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Lula apóia Sarney e “festeja” impunidade !

O senador José Sarney (PMDB-AP) protagonizou uma cena patética em sua própria defesa, ao falar sobre os escândalos que atingem o Senado desde que assumiu a presidência da instituição. Todo mundo que viu e ouviu as suas declarações em todas as mídias reagiu com indignação, principalmente porque ele despejou argumentos risíveis com a justificativa de que está no cargo há quatro meses e que não lhe cabe responsabilidade sobre os últimos acontecimentos. De tão debochado, ao afirmar que a crise do Senado não é dele, mas do próprio Senado, José Sarney, na prática, agiu sem dar qualquer importância à opinião pública, até porque o presidente Lula saiu em sua defesa, endossando o seu reconhecimento da impunidade no Brasil: essas denúncias "não têm fim e depois não acontece nada".

Não há nenhuma curiosidade no comportamento do presidente da República. É natural que ele fizesse a defesa do presidente do Senado, mas o seu comportamento de tentar diminuir a importância dos fatos, como se não fosse grave receber "vale aluguel", indevidamente, por mais de um ano, mesmo tendo imóvel próprio em Brasília, ou de se criar por medidas secretas uma república de sobrinhos e afilhados na assessoria do Senado, é um desrespeito. Logo o Lula que faz alguns anos, antes de ser presidente, dizia que no Congresso Nacional havia 300 picaretas. O próprio Sarney estava lá naquela época.

Também é grave dar de ombros à impunidade. Esse convencimento é um mal exemplo para o país. O mar de lama está tragando uma parte do Congresso Nacional e nessa hora não cabe o discurso fácil de que há uma conspiração contra o Poder Legislativo no Brasil. O governo federal desmoraliza o Congresso com as suas medidas provisórias e com o assédio aos parlamentares em troca de verbas orçamentárias, sem falar no comportamento de suas excelências na gestão da Câmara e do Senado. Acho fundamental, dada a reincidência desses escândalos, que se apure as denúncias, corrigindo procedimentos e responsabilizando quem de direito.

O Brasil passou a conhecer um pouco mais das tramóias em Brasília porque há uma luta interna, desde a eleição de José Sarney para a presidência do Senado. Essa experiência vai contribuir também para que o povo brasileiro conheça melhor os laços históricos dos atuais detentores do poder, desmascarando-os. Nos últimos dias, a imprensa vem proporcionando uma releitura dessas trajetórias, principalmente de José Sarney, que era para ser o primeiro presidente da Nova República, mas que preferiu ser o último da República Velha.

Também, como relembrou Roberto Pompeu de Toledo, em artigo recente, "há muitos campeões do atraso na política brasileira. Sarney é o campeão dos campeões, tanto por antiguidade quanto, sobretudo, por mérito". Mérito de classificar continuamente os Estados do Maranhão e do Amapá entre os mais atrasados em quesitos fundamentais, como a dignidade humana, por exemplo.

Lula, por seu lado, quer construir um mundo à parte, uma Ilha da Fantasia, que blinde e proteja os seus aliados. Ele acha que as "denúncias podem acabar cansando a população", que desacreditará das instituições. Então, qual a sua receita de um país mais inteiro, menos dependente de políticas assistencialistas e de moral elevada ? Vale passar a mão na cabeça de Sarney, da mesma forma que consolou os "aloprados", na época da venda dos dossiês contra os políticos do PSDB ? Ou do instante em que declarou que entregaria um cheque assinado em branco ao ex-deputado Roberto Jefferson ? Chega de impunidade !

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Recessão no Brasil, de bem com o FMI ?

Nunca antes na história deste país, a comunicação foi tão abusada, principalmente no governo Lula e pelos petistas de plantão, nos seus governos e mandatos no Congresso Nacional. Detentores de informações privilegiadas e por isso com uma percepção aguda de notícias ruíns para o conjunto do lulopetismo, sobra tempo para agir preventivamente e sacar factóides. Ontem, na hora em que o IBGE divulgava, pelo segundo trimestre consecutivo, a queda do PIB – Produto Interno Bruto, com sinais concretos de recessão no país, uma overdose: Lula "entrava para a história emprestando dinheiro ao FMI" (US$ 10 bilhões), anunciava a taxa básica de juros de 1 dígito (9,25%), prorrogava de novo a isenção do IPI na compra de veículos e liberava dinheiro devido da contrapartida federal às obras do Rodoanel de São Paulo (R$ 300 milhões). Isto é, pura política de comunicação esperta, oportunista e eficiente.

