A madrasta do PAC !

Durante entrevista ao jornalista Paulo Schiff, no programa “Manhã Litoral” da Rádio Litoral FM da Baixada Santista, fui questionado sobre o quê pensava das declarações do presidente Lula ao jornal espanhol “El País” que afirmou construir no Brasil “um capitalismo moderno, o Estado do bem estar” e que não via a “possibilidade de perder as eleições” com Dilma. Respondi ironicamente que o presidente não se vê exagerando quando passa a impressão no exterior de que o Brasil foi descoberto em 2003 e disse também que Dilma Rousseff, candidata do PT a presidência, não foi uma boa gestora nem do PAC para querer ser presidente. Paulo Schiff retrucou dizendo que Dilma era considerada a “mãe do PAC” e me provocou dizendo que isso podia ser uma vantagem para ela, juntamente com o apoio de Lula.

Não resisti à provocação e relembrei que de acordo com os levantamentos feitos pelo PSDB e pelo site Contas Abertas o atual governo federal do PT não conseguiu executar 15% das ações e obras anunciadas. Mais tarde, ao escrever este post, constatei que das 10.914 obras prometidas, apenas 320 ficaram prontas, sem falar nas expectativas criadas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida” que, diante das dificuldades de construir 1 milhão de casas, passou a culpar os governos municipais e estaduais pela falta de projetos executivos etc.

Sobre o rótulo de “mãe do PAC” atribuído por Lula, diante do fracasso em cuidar de todas as etapas do Programa de Aceleração do Crescimento, a partir da sua concepção, acompanhamento e orientação até a entrega dos benefícios ao povo brasileiro, não hesitei comparar Dilma Rousseff ao papel de madrasta, mas do tipo daquela procuradora aposentada do Rio de Janeiro, Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, que foi flagrada torturando uma menina de dois anos de idade sob a sua guarda.

Imagino que deixei a impressão de pegar pesado com a candidata do PT, mas ressalvados os possíveis exageros na comparação, entendo que também no quesito passivo da infra-estrutura do Brasil, perante as perspectivas excelentes da sua economia e de desenvolvimento, José Serra abre larga vantagem. Quem puder viajar pelo Estado de São Paulo, como tenho feito, e perguntar aos prefeitos e vereadores de qualquer legenda partidária, sobre as realizações do governante tucano que se apresenta como candidato à presidência da República neste ano, o canteiro de obras logo emergirá em todos os depoimentos.

Mas Lula aproveitou os últimos dias de Dilma no seu governo para lançar o PAC-2, um cardápio de obras previstas para acontecer a partir de janeiro de 2011. E os petistas aproveitam as oportunidades virtuais, artigos e discursos para especular sobre o “medo dessas ações não acontecerem” se Serra for eleito. Ora, pelo que já fez por São Paulo, o tal PAC-2 só vai acontecer com Serra Presidente!

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  1. Pedro Scott comentou:

    Prezado Raul,
    Minha visão sobre Dilma Roussef, Dilmandela ou Dilma Benghel está bemópróxima á sua. Precisamos por o bloco na rua , pois as PTáticas eleitorais são eficientes apesar de vazias e recheadas de falsas promessas. O discurso do Presidente atinge em cheio o alvo das cabecinhas menos favorecidas. Não deixemos o bonde da história passar, a hora é essa, com Serra Presidente..abraços e parabéns pelos artigos recentes.

  2. Paulo Schiff comentou:

    O jornalista Raul Christiano comparou ontem, em entrevista na Rádio Litoral FM, a presidenciável Dilma Roussef, na qualidade de “mãe do PAC”, a procuradora Vera Lúcia de Sant’Anna Gomes, aquela flagrada torturando uma criança de dois anos que estava sob a guarda dela.

    Para Raul, Dilma não cuidou direito do PAC, que desandou, empacou e tem notas muito ruins no boletim, ou melhor, porcentagens muito baixas de obras realmente realizadas. O jornalista redefine Dilma como “madrasta do PAC”.

    A comparação pode carregar uma dose de exagero, afinal Raul é tucano e portanto alérgico a dupla Lula-Dilma. Além disso, não há nenhum flagrante da ex-ministra maltratando alguma das obras das quais deveria cuidar.

