Blog do Raul

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Novas funções na Sabesp !

Semana passada assumi novas funções na Sabesp: a assessoria especial de Relações Institucionais. Depois de dirigir a superintendência de comunicação da empresa, desde fevereiro de 2007, e inserí-la num outro patamar de divulgação no Estado de São Paulo e no país, com as suas novas atividades e serviços, agora recebi a missão de articular os seus interesses no parlamento, governos estaduais e municipais, empresas congêneres públicas e privadas, e organizações não governamentais.

De acordo com o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira, a idéia é aproveitar o "bom trânsito que sempre" mantive com setores governamentais e não governamentais para a nova realidade da empresa, que está ampliando a sua atuação para outros estados, como Rio Grande do Norte, Alagoas, Espírito Santo e Santa Catarina, entre outros, e até para o exterior, como uma parceria firmada na Costa Rica.

Para a superintendência de Comunicação foi designado Adriano Stringhini, doutorando em gestão de políticas públicas pela Usp e que atuou como assessor de comunicação de Gesner Oliveira, quando este presidia o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica durante o governo FHC.

Coloco-me à sua disposição na Assessoria Especial de Relações Institucionais da Sabesp, Rua Costa Carvalho, 300 – Pinheiros – SÃO PAULO, SP – CEP 05429-900 – Telefone: (11) 3388 9519. E-Mail Corporativo: raulchristiano@sabesp.com.br Portal: www.sabesp.com.br ou E-Mail Pessoal: raulchristiano@uol.com.br

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Paulo Renato, da Educação !

Sou suspeito para fazer qualquer avaliação sobre Paulo Renato Souza, mas, sem dúvida, com a sua nomeação o governador José Serra eleva ainda mais o status de ministério de seu secretariado. Repete o feito de Franco Montoro, que nos anos oitenta contava com um secretariado representativo e extremamente competente; quase todos foram transformados em ministros após a redemocratização do país em 1985. Paulo Renato começou a se destacar na vida pública nessa época, como secretário da Educação de Montoro. Depois foi reitor da Unicamp e um dos ministros mais importantes da história do país. O governador Serra confirma, mais uma vez, seu compromisso com o setor.

A professora Maria Helena Guimarães Castro realizava um importante trabalho, pontuando a sua atuação com a implantação do sistema de metas por escola, dos bônus de incentivo aos educadores pelos seus resultados, dos programas de formação de professores e de recuperação de alunos em defasagem no quesito idade-série. Ela fez parte da equipe de Paulo Renato no ministério em Brasília, sendo considerada uma das maiores especialistas do Brasil na construção de indicadores da Educação, que refletiram no funcionamento efetivo do Inep – Instituto Nacional e Estudos e Pesquisas Educacionais, para o sucesso dos programas de avaliação das universidades, do ensino médio e da educação básica, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Paulo Renato tomará posse no dia 15 de abril e diz que veio para reforçar o time da Educação de São Paulo. Maria Helena, segundo o governador José Serra, continuará na secretaria como assessora especial. Antevejo sucesso nessa aliança de quadros importantes para a melhoria da qualidade do ensino paulista e para oferecer novamente os melhores exemplos para o país num setor tão essencial. Na secretaria, Paulo Renato, que atualmente representa o nosso Estado como deputado federal pelo PSDB, certamente propulsionará o tema da Educação, de modo que ele seja reintegrado à agenda nacional, hoje perdida num verdadeiro desmanche de conquistas importantes pelo governo Lula.

O Congresso Nacional, temporariamente, perde uma voz em defesa do setor. Mas a trincheira paulista dos tucanos revela novamente que para o PSDB a educação é uma prioridade. Isso justifica a decisão de montar uma seleção de educadores para enfrentar e vencer o atraso. Serra é um homem de visão. São Paulo melhor educado anima o Brasil para o futuro !

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Espetáculo de uma crise moral ?

Não parece curioso o foco da operação "Castelo de Areia" da Polícia Federal, que prendeu diretores da construtora Camargo Corrêa, acusados de realizar doações ilegais para partidos do bloquinho de apoio e da oposição ao governo lulopetista, enquanto a sua única obra superfaturada é de uma refinaria da Petrobrás em sociedade com a estatal de Hugo Chávez, a PDVSA, e o PT foi preservado ? Pois é, explicações à parte, em todas as mídias, e a defesa da "empresa bandida" foi assumida pelo ex-ministro da Justiça do governo Lula, o advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos. Quem tiver uma posição definida sobre o tema, não atire a primeira pedra.