Nenhuma linha mais grave, em todas as mídias, sobre o estado de recessão a que o desgoverno Lula põe o Brasil. Nada sobre a incapacidade administrativa e de gestão, quando se observam os números baixíssimos de investimentos nas obras de infraestrutura do PAC. Execução e desembolso reais são débeis e não superam a casa de 15% dos montantes anunciados e propagandeados pelo governo federal. Aliás, investimentos que não acontecem porque a prioridade do lulopetismo é aumentar gastos com custeio de atividades meio, principalmente com a folha de pagamentos dos seus militantes que aparelham a máquina pública em todos os níveis.

De todas as medidas anunciadas, nesse chafariz de "boas novas", muito pouco beneficiará efetivamente as pessoas, que são eternamente gratas pela Bolsa-Família e que não tem a capacidade de discernir sobre os efeitos concretos da redução dos juros para os nossos bolsos ou das empresas nacionais. Para nós, os juros anuais ainda estão no patamar de 50%, mas a propaganda do governo Lula logo fará que a maioria acredite que torramos, "apenas", quase 10%.

Por isso é grave a queda do PIB, apontada pelo IBGE. Economicamente estamos nos atolando aos poucos, e o pior: sem perceber. A taxa de investimento no primeiro trimestre de 2009 foi de 16,6% do PIB, inferior à do mesmo período no ano anterior, que foi de 18,4%. A taxa de poupança, por sua vez, alcançou 11,1% do PIB, a menor taxa da série iniciada em 2000.

Na indústria, todos os subsetores apresentaram taxas negativas. A principal queda foi na indústria de transformação (-12,6%), a maior da série (desde 1996) nessa base de comparação, influenciada principalmente pela redução na produção de máquinas e equipamentos, metalurgia, veículos automotores, mobiliário, vestuário e calçados. Também houve retração de 9,8% no valor adicionado da construção civil, seguida por eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (-4,2%) e extrativa mineral (-1,1%).

Não é possível achar que a maioria do povo continuará imune à uma palavra nova, que também possa representar uma esperança. Espetáculos e manipulações têm limites ! Essa "Ilha da Fantasia" vai custar caro no futuro, para consertar !

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Tucanos têm um mapa para 2010 .

O PSDB revive um velho dilema: cobrado insistentemente pela fraqueza da sua comunicação, que é possível reestruturar a toque de caixa, a exemplo de outras legendas na atual conjuntura política, ainda não sabe qual mensagem o partido deseja passar para a sociedade brasileira. Ainda bem que essa deficiência é cíclica e pode se modificar com mais direção e unidade dos seus quadros. Mas, em que pese atualmente as projeções individuais dos governadores José Serra e Aécio Neves, para a presidência, e Geraldo Alckmin para o governo paulista, há uma pergunta que deve preocupar os seus principais estrategistas partidários: "O PSDB, o DEM e o PPS, por exemplo, falam em nome de quem hoje ?"

Em 1989, na primeira eleição direta para a presidência da República, o discurso da redemocratização e da correção de muitas mazelas dos governos autoritários, pareceu e foi mais eficiente, principalmente quando se atribuiu fortes pitadas de demagogia: "caçador de marajás…" Essa história não acabou bem para o eleito, Fernando Collor, e o seu sucessor, vencedor em 1994, Fernando Henrique Cardoso, teve uma das maiores bandeiras da história econômica deste país, o Plano Real e a estabilidade da economia.

FHC não precisou de comunicação partidária, porque havia uma identificação da sua figura como o responsável pela melhoria na situação econômica de todos os brasileiros. Em 1998, no meio de crises internacionais, FHC foi reeleito, para manter o país em mãos seguras e experientes no comando de situações críticas. Em 2002, Lula reviu conceitos e posturas, recolheu bordões e toneladas de adjetivos, para dizer ao eleitorado que não deveria ter medo de ser feliz, que manteria a estabilidade econômica, desenvolvendo mais a rede de proteção social iniciada por FHC, com o Bolsa-Escola Federal principalmente.

Isso tocou a alma do povo, porque Lula radicalizou na manutenção da política econômica e na ampliação das políticas compensatórias de renda com o Bolsa-Família. Apesar da sua popularidade, Lula têm fraquezas inexploradas, tanto por Serra quanto Aécio – gestão eficiente, combate ao desperdício de dinheiro público, redução do número de cargos para apadrinhados políticos e investimentos em obras essenciais para a infra-estrutura brasileira (neste caso o em(PAC)ado programa de aceleração do crescimento).

Falar em campanha agora, no momento em que os partidos concentram esforços para conquistar alianças estaduais, e somam Serra e Aécio pelo Brasil, seria um abuso. Mas deixar para a campanha, as principais idéias-força e os elementos que diferenciam a condição atual de oposição, do PT, é uma debilidade da própria direção do PSDB.

Acho que esse dilema histórico ocorre porque o PSDB não ocupa o papel central na dinâmica eleitoral, para dar sentido às suas plataformas políticas, no campo da social-democracia brasileira. Forjado nesse papel, óbvio e correto, a comunicação fraca de hoje terá muitas linhas para o seu trabalho com todas as ferramentas técnicas possíveis. É certo que os índices de volatilidade eleitoral, as declinantes taxas de identificação partidária e o personalismo crescente, nas decisões eleitorais são evidências da  fragilidade dos partidos políticos e da frustração dos seus militantes, simpatizantes e eleitores.

Nota: Charge de Angeli, publicada na ‘Folha de São Paulo’, de quinta-feira, 9 de junho de 2009.

 

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Deixa o Egológico Carlos Minc prá lá ?

O jornal ‘O Estado de São Paulo’ descreveu o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), como um ser "egocêntrico e desprovido de senso de medida", no editorial intitulado ‘Um estorvo para o meio ambiente’ (4/6/2009). Quando ele foi convidado para substituir a senadora Marina Silva, que  formava uma linha dura contra as obras do PAC – dependentes de autorizações ambientais e os desmatamentos na Amazônia por pecuaristas, Minc assumiu com a fama de gestor eficiente e mais produtivo. No entanto, com o seu jeito espalhafatoso de ser, que não mede palavras para aparecer na mídia e atacar ruralistas e colegas do ministério lulopetista, como Marina fazia discretamente, ele se exibe de tal forma que está virando motivo de chacota em todas as esquinas. Justamente quando precisaria de mais respaldo para combater os desmatamentos e garantir o apoio do Congresso Nacional para mudar a lei de licenciamentos ambientais.

Quando o ‘Estadão’ fala em estorvo, o faz porque Minc é uma pedra no sapato dos empreendedores ou porque ele não consegue manter um diálogo em bom nível com todos os atores envolvidos nas questões da sua responsabilidade ? O Brasil registrou mudanças profundas na legislação ambiental, a partir da promulgação da Constituição de 1988. Nos últimos tempos há consenso em atualizar o Código Florestal, em vigência desde 1965, adaptando-o às novas diretrizes ambientais no país. Mas o PT, estratégicamente, propôs projeto de lei para flexibilizar essa legislação, organizando um discurso apropriado sobre a questão ecológica para 2010. Será que é pra valer ou estamos diante de novos factóides ?

Fica difícil entender qual o verdadeiro perfil da defesa governista federal do meio ambiente. A senadora Marina Silva mantém o seu discurso vigilante no Congresso Nacional, apontando as divergências profundas entre o meio ambiente e a agricultura. Tanto Marina, quanto Minc enfrentam duramente os golpes de "setores econômicos e forças políticas que nunca assumiram compromissos com o desenvolvimento rural sustentável, com base na justiça social e na preservação ambiental". Outro dia o ministro Minc disse que "obedece ordens do presidente Lula; se é para fazer eu faço!" (tsk)

Espetáculos à parte, assino embaixo das opiniões de que não adianta mudar o ministro, porque o conflito é estrutural e mundial. FHC escreveu que "colocar a questão em termos de oposição entre o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental é mera cortina de fumaça, seja para continuar a desmatar sem cautela, seja para travar uma luta ‘pseudoprogressista’ contra a agricultura". Por isso é fundamental revisar o Código Florestal, para que ele fique mais próximo da realidade e atenda às necessidades do país.

A Capital paulista, por exemplo, acaba de dar um exemplo com a aprovação e sanção da lei municipal sobre as mudanças climáticas da Cidade, prevendo a redução de 30% das emissões dos gases que causam o efeito estufa até 2012 (desde 2005 até hoje, São Paulo já conseguiu reduzir 20% esse índice, com o início de funcionamento das usinas de biogás nos aterros São João e Bandeirantes e outros programas de saneamento ambiental, como a Inspeção Veicular, que será intensificada.

Alternativas e soluções para sobreviver melhor no futuro importam mais que a permanência de ministros. Diga-se, de passagem, sobram ministros no governo Lula, sem observar a importância da sua multifuncionalidade. O mesmo Lula que já afagou os "aloprados", não pode permitir que se proliferem as "algazarras". A hora das decisões é agora e esse tema precisa ser tratado com muita transparência e participação da sociedade. Não pode faltar governo na direção do meio ambiente sustentado ! Afinal, somos um país com leis !

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Educação com professores e livros !

Paulo Renato Souza, quando ministro da Educação no governo FHC, foi o responsável pela avaliação dos livros escolares e também pela chegada dos exemplares aos estudantes antes do início das aulas. Parecem atitudes óbvias, de tão essenciais, mas isso não acontecia no Brasil. Paulo Renato conduziu também inúmeras reformas na Educação, a partir da sua gestão no ministério. FHC chamava esse trabalho de "revolução silenciosa" e o seu ministro, que fora secretário do mesmo setor durante o governo Montoro, nos anos 80, retornou à pasta na equipe do governador José Serra. Curiosamente, há pouco mais de um mês na secretaria de Estado, pronto para realizar o seu plano de trabalho, decidido pelo desafio de melhorar a qualidade da Educação, pipocam notícias sobre falhas praticadas pelo governo estadual na escolha dos 818 títulos de livros didáticos, de 80 diferentes editoras, distribuídos para a rede estadual de ensino. Não tenho receio de afirmar que esse fato cheira a sabotagem.

Cerca de cinco títulos didáticos e paradidáticos apresentaram distorções de conteúdos, linguagem e exemplos para crianças e adolescentes. Outro dia lí uma "denúncia" de parlamentar do PT alegando que havia um livro ensinando a produzir uma arma letal e que isso era "um absurdo do descaso com a educação das nossas crianças". Comentaristas de plantão em todas as mídias acionaram as suas metralhadoras giratórias, tentando ofender a história de Paulo Renato e do próprio governador Serra, a pretexto de carimbar a falsa impressão do descompromisso estadual com a Educação.

Ora, é evidente que tudo não passa de um jogo político, logo agora que o governador paulista encarregou um dos setores mais importantes do seu governo a um ex-ministro, figura das mais experientes e comprometidas com a Educação. Antes de Paulo Renato, a professora Maria Helena Guimarães Castro já realizava um excelente trabalho e experimentava reações adversas ao seu choque de gestão, principalmente quando verbalizou que o grande impacto no setor foi percebido ao reconhecer alta e claramente que os professores não são suficientemente preparados para lecionar, nem quanto ao rumo e método, nem quanto ao conteúdo.

O desafio de Paulo Renato começou por aí, num território de violência e agressividade em algumas escolas, na análise furada de alguns membros de comissões de especialistas educacionais – responsáveis pela avaliação dos livros comprados desde a gestão de Maria Helena, nos primeiros passos do novo secretário para criar uma verdadeira escola das escolas, para formação de professores, diretores e funcionários.

Nos sites de busca de informações encontrei algumas opiniões preocupantes sobre a rede de escolas estaduais paulistas: "Ela constitui um todo caótico onde, geralmente, alunos não estudam ou não conseguem estudar, professores não ensinam ou não conseguem ensinar, coordenadores não coordenam, diretores não dirigem, supervisores não supervisionam, dirigentes não gerem e não concebem".

Por isso sobra a impressão que a sabotagem da secretaria foi dirigida à opinião pública, para desmoralizar. Quem poderia acreditar que uma instituição como a Fundação Vanzoline, com curriculum renomado e inúmeros trabalhos de repercussão nacional e internacional, imprimiria um livro com a duplicação do Paraguai ? Quem ousa acreditar que Paulo Renato ou o próprio governador Serra fariam vistas grossas para o desleixo com os conteúdos dos livros distribuídos aos escolares de todo o Estado de São Paulo ?

Não é o caso de justificar um erro com a comparação pura e simples dos erros dos outros. Se os tucanos pagam um elevado preço pelos cinco títulos que estão longe das salas de aulas e das bibliotecas das escolas, desde a primeira informação sobre o acontecido, o quê dizer da denúncia divulgada pelo jornal "Agora" sobre a distribuição recente, pelo MEC, do livro "Um Contrato com Deus", contendo cenas de violência, sexo explícito, estupro e até pedofilia.

E sobre as críticas do presidente Lula, em mais um de seus discursos de improviso, à política de educação do governo de São Paulo: "nunca mais o mapa do Brasil vai ter dois paraguais" (sic). Sem comentários de minha parte. Por outro lado, é evidente que houve um erro na secretaria e é sabido que há uma sindicância para apurar o caso e punir os responsáveis. Confio na capacidade e na experiência do secretário Paulo Renato e na obstinação do governador Serra, para responder também ao anseio da sociedade, que tudo faria pela melhoria da qualidade da educação e da formação de todos os brasileiros, com a urgência que lhe é devida !

Monteiro Lobato deixou uma frase antológica: "Um país se faz com homens e livros". Para a reflexão dos prezados leitores faço a seguinte adaptação: Uma Nação se faz com homens, livros, professores e educação !

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De repente, quase a PEC da re-reeleição.

Num exercício dialético escrevi que o debate do quarto mandato logo, logo, seria pautado e não esperava que cinco deputados do PSDB e oito do DEM quisessem mais Lula-lá ! Acho que realmente eles não queriam a tramitação da PEC (proposta de emenda constitucional) do terceiro mandato proposta pelo deputado Jackson Barreto (PMDB-SE). Pressionados pelos seus partidos – Rogério Marinho (PSDB-RN), Antonio Feijão (PSDB-AP), Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), Eduardo Barbosa (PSDB-MG), Silvio Torres (PSDB-SP), Francisco Rodrigues (DEM-RR), Jorge Khoury (DEM-BA), José Carlos Vieira (DEM-SC), José Maia Filho (DEM-PI), Walter Ihoshi (DEM-SP), Clóvis Fecury (DEM-MA), Fernando de Fabinho (DEM-BA) e Félix Mendonça (DEM-BA) – retiraram as assinaturas dessa proposta e foram responsáveis pela suspensão da sua tramitação. Por pouco estaríamos discutindo o quarto mandato…

Não sei o que passa pela cabeça de um deputado ou senador lá em Brasília. Imaginava que sabia antes de testemunhar que muitos deles assinam as mais variadas propostas exibidas nos corredores do Congresso Nacional sem ao menos ler o conteúdo. O próprio senador José Sarney admitiu que recebia irregularmente o auxílio-moradia (ele mora em Brasília em imóvel próprio) e que não percebia o valor de R$ 3.800,00 no seu contra-cheque desde o ano passado…

O Parlamento precisa sair logo da berlinda. Todo dia há um motivo diferente para questionar o seu comportamento político. Se os desavisados assinaram sem ler, sobra um alerta para que tenham mais atenção da próxima vez. Se estavam convencidos de que o apoio a PEC determinaria punições e a expulsão das suas atuais legendas, com certeza mostraria a desconfiança de que pode haver uma janela de infidelidade para o troca-troca partidário, buscando siglas mais fáceis de conseguir uma reeleição no ano que vem.

Se foram seduzidos pela máquina no governo, em busca de verbas orçamentárias para as suas paróquias, bom para as paróquias e ruim para a dignidade do Congresso. Se querem Lula-lá outra vez estariam em partidos errados, justamente porque PSDB e DEM constroem a unidade nacional em torno de um nome do PSDB. Mas, se assinaram logo no início a proposta de PEC do deputado Jackson Barreto, para desmobilizá-lo de conquistar mais assinaturas além das 171 necessárias, agora os 13 podem ser cumprimentados como heróis da oposição: pois, com a retirada dos seus autógrafos polêmicos, eles barraram momentaneamente a tese da re-reeleição de Lula, governadores e prefeitos.

Pronto, estão a salvo !?

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Desvendar olhos, só com Educação !

Todo dia me pergunto sobre a razão de tantas crianças e adolescentes pegarem um atalho para a violência e o crime. As vítimas, como a menina Gabriela, de 8 anos de idade, que morreu em um assalto em Rio Claro, Interior de São Paulo, turbinam as estatísticas e duvido que incomodem mais o presidente Lula, que não cansa de reproduzir os seus (de)feitos em números nunca antes vistos, bem longe do foco das ações preventivas nas escolas, comunidades estudantis e famílias. Não lí até agora uma linha de projetos reais do governo federal para a melhoria da qualidade da educação, além das bolsas isso e aquilo. Sem alternativas, a redução da maioridade penal voltou à pauta do Congresso Nacional. Esse é o único caminho ?

Educadores responsáveis e comprometidos com a recuperação da educação no Brasil promoveram uma revolução silenciosa durante o governo FHC. Mudanças iniciadas com a reorganização e fortalecimento do papel do INEP, para que o país dispusesse de dados e estatísticas educacionais acreditados. Em seguida definiram os sistemas de avaliação do ensino básico e criaram e implantaram o Fundef, um fundo específico para o desenvolvimento de ações educativas e valorização dos professores.

Com mais dinheiro público carimbado para a educação básica, foi possível criar a TV Escola, elaborar parâmetros curriculares nacionais, avaliar o livro didático e fazer que ele chegasse nas escolas antes do início do ano letivo. Com tudo isso posto e realizado, FHC e o seu ministro Paulo Renato realizaram os programas "Toda Criança na Escola" e "Bolsa-Escola Federal", para universalizar as matrículas e estimular que meninas e meninos permanecessem na escola.

Não houve tempo para o desafio posterior, da melhoria da qualidade da educação. Acho que o presidente Lula acerta quando relembra o afastamento da classe média das escolas públicas, a partir dos anos 60. Não foi uma desistência pura e simples da luta pela melhoria da qualidade do ensino. As escolas particulares mais tradicionais sempre ofereceram melhores resultados para os seus alunos. O descompromisso dos governos antidemocráticos com a educação geral do povo brasileiro, em especial no período entre o golpe de 1964 e o ano de 1985, favoreceram essa migração para escolas pagas.

O desafio agora é para reconquistar a confiança da classe média nas intenções do governo federal em promover melhorias além do discurso fácil. Isso passa por ações preventivas e de valorização da presença e da participação das famílias na vida dos alunos. As crianças e os adolescentes brasileiros precisam dessa atuação verdadeira e decisiva.

A falta de cuidados básicos com a educação submete a sociedade ao risco de produzir seres despreparados para a cidadania. Por isso não vale apenas lamentar o ocorrido com Gabriela, baleada na cabeça por um rapaz de 17 anos que já tinha cometido um outro crime em Rio Claro e libertado pela Justiça. A notícia é chocante e continua repercutindo em todas as mídias.

A educação não é culpada disso. A falta de educação é responsável por essas deformações. Parece muito fácil reduzir de 18 para 16 anos, a idade para que um menor possa ser responsabilizado criminalmente. Faremos justiça, se for assim. Mas quem será capaz de oferecer outro caminho sem escolarização e sem a redução das desigualdades tamanhas neste Brasil ?

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A vez das “Passeatas Virtuais” .

Se não há consenso para encaminhar e aprovar uma Reforma Política no Brasil, por causa da visão superficial e dos interesses próprios de muitos parlamentares no Congresso Nacional, o uso da Internet nas próximas eleições será avassalador. Em todo o mundo as campanhas aumentam seu escopo e atingem públicos que jamais atingiram, principalmente os mais jovens. A troca online de informações ocorre fora do controle dos partidos e dos métodos tradicionais. As redes sociais orkut, facebook, twitter, o youtube, os blogs e sites, não puderam ser utilizadas pelos candidatos em 2008 porque o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) não sabia distinguir essas ferramentas dos materiais tradicionais – faixas, banners, camisetas. Foram determinadas regras duras a pretexto de impedir qualquer abuso.

É impossível atrasar mais essa tendência digital. Dados estatísticos e estudos mostram que o número de celulares no Brasil ultrapassa 150 milhões de unidades e que a Internet prospera em quase todos os sentidos: hoje os usuários somam 65 milhões de brasileiros, a televisão será ultrapassada em 2010, como a publicidade na Internet já ultrapassou as TVs por assinatura. Dick Morris, consultor em marketing político, que ajudou a eleger Bill Clinton presidente dos Estados Unidos em 1992, disse que a Internet substituirá a televisão como força dominante na política.

Mas já não é possível achar que a Internet é uma arma política que ainda poucos sabem usar. Faz três anos ouvi uma palestra de FHC, argumentando que era fundamental achar outras maneiras de chegar ao eleitor e citou a Internet como a ferramenta para o sucesso dessa estratégia. Hoje todo mundo está pensando igual, principalmente com a divulgação ampla dos exemplos da eleição de Barack Obama,  na mobilização e organização dos eleitores, e na arrecadação de fundos para a sua campanha.

Fernando Gabeira, no Rio de Janeiro, no ano passado também realizou uma das campanhas mais limpas da história do país. Mesmo sujeito às regras restritivas do TSE ele soube utilizar os recursos da Internet, de forma inteligente e estratégica, mobilizando o carioca no seu direito pleno de se informar, se relacionar, se organizar politicamente, trocar idéias antes de escolher nas urnas. Mas ele teve pela frente um Eduardo Paes articulado, com uso eficiente das mesmas ferramentas virtuais e do ascendente poder político do governador Sérgio Cabral.

A lei eleitoral em vigor prevê que os espaços da mídia na Internet sofram as mesmas regulamentações dos demais espaços midiáticos, mas não regula os espaços dos candidatos na Internet. A liberdade no uso das ferramentas virtuais da Internet também configura um avanço sem precedentes, aproximando da política os milhares de brasileiros que hoje usufruem da tecnologia para a informação, comunicação, entretenimento e definição na disputa pelo poder, quando essa questão é levada em conta. É certo que a questão da exclusão digital emergirá nesses debates preliminares, porque a Internet ainda não é uma mídia de massa.

A utilização crescente dos computadores, inclusive nas regiões mais carentes do Brasil, logo favorecerá a interpretação positiva de que é o meio mais democrático, porque nunca houve uma forma tão rápida, expansiva e com capacidade de conectar tantas pessoas de todo o mundo para uma militância virtual e mais engajada. Esse tema precisa entrar na agenda política do Congresso. A experiência deste blog e de tantos outros espaços virtuais muito mais frequentados que ele mostra que foi na rede e não nas ruas que se organizaram os maiores protestos que se sucederam aos escândalos do mensalão, dos cartões corporativos, das passagens de aviões e por aí vai …

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Logo, logo, o debate do quarto mandato ?

Depois de ser chamado de "o cara" pelo presidente Barack Obama e de continuar surfando nos elevados índices de popularidade, Lula apenas sorri quando ouve deputados da sua base defendendo um terceiro mandato. Com Hugo Cháves foi assim. A Venezuela aprovou em plebiscito reeleições ilimitadas. No início da semana, o senado colombiano aprovou a convocação de um referendo para reformar a Constituição e permitir a eleição de Álvaro Uribe para um terceiro mandato. Enquanto ninguém pauta a discussão de um novo projeto de governo para o Brasil, o Congresso Nacional se encarrega de arquivar idéias para uma aguardadíssima Reforma Política e logo, logo, deve abrir um debate sobre um quarto mandato, aceitando de uma vez o modelo "chavista" por aqui.

Sexta-feira passada circulou uma notícia sobre a contratação de uma pesquisa, pelo PSDB, partido mais cotado para a sucessão presidencial, sobre as expectativas da população e os efeitos de um terceiro mandato para Lula. Conforme o jornal Folha de São Paulo, o levantamento, com mil entrevistados, está sendo realizado pelo Instituto Análise e deverá ser apresentado à Executiva Nacional do partido no mês que vem.

O Plano B do PT pode ser Lula de novo ? "Este assunto voltou à baila com a doença da Dilma. Tem gente séria preocupada com essa possibilidade", diz o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas, presidente do Instituto Teotônio Vilela. "Há 80 mil petistas na máquina pública. Eles não querem sair de lá e não pensam que terceiro mandato é uma maluquice." (Painel da Folha)

Ora, todo mundo sabe que a perpetuação de uma liderança é ruím, num país em que há muitos quadros políticos e gerenciais excelentes, inclusive despontando na preferência do eleitorado, como é o caso do governador José Serra que nesta semana mantinha em consulta contratada pelo PT ao Instituto Vox Populi, índices variáveis de 36 a 43%. Ao mesmo tempo, a falta de consenso nas reuniões entre os parlamentares em Brasília, para possíveis remendos na legislação eleitoral, revelam que a maioria parece aguardar um sinal do próprio Lula sobre o que ele realmente deseja.

Mas já pululam nas manchetes de todas as mídias, especulações sobre um referendo com o povo brasileiro ou uma prorrogação de mandatos para coincidir com as eleições municipais de 2012. Sem falar na contradição dos defensores das chamadas listas partidárias fechadas e agora da janela de infidelidade partidária, reduzindo de um ano para seis meses o tempo de filiação para disputar qualquer eleição.

Enfim, falta o maior engajamento da sociedade nesse debate nacional. Não se ouve um pio da OAB, ABI, UNE, centrais sindicais etc. Será que há unanimidade em torno da aprovação do governo Lula ? Será que não há ninguém melhor que ele ou que o seu jeito de governar para se viabilizar como uma alternativa para o país ? Agora, se estas perguntas forem difíceis de responder e ele conseguir, no voto popular, o terceiro mandato, o quê afastará a hipótese de um quarto ?

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Na CPI e nas ruas, pela Petrobrás !

Excelente a idéia do PT, de promover uma série de atos públicos em defesa da Petrobrás. Todo mundo sabe que uma CPI tem data para começar e que o Congresso Nacional a transforma em palanques políticos, fugindo do seu foco principal. Por isso mesmo alguns governos resistem a iniciativas do gênero, porque o desvirtuamento do tema leva ao raciocínio simplório de que é politicagem e que acabará em pizza. No caso da Petrobrás penso que tudo vai ser diferente, porque é uma empresa transparente, patrimônio do povo brasileiro e sobre a qual não deve sobrar dúvida em relação à sua gestão, mesmo com o aparelhamento político que o PT tem feito nos seus quadros de direção.

A Petrobrás sairá fortalecida, por isso acho que os partidos de oposição – PSDB, DEM e PPS – devem contribuir para mobilizar os atos em sua defesa. Já esperava que os lulopetistas, habituados em terrorismo político, inventariam a versão de que a oposição quer privatizar a Petrobrás. É sempre assim, mas uma empresa como a Petrobrás, com o volume de investimentos e perspectivas que tem pela frente com as novas descobertas e a sua autosuficiência, não pode ter a sua imagem maculada, apenas porque os petistas desejam esconder os indícios de fraudes nas licitações e contratos para reforma e construção de plataformas de exploração de petróleo; indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco; denúncias de desvios de dinheiro dos royalties; denúncias envolvendo a ANP e usineiros e o uso de artifícios contáveis que levaram à redução do recolhimento de impostos.

A Petrobrás não pertence ao PT, ao presidente Lula ou aos seus aliados políticos de ocasião. Inclusive acho uma perda de tempo estruturar estratégias ou justificativas para dizer que este ou aquele partido não quer a privatização da Petrobrás. Ouvido pela imprensa ao longo da semana, o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, foi bastante claro ao expor a sua posição, como qualquer brasileiro decente, que não abre mão de saber "se há ou não deslizes graves na administração da companhia".

Ninguém quer a privatização da Petrobrás. Explicitemos isso nas ruas, no parlamento, pela Internet e por todas as mídias. Chega de ficar na defensiva, vamos manter nossos gestos tempestivos e juvenis pelo Brasil !

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