Imagine a Receita Federal sob o PT…
Uma conhecida minha, fiscal da Receita Federal, que sempre foi tucana, não escondia a “felicidade” com a ascensão de Lina Vieira. Dizia sem meias palavras que a sua repartição vivia uma verdadeira redenção, depois dos governos de FHC e do atraso de Lula e do PT em quase seis anos para nomear um de seus colegas. Com Lina no comando, segundo ela, houve a valorização da sua carreira e que, por isso, fazia campanha antecipada e votaria sem pestanejar em Dilma Rousseff. A “ex-tucana” comemorava o fato de Dilma ter sido a responsável pela chegada dos sindicalistas do Unafisco (Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais) ao poder: “imagina se isso aconteceria com o (José) Serra! Quer saber? PSDB, nunca mais. (Enchendo a boca) Na Receita somos todos Dilma!”
Juro que relevei o tom das palavras, pela carga corporativista que ela nunca escondeu ao longo de nosso relacionamento pessoal, mas fiquei em dúvida sobre a expectativa do lulopetismo com essa mudança. Não foi difícil imaginar também que a Receita, com o Unafisco avalizando nomes para as chefias estaduais e em Brasília, estaria mais vulnerável para a ingerência do lulopetismo, logo num dos braços mais importantes da gestão do Plano Real e da estabilidade da economia. Se mesmo Lula havia demorado tanto para ceder às pressões dos sindicalistas ligados ao PT, e essa atitude era positiva, a nomeação de Lina Vieira em julho de 2008 indicava para a politização do órgão.
Para minha surpresa e reconhecimento das razões da felicidade daquela fiscal, vejo agora que o governo Lula esqueceu de “combinar com os russos”. Essa concepção ficou mais clara depois da demissão sumária de Lina Vieira, que não admitia ingerências e inibiu o Planalto num de seus vôos bisbilhoteiros. Aliás, esse comportamento da tropa de choque palaciana, de vasculhar a vida de opositores e da própria base aliada, em busca da descoberta de algum desvio de conduta, para intimidá-los ou chantageá-los, foi iniciado sob os auspícios de José Dirceu.
Vale sempre recordar os episódios do mensalão e do uso abusivo dos cartões corporativos, no primeiro governo; mas também a tentativa de imobilizar o PSDB e as opiniões do ex-presidente Fernando Henrique, quando a ministra Chefe da Casa Civil de Lula mandou produzir um dossiê sobre os gastos da presidência, inclusive de Ruth Cardoso, que ela minimizou como sendo a formação de um simples banco de dados. A sua primeira resposta, como a negativa da fatídica visita de Lina ao Planalto, foi da inexistência de qualquer levantamento por sua assessoria.
Não encontrei mais aquela conhecida “neolulista”, para questioná-la se ainda mantém o propósito de apoiar a candidata de Lula, após a revelação do suposto interesse do governo aparelhar a Receita e das informações sobre o desmonte do aparelhamento pelo Unafisco. José Dirceu sempre defendeu que o PT só teria controle absoluto da máquina quando seus quadros estivessem no comando da Polícia e da Receita Federal. A saída de Lina Vieira reforça a idéia da frustração desse objetivo final do ex-Chefe da Casa Civil lulista.
Dilma realmente perdeu muito com esse episódio. enquanto em sentido contrário cresce o poder de Antônio Palocci, agora com a ficha limpa para projetos eleitorais vips do lulopetismo. Relembre-se que no início do primeiro mandato de Lula, o então ministro da Fazenda, Palocci aceitou a sugestão de Everardo Maciel (secretário da Receita no governo tucano) e decidiu manter Jorge Rachid, até que ele fosse sucedido no ano passado por Lina. Esses fatos desagradam minha conhecida fiscal.
Acho muito estranho, no entanto, o atuais movimentos nesse setor, que não pode se sujeitar à coloração partidária. Tem a ver com o Tesouro Nacional e não há justificativa plausível para o estado de instabilidade num comando tão sensível para as contas da União. Sem dúvida há uma crise nas cercanias do poder central, sob as barbas de Lula. Se Lina oferecia as garantias necessárias para manter indevassável esse braço do Ministério da Fazenda, sendo essa conduta esperada pelo presidente da República e pelo seu governo, porque ela foi saída do cargo?
Restam muitos questionamentos e nenhuma resposta. Por seu lado o PT toma fôlego. Atribui o depoimento de Lina Vieira, na reunião da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a um “papo furado” e, com o seu marketing de guerrilha virtual, espalha que o comportamento da ex-secretária tem a ver com as suas ligações pessoais com o senador José Agripino (DEM-RN) e com o secretário-executivo do Ministério da Integração Regional do governo FHC, Alexandre Firmino de Melo Filho, seu marido.
Informações que só servem para tentar confundir a opinião pública. O governo Lula mostra que não consegue agir com transparência na gestão da coisa pública. Por isso aposto no resgate do voto da eleitora do PSDB. Ninguém pode confundir o reconhecimento do papel das corporações técnicas e vinculadas à excelência do funcionamento da máquina estatal, uma medida responsável e justa, com o aparelhamento do Estado pelas suas corporações e partidos políticos. A verdade não tardará!
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