundamental ler o livro do Sérgio Willians, cuja trama se inicia em 2009, mais precisamente no dia 7 de abril, a 21 dias da data do jubileu centenário do bonde elétrico. É quando Artur Marati, um jovem de 16 anos, retorna às pressas, de Londres, onde vive há 10 anos, para Santos, para reencontrar seu avô à beira da morte. Conforme o romance de Sérgio, o neto não chega a tempo de encontrar o avô vivo, mas descobre o motivo do apelo do avô para que voltasse ao Brasil: decifrar mensagens secretas escondidas num intrigante baú deixado como herança e onde estão guardadas as memórias da família, além de uma incrível versão da história dos bondes de Santos.

Não contarei mais. Quero apenas reforçar o convite para uma visita a Santos, de todos quantos ainda não conhecem essa cidade maravilhosa e sempre promissora. Ou então para que revisitem Santos e descubram um lugar muito diferente daquele que lhe proporcionou, como a mim mesmo, a experiência de confirmar na infância que o mar era salgado e se perdia no horizonte.

Para conhecer mais sobre o livro de Sérgio Willians, "Bondes de Santos", visite o site www.sergiowillians.com.br ou então, se já agendou uma visita a cidade na próxima quarta-feira, 28 de abril, obtenha o seu exemplar autografado, a partir das 18h00, na Casa de Frontaria Azulejada (Rua do Comércio, 92 – Santos). Sérgio é autor também do livro "Pelas Curvas das Estradas de Santos", lançado no ano passado.

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Entrevista ao “Jornal da Orla” na TV.

Em entrevista ao jornalista Edison Carpentieri, que comanda o programa "Jornal da Orla na TV" em Santos, comentei sobre os investimentos do Governo de São Paulo, por meio da Sabesp, em obras no litoral paulista. O destaque ficou por conta do Programa Onda Limpa, que prevê quase a universalização da coleta e tratamento de esgotos nas praias de Peruíbe a Ubatuba (95% na Baixada Santista e 85% no Litoral Norte). Se tiver interesse, clique http://www.youtube.com/watch?v=NGJya517vIg e assista ao vídeo de 9 minutos.

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Fechar o Congresso Nacional ?

Não, nem pensar. Mas as últimas revelações sobre o uso dos seus recursos pelos parlamentares, ao longo da sua história, podem levar a essa conclusão simplória, despolitizada e descomprometida com a sua real importância. Não é possível viver um Estado democrático sem um Congresso representativo da sociedade, mas é necessário tornar transparentes as ações das suas engrenagens administrativas e o papel individual de cada parlamentar. Este final de semana, de feriado prolongado, serviu para escancarar a ausência de regras e, por consequência, as mazelas que agora envolvem também os parlamentares dos grupos sempre identificados como éticos e mais responsáveis. Chegou a hora de virar o Congresso Nacional de "pernas para o ar", de passar a limpo, senão, no ano que vem, o primeiro voto das cédulas eletrônicas acabará, precipitadamente, anulado.

Vou tomar como referência alguns procedimentos administrativos que já experimentei quando trabalhava na área pública em Brasília. O primeiro, em relação à emissão dos bilhetes para viagens por avião. Havia como proibição que as repartições públicas adquirissem bilhetes promocionais, porque resultaria na interpretação de que uma empresa de aviação quebraria dispositivos da lei de licitações e concorrências. Então o governo era obrigado a comprar bilhetes com tarifas cheias, ou seja, pelo maior preço oferecido, em detrimento da economia que na prática os parlamentares fazem ao desmembrar um passagem em até seis trechos, dependendo da distância da viagem a ser empreendida pelos mesmos.

Com isso, parece que fica mais fácil para o Congresso (aí valem referências para os parlamentares da Câmara dos Deputados e do Senado Federal) deixar à critério dos seus membros a gestão dos recursos oferecidos, que nesse caso tem a ver com a multiplicação dos quatro bilhetes mensais de ida e volta a que têm direito. Jamais lí ou soube de uma regra que impedisse o uso desses bilhetes para o regalo do funcionamento do mandato parlamentar. Nesse caso, em meio à celeuma com que o assunto ocupa as páginas dos jornais e todos os meios de informação, independentemente do comportamento errático de uma boa parte dos deputados e senadores, há que se considerar que cada cidadão eleito para representar a sociedade ou o Estado da Federação configura uma instituição política brasileira, e merece respeito por isso.

Também não poderia deixar de comentar aqui a falta de rigor nos procedimentos para obter o auxílio-moradia, quando não distingue os parlamentares que decidiram comprar seus próprios imóveis em Brasília, daqueles que moram lá apenas durante a semana de atividades congressuais, em apartamentos funcionais ou hotéis. Os servidores federais de outros Estados, que se transferem para a Capital também contam com esse direito – do auxílio-moradia – mas são obrigados a apresentar um levantamento em todos os cartórios de registro de imóveis do Distrito Federal para comprovar que não dispõem de terrenos ou imóveis que justificassem a desnecessidade desse benefício. Se as regras para os parlamentares não estão claras, que fiquem claras e observem restrições óbvias.

Por fim, acho que um erro não justifica o outro. Senadores e deputados que sempre estiveram posicionados em alta conta de credibilidade foram flagrados nos guarda-chuvas de regulamentos quase seculares e frouxos. Há uma crise rondando a imagem do parlamento brasileiro, que precisa ser enfrentada, sem mais delongas. O povo decide a cada quatro anos os seus escolhidos, mas esse povo não é o culpado pelos rumos que os seus representantes tomam quando chegam lá. Também não é possível generalizar a qualidade dos parlamentares, zerando as expectativas positivas que cada eleitor tem deles. A democracia exige que resgatemos o Congresso Nacional, atualmente paralisado e sem pautar questões fundamentais da agenda política, econômica e social, enquanto há um fio de crença nessa instituição importantíssima e indispensável na democracia que lutamos muito para reconquistar e consolidar.

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Rumo para o transporte público .

O retrato da violência contra passageiros na estação de Madureira, no Rio, foi uma singela representação do tratamento que alguns governantes dão ao transporte público no país. Podem parecer simbólicas as cenas de agressão a socos e chicotadas pelos agentes de controle, que atuam no local para orientar o embarque dos clientes, mas sem dúvida elas dramatizam a realidade de pessoas que viveriam praticamente isoladas e sem oportunidades de trabalho não fossem os superlotados ônibus e trens nas regiões metropolitanas brasileiras. Em contraposição, avenidas perimetrais e ruas estão atoladas de carros que poderiam ficar estacionados em bolsões nos terminais rodoviários e estações ferroviárias.

Lí muitas explicações dos responsáveis pela situação carioca, bem como opiniões de especialistas no setor de transporte. A conclusão de desumanidade é a mais óbvia, mas a falta de compromisso dos governos em ampliar e melhorar o sistema de transportes coletivos emerge com muita força. Aliás, essa timidez nos investimentos para o setor configura uma vergonha para o Brasil, que felizmente já relaciona exceções, como é o caso do Estado de São Paulo, onde é possível testemunhar o imenso canteiro de obras do Metrô na Capital e projetos específicos para as regiões metropolitanas de Santos e Campinas.

Em números globais, os investimentos devem superar a casa dos R$ 20 bilhões, prevendo a expansão do sistema sobre trilhos, com mais 240 km com qualidade de metrô; ampliação da frota de trens, com 99 unidades; reforma da frota existente da Companhia Paulista de Trens (CPTM) e do Metrô; implantação de corredores de ônibus metropolitanos e a implantação de um novo sistema de transporte, Metrô Leve (VLT) na Baixada Santista.

Estudos e pesquisas da Associação Nacional de Transporte Público confirmam que mais de 80% dos brasileiros vivem nas cidades; e 49 aglomerações urbanas, incluindo as regiões metropolitanas, reúnem pouco menos de 400 municípios (dos 5.561, no total), nos quais está concentrada perto da metade da população do país e dois terços da frota de veículos. Justamente nesse cenário perdura um modelo que privilegia automóveis e motos, que, juntos, respondem por apenas 20% das viagens urbanas, em detrimento do transporte coletivo ou não motorizado, como bicicleta ou trânsito de pedestres.

Moral desses destaques: o povo apanha nas estações e o país perde em horas produtivas e com o gasto excessivo de combustíveis nos congestionamentos, além de perdas pessoais e gastos méditos com acidentes de trânsito e destruição de equipamentos públicos. Incrivelmente há uma redução da demanda de passageiros nos indicadores de transportes públicos, um aumento na utilização de transporte clandestino e a identificação clara da falta de investimentos públicos permanentes no setor.

Vale refletir sobre a opção pelos rodízios de placas, como em São Paulo, nas principais cidades; pelas campanhas institucionais de caronas solidárias, num país que acha que resolve o problema da locomoção por iniciativas individuais, solitárias. Em todo o lugar do Mundo, que pude conhecer e experimentar, a organização e a eficiência do transporte público me causaram inveja e vergonha da nossa realidade.

Vale rechaçar a violência de agentes públicos que mostram insensibilidade com políticas públicas essenciais, como os transportes coletivos. Agora, sobre os empurrões e chicotadas, além das punições exemplares que parecem ter acontecido, isso é para um outro capítulo, o da Educação Brasileira, que merece atenção, qualidade melhor, continuidade política, sustentabilidade…

(*) Foto ilustrativa (Índia ou Paquistão) para fortalecer a imagem da necessidade de garantir transporte coletivo de qualidade e para todos. No Brasil também vamos retratar assim, se nada for feito desde já!

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