As ações espetaculares da Polícia Federal têm causado muito em todo o país. Não se trata objetivamente de uma operação "Mãos Limpas", que poderia virar uma página de tantos maus exemplos, para uma prática moral e ética que envergonharia qualquer cidadão que ousasse pensar em vantagens advindas dos cofres públicos. Mas a nossa consciência vem sendo invadida por um mar de lama sem fim e sem tempo de refletir se há um fio de esperança no final desse túnel. Aposto na esperança, apesar dos pesares.

A classe política volta à berlinda com esse episódio, justamente quando o governo federal aceita que foi um equívoco achar que a crise econômica chegaria ao Brasil como uma "marolinha". Lula perdeu pontos nos seus índices de popularidade e o Congresso Nacional vive num emaranhado de cargos desnecessários de diretores no Senado e sem resposta para os comprovantes do uso dos R$ 15 mil mensais de verbas indenizatórias na Câmara.

Então, porque somente o presidente da República haveria de perder popularidade, mesmo que pontos escassos ? O sistema nacional reage, em plena democracia, contribuindo para desmoralizar instituições que precisam retomar a sua credibilidade, com a exposição do modelo de financiamento das campanhas eleitorais, a promiscuidade de alguns agentes públicos no seu relacionamento com fornecedores e a sensação de impunidade dos poderosos.

Não choca mais o Brasil, quando um senador respeitável como Jarbas Vasconcelos diz que o seu partido, o PMDB, é corrupto. Ninguém duvida que a invasão da Camargo Corrêa, amanhã, será tratada como uma atitude banal, apesar dos aparentes exageros da PF. Com certeza há muitas piadas criadas com os últimos acontecimentos, mas de concreto nada além da tentativa de demolir boas virtudes.

E a prisão da comerciante Eliana Tranchesi ? Exemplar, para assustar sonegadores ? E se a maioria do povo brasileiro decidisse não pagar mais impostos para reduzir as margens de recursos públicos para a corrupção ? Prenderíamos todos por mais de 90 anos ou interpretaríamos essa atitude coletiva de começo de uma revolução popular ?

São muitas questões sem resposta. Por isso volto ao começo desta reflexão, independentemente de uma posição pessoal, política, moral ou jurídica acerca das "ações ilegais" da Camargo Corrêa. Há que se investigar, apurar e esclarecer. Quantos elefantes brancos dormem na memória virtual ou nas páginas dos jornais, sem resposta ?

Ainda bem que o Brasil não perdeu a sua capacidade de indignação. Mas é impressionante a nossa capacidade de aceitar desigualdades sociais e dois pesos e duas medidas na aplicação das leis. Se as doações dos empreiteiros para as campanhas eleitorais no Pará têm recibos comprobatórios e parecem legais, ao contrário do relatório final da operação "Castelo de Areia", porque ficou menor o foco do denunciado superfaturamento de "módicos" R$ 70 milhões na refinaria Abreu Lima, em Suape, Pernambuco, pelas empresas dirigidas pelos afilhados políticos de Lula e Chávez ?

Enfim, por ora disponho dessas idéias-vitamina para o debate …

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Verdade debochada de Clodovil.

O Congresso Nacional tratou a morte do deputado federal Clodovil Hernandes de maneira protocolar. Busquei comentários de seus colegas na imprensa e na internet, e encontrei frases feitas, daquelas que cabem em qualquer lápide. Mas fiquei surpreso com as manifestações de internautas, talvez uma parte significativa dos seus quase 500 mil eleitores, revelando carinho, respeito, orgulho pelo seu jeito particular de interpretar o mundo, os mortais e a sua última experiência pública: a convivência com parlamentares, que no total somam 513 federais e que ele chegou a propor a redução desse número para 250, com um projeto de lei complementar. Quem perde com a morte de um representante popular tão debochado ?