    Mas mesmo retirado o exagero natural ao debate político, resta uma pergunta incômoda:

    “Que mãe é essa que não cuida direito do filho?”.

    No livro A Arte de Amar, de Erich Fromm, o cuidado está relacionado entre as quatro atitudes que caracterizam o amor, ao lado da responsabilidade, do conhecimento e do respeito.

    Erich Fromm, nesta abordagem genial do amor, chega a perguntar ao leitor:

    “Quem acredita nas declarações de amor ao filho pequeno da mãe que não cuida dele?”.

    A resposta é ninguém. Você, leitora / leitor, acha possível o amor sem o cuidado? Dilma ganhou esse codinome de “Mãe do PAC” quando havia uma expectativa de sucesso muito grande para o programa. A previsão não se concretizou. Muitas obras do PAC atolaram na burocracia, nas licitações e em tudo quanto é tipo de problema.

    É fácil assumir a maternidade de uma criança bonita e talentosa. Quando o filho tem problemas estéticos, motores, mentais, emocionais ou existenciais, aí a questão fica mais complicada. São situações que apresentam provas de fogo, dramáticas para qualquer mãe.

    Esse o dilema de Dilma. Assume o filhote feioso, que não se desenvolveu, e passa por mãe descuidada e gestora incompetente? Ou rejeita o coitado do PAC e passa, como rotulou o jornalista Raul Christiano, por “madrasta”?

    ########

    (Artigo publicado com o título “A madrasta do PAC” no jornal “Diário do Litoral”, de sábado, dia 15 de maio de 2010.)

  3. Ernesto Donizete da Silva comentou:

    Caro companheiro Raul, em primeiro lugar, quero destacar que somente conheço a Sra. Dilma (se este for seu verdadeiro nome), por sua atuação como “patricinha” do período militar, pois as notícias da época nos dão conhecimento ao que tudo indica de que somente cuidava dos interesses “FINANCEIROS”.

    Neste aspecto, passa muito, mas muito longe de qualquer adjetivação de cunho virtuoso (como p. ex. heroína…rsrssrs) Heróis são os inúmeros brasileiros que lutam, literalmente lutam todo santo dia por uma vida mais digna, e muitas vezes esta luta consiste em conseguir levar comida para a família – estes sim são os verdadeiros heróis e heroínas do nosso Brasil.

    Já em relação ao “populismo” do Sr. Inácio (semi-letrado), nada pode nos espantar, pois ocorre a identificação desta figura com a grande massa do povo: sem educação (suficiente), falando errado, com história de miséria no decurso da vida e demais reveses que assolam realmente o nosso POVO.

    O que o povo não percebe, é que existe uma dantesca diferença. O Sr. Inácio, muito ardiloso, ingressou na política pela via sindical e apesar do seu percurso ser medíocre em todos os cargos pelos quais passou, seu patrimônio sempre aumentou e muito…bem como a condição de sua família (quiçá as matérias a respeito, que deixaram de ser exploradas pela imprensa, provavelmente devido a sua popularidade).

    Assim, o Sr. Inácio, um dia estava incluso no POVÃO; situação bem diferente daquela que passou a ocupar desde o seu primeiro mandato – já faz tempo que passou a usar COLARINHO BRANCO. E a Sra. Dilma (se este for seu verdadeiro nome), por seus atos recentes é merecedora de repúdio moral, pois até os seus dados na Plataforma Lattes ela inventou para dizer que era “doutora”. Faz-me rir…rsrsrs!!!

    Assim, caro Raul, o Brasil vai bem, não é por termos uma lula no comando, pois até mesmo um burro, conduziria os destinos da Nação Brasileira, se os tivesse herdado de forma estruturada e robusta como de fato ocorreu quando o PT assumiu o Governo Federal.

    Fecho apenas reconhecendo que no campo do marketing, são muito bons, tanto é que somente nos quatro primeiro meses de 2010, gastaram cerca de 196,4 milhões de reais. E conseguiram aumentar em 1300%, os gastos com propaganda nos últimos seis anos.

    É este é o PT, este é o Sr. Inácio e está é a D. Dilma (se este for seu verdadeiro nome).

    Heróis continuam sendo, como sempre, o nosso tão valoroso povo!

    Acorda Povo Brasileiro!!!

    Ernesto Donizete da Silva
    PSDB/SANTOS

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