Costuma-se dizer que os "donos da verdade" são debochados. Clodovil não se impunha assim, mas parecia natural que ele vivesse um papel nessa novela democrática brasileira, que é useira e vezeira em testemunhar uma enxurrada de votos em celebridades que se apresentam apenas para dizer que contestam tudo, que mudarão tudo quando chegarem lá. Quem já esqueceu dos antecessores de Clodovil – Doutor Enéas, Cacique Juruna, Zé Macaco, Cacaréco ? Refiro-me ao chamado voto de protesto, que na maioria das vezes conquista mandatos para excêntricos ou figuras que se destacam no anedotário nacional.

Não me sensibilizei com o troca de papéis do deputado Clodovil. Normalmente o Congresso apaga a chama desses personagens, porque, na condição de atores dos esquetes dramáticos ou geralmente cômicos, eles se perdem nos conchavos fora das mídias. Clodovil deu uma volta nesse cenário, preservando a visão da sua figura artística, extravagante, mas pura, crente, sincera, carinhosa e verdadeira. Suas manifestações polêmicas bissextas serviam apenas para aparecer no meio de um parlamento desgastado e cansado do modelo fisiológico e corrupto, de uma parte de seus pares.

Sobra-me ainda uma certeza sobre o Clodovil: ele não era um demagogo, apesar de tentar emplacar um projeto para reduzir o número de representantes do povo no Congresso Nacional. Sem dúvida isso soa demagógico, mas revelava o seu contraditório de fustigar sempre o seu entorno. Posso dizer que me surpreendi ainda pelos interessantes projetos de sua autoria, para tornar obrigatório e gratuito os exames de próstata em homens com mais de 40 anos ou para manter um serviço de atendimento médico, psicológico e social para as vítimas de violência sexual no país.

Sem entrar no mérito do seu comportamento pessoal e aparentemente individualista, essas iniciativas fazem reconhecer que era alguém antenado com a realidade, embora sua crueza estimulasse uma interpretação contrária dos seus desafetos ou admiradores. 

Pois é, acho difícil que a passagem de Clodovil em Brasília mude usos e costumes dos seus colegas excelências. Nunca antes na história deste país ví sobrar tanta vontade de aparecer e ser feliz ao seu próprio modo. Não vale parecer verdadeiro só para aparecer melhor que os outros. Vale conhecer melhor quem realmente se predispõe reformador, para compreender todos e ser menos injusto. Vai com Deus, Clodovil !

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Senador Jarbas Vasconcelos, presente !

O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) sempre foi uma figura admirável, mas ele não é o herói da vez. Depois da sua entrevista bombástica para as páginas amarelas da revista "Veja" houve quem se mostrasse surpreso com a sua coragem de avaliar os seus próprios companheiros de partido e de desnudar um pouco mais o jeito de fazer política no Congresso Nacional. Ressalve-se que o senador Jarbas em nada se compara com o último "herói", o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ). A um ano das eleições quase gerais no Brasil, Jarbas verbaliza o quê muitos cidadãos indignados engolem seco. Suas denúncias representam uma travessia entre o basta e a vontade de olhar nos olhos dos seus concidadãos sem nenhum constrangimento.

Mas é natural que surjam dúvidas sobre o comportamento de parcela importante de políticos, principalmente em relação à vergonha na cara. Não é assim o roteiro das conversas de corredor e dos finais de semana, quando entre um copo e outro de cerveja muitos castelos são desmanchados pela decepção ? O senador Jarbas Vasconcelos disse em outras palavras que a corrupção é a melhor amiga dos seus colegas senadores, deputados e ocupantes de cargos ou funções públicas. Generalizou críticas num momento pós-eleitoral para dirigentes das casas parlamentares em Brasília.

Acho que as suas críticas teriam mais consequência, se também apresentassem soluções pontuais que o cidadão comum não consegue imaginar possíveis. Se o descrédito estava instalado no Congresso, que quase não se manifesta sobre alternativas de enfrentamento dos efeitos da crise econômica mundial, o senador Jarbas Vasconcelos contribuiu muito para deixar claro que muito pouco deve se esperar dos atuais deputados e senadores. Imaginem ainda um cidadão vendo e ouvindo o ex-presidente Fernando Collor, agora à noite, eleito para presidir uma das comissões parlamentares mais importantes, a de Infraestrutura em tempos de PAC’s !?

Nos anos de 2005 e 2006 tivemos uma enxurrada de denúncias por causa do esquema do mensalão do governo. A percepção foi quase a mesma para uma parte dos analistas e políticos: certamente haveria uma renovação histórica entre os representantes dos partidos envolvidos no Congresso. Nada aconteceu ou frustrou o eleitorado cidadão, que daqui a pouco será transformado em bode espiatório, recaindo sobre si a responsabilidade pelo voto sem refletir sobre esses acontecimentos e conceitos públicos.

Por fim, registro a minha crença no senador Jarbas Vasconcelos. Não posso esquecer a sua obstinação em resgatar os valores morais e éticos na política. Parece contraditório, mas já vivenciei uma tomada de posição contrária aos rumos do PMDB à época da Assembléia Nacional Constituinte, nos anos de 1987 e 88. Em busca de uma legenda que respondesse claramente sobre a importância desses valores e que se apresentasse como uma alternativa para o país, ajudei a fundar o PSDB.

O fato admirável, apenas para citar um exemplo dos protagonistas da repercussão das falas de Jarbas à imprensa e ao Congresso, é que o senador pernambucano, juntamente com Pedro Simon (PMDB-RS) permaneceram no partido, que é o maior do Brasil, justamente para resgatá-lo e conduzí-lo a um melhor destino. Quem sabe no desenho de uma Reforma Política de verdade, o verbo vire realidade !?

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Sem vergonha de ser “pelego” !

Nunca antes na história deste país houve tanto patrocínio de movimentos sociais, como faz hoje o governo Lula. Depois do mensalão no Congresso Nacional, as suas baterias se voltaram para entidades históricas e combativas, que hoje se submetem ao Estado sem qualquer sombra de vergonha. Antigamente essa atitude era rotulada de "peleguismo", para identificar entidades e líderes que se justificavam como conciliadores dos interesses do trabalho e do capital. Essa ação, além de provocar o seu imobilismo, também permite a sensação de impunidade de alguns para invadir áreas rurais, destruir laboratórios de pesquisas, ocupar prédios públicos e até assassinar quatro seguranças, como ocorreu numa fazenda em Pernambuco.

A democracia é sem dúvida o melhor regime para garantir que essas atitudes não passem em brancas nuvens. A manchete da "Folha" do último domingo "constata" que ‘Crise revela despreparo de sindicatos’. Faz alguns meses, a jornalista Lúcia Hippólito "suspeitava" em seu blog sobre o possível renascimento do "peleguismo", enquanto Denis Rosenfield clareava ainda mais a sua opinião sobre o poder da "pelegada" no atual governo. Não me parece patrulha ideológica, mas essa discussão recoloca em pauta o uso desenfreado de dinheiro público, nos movimentos sociais camuflados em entidades como a CUT, Força Sindical, MST, UNE …

Na década de 70, por exemplo, Lula liderava um novo sindicalismo, que empunhava a bandeira contra a cobrança obrigatória do imposto sindical. No ano passado, quando foi aprovado o projeto que legalizava a existência das centrais sindicais, no acordo firmado com o governo federal ficou combinado que elas receberiam parte dessa grande receita, atrelando o movimento sindical ao Estado, sustentado pelo Ministério do Trabalho. Quando os deputados votaram pela extinção da fonte desses recursos houve ameaças de uma campanha popular para denegrir a imagem do Congresso. Perceba o comportamento dos "pelegos" fabricados pelo lulopetismo.

Imagine se isso acontecesse na época das lutas contra os governos militares e pela democracia !? Sem pestanejar, não tenho receio de achar que essas entidades logo seriam carimbadas de "pelegas", expressão pejorativa que indicava uma colaboração de classes via integração ao Estado. Não havia meio termo, uma parte dos atuais dirigentes do país apresentavam-se como moralmente puros e viam no mundo sindical de então um antro de colaboracionismo e de corrupção, sem representatividade.

Então, de onde esperar apoio e mobilização para buscar novas conquistas e mudanças, se a atuação das centrais sindicais, para enfrentar os efeitos da crise mundial no mercado de trabalho, como alertou a matéria da "Folha", revelam despreparo para defender o trabalhador, falta de sintonia com o cenário econômico e social e atrelamento de parte do movimento sindical ao governo Lula ? Pior ainda é que o governo Lula não se limita ao financiamento da bolsa pelego, mas também se omite em relação à falta de ação das principais autoridades do país diante do festival de abandono e violência que se constata hoje.

Para os leitores mais novos, cabe explicitar mais claramente o significado do termo "pelego", que andava em desuso pelos "companheiros", mas que sempre foi utilizado por eles para designar o líder sindical, trabalhador, que faz o jogo do governo e das entidades patronais. Aquele que se coloca como o "amaciador" das relações entre  Estado e trabalhadores.

O "pelego" é aquele que serve de correia de transmissão entre governo e trabalhadores, fazendo com que a política do Estado tenha maior aceitação entre os trabalhadores, se utilizando de fórmulas variadas, desde a defesa simples da política oficial até a desmobilização dos próprios trabalhadores. Referindo-se à "pelegada", o Barão de Itararé, precursor do humorismo no Brasil, afirmou: "O homem que se vende sempre recebe mais do que vale".

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Longo caminho até as prévias !

A idéia de promover "prévias" para a escolha do candidato do PSDB para a presidência da República é interessante, mas acho inoportuno que isso aconteça na contramão das pesquisas pré-eleitorais que dão ampla vantagem ao governador José Serra. A meu ver o PSDB deveria definir esse modelo mais democrático para as disputas posteriores a 2010, não só para presidentes da República, mas para governadores e prefeitos, quando houver mais de um pretendente.

Com um sistema organizado e suas regras claras para todos os filiados e simpatizantes, aposto que não estaríamos longe de uma transição normal das "prévias" para as "primárias", ao estilo da democracia americana, que sem dúvida contribuiram para o maior conhecimento da figura e das idéias de Barack Obama. Afinal, uma potencial disputa hoje entre Serra e o governador Aécio Neves, no meio do recadastramento de filiados que o PSDB promove em alguns lugares e com regras afobadas, a hipótese de divisão não ficará afastada. Dispersar agora, nem nos pensamentos !

O PSDB pode oferecer essa contribuição ao aperfeiçoamento da democracia brasileira. Ninguém, com um histórico de militância política e partidária, vai se posicionar contra uma consulta às bases, o suprasumo da valorização da democracia interna, que traz mais benefícios para o partido, graças ao espaço conquistado na mídia, a mobilização de filiados e a oxigenação partidária. Até hoje foram mambembes as experiências de escolha assim no Brasil. O PT, por exemplo, promoveu "prévias" em 2002, quando o senador Eduardo Suplicy insistia disputar internamente contra Lula, apesar da sua inferioridade nas pesquisas populares. Lula venceu dentro e fora do partido, conquistando o seu primeiro mandato.

Por outro lado, daríamos uma volta no controle partidário por cúpulas desalinhadas com a história e os antecedentes políticos, com a conjuntura política, com um projeto para a maioria da população e com a vontade das bases. Longe também de nos contaminar com lideranças partidárias que se forjam e se impõem à base de filiações em caixas de sapatos ou de laranjas. O terreno atual está minado. Hoje é impossível realizar "prévias" antes de se clarear o horizonte de mudanças e de se esgotar necessárias rodadas de entendimento sobre o destino do Brasil que está em jogo.

Fora esses dados de consumo interno do PSDB, que sem dúvida provocará logo convergências, principalmente pela capacidade de costura dos seus líderes e de todos aqueles que estão apostando num novo projeto para o país (projeto que aliás precisa ser logo exposto), é essencial que, paralelamente, os partidos se mobilizem para tornar livre o uso da Internet na vida partidária e nas eleições brasileiras, porque hoje é o instrumento mais democrático para a comunicação entre candidato e eleitor, da mesma forma que serve para atrair os eleitores mais jovens para a política, além de permitir que eleitores e partidários interajam mais mesmo que via cibernética.

Enfim, há muito a fazer antes das prévias no PSDB. Digo sem hesitação que há um longo caminho até elas. No entanto, se estes argumentos não forem suficientes, pelo entendimento, pela unidade e para a vitória em 2010, abro já o meu voto: Serra Presidente, Aécio Vice !

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Não basta amar, diga “eu te amo” …

Simone de Beauvoir, foto de Art Shay, Chicago, 1952.

Vou compartilhar com os meus leitores uma boa sensação deste Carnaval. Vale a pena deixar cair a ficha que política, economia, crises e outras coisas do dia a dia representam menos, quando comparados com o amor. Juro que não se trata de uma recaída poética e muito menos de novas sensações por causa de um amor novo. São os velhos sentidos que floresceram ao caminhar à beira mar e ao folhear uma matéria comportamental numa revista de julho de 2003.

Isto não é um roteiro de filme, mas a reedição de reflexões presentes e que geram sempre saudade. O título deste post é o mesmo da revista: “Não basta amar, tem que dizer ‘eu te amo’ – reflexões sábias de uma cronista de relacionamentos”, hum… bom para hoje e para sempre, hein !?

Tenho muitas histórias dos carnavais da minha vida. Nas primeiras fases dela, diga-se de passagem. Adolescência, juventude. Depois só alegria de aproveitar o tempo para descansar e refletir sobre o ano que está prestes a começar. Todo mundo diz que no Brasil o ano começa depois do Carnaval. Aceito parcialmente essa idéia, porque sou um pouco workaholic e não vejo intervalos na minha rotina de trabalho. Mas hoje à tarde sucumbi à leitura e ao mergulho natural no meu passado de escrever que minhas emoções seriam para sempre, que existiriam eternamente em mim, com mulher, filhos, família.

A revista feminina, para esclarecer mais, trazia a opinião da cronista e escritora Martha Medeiros, com olhar dirigido para uma expectativa de mulher, quando a meu ver caberia integralmente também para as ansiedades masculinas. No seu lead ela diz que “por mais certeza que uma mulher tenha do amor de um homem, ela quer, precisa, sonhar ouvir as três palavrinhas mágicas: eu te amo. Será difícil para nós compreender a importância dessa expressão ? Não acho.

Amar é renascer. Faz bem renascer com o nosso próprio biotipo, mais maduro e até senhor do mundo que nos envolve. Ninguém se arrisca antes de elaborar cenários que valem mais para a economia e a política. O planejamento amoroso pode intuir a um casamento, mas a racionalidade põe tudo a perder. Desse modo, quando há um clima de amor no ar, justamente nesse período do reinado de Momo, vale soprar as idéias e sentidos ao vento. Ninguém fará você refém do sentimento que não foi despertado em você, além daquele que nunca abandonou você, principalmente nos momentos mais decisivos.

Nem todo mundo gosta de Carnaval. Mas todos têm uma história passada nessa época, no Rio, em São Paulo, no nordeste, na praia, no Interior, no Exterior. Não sei se a experiência pessoal ainda proporciona lembrança de “beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é Carnaval !” Faz bem reviver na memória os amores que atravessam gerações e ainda simbolizam tanto, porque além do beijo houve um sentido e sonoro amo você, mesmo que se descobrisse apenas sonhando na janela de um trem !

Já disse as três palavrinhas mágicas hoje ? A foto que ilustra este post, de Simone de Beauvoir, é inspiradora.

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Fase crítica da “marolinha” …

Jamais me inclui dentre aqueles que apostam no quanto pior melhor, na política, na economia e até na torcida do futebol. Sou um otimista por excelência e me submeto às vezes ao silêncio reflexivo quando as coisas não vão bem no geral. Receio ser mal compreendido com as minhas interpretações num campo de visão, desde que me entendo como profissional de imprensa e militante de alguns ideais. Mas, a semana de précarnaval nos atiça para registros preocupantes de manchetes dos principais jornais do país: "Embraer demite 4.273, mas mantém investimento externo", "Demissão cresce; governo amplia seguro-desemprego", "Falta dinheiro no FAT para ampliar seguro-desemprego", "Lucro do Banco do Brasil cresce 74%" e "Bancos querem dividir riscos de empréstimos com o governo".

Quando os principais analistas alertavam o governo Lula para os efeitos da crise econômica mundial no horizonte do Brasil, tanto o presidente da República quanto os seus ministros desdenhavam por conta da estabilidade garantida pelo Real e, principalmente, pelas reservas financeiras do país. Quem esqueceu dos discursos lulopetistas comparando a crise à uma marola dos mercados ou transferindo a sua responsabilidade ao ex-presidente americano George W. Bush e aos especuladores ?

Pois é, para a preocupação de todos os brasileiros não ouvidos pelas pesquisas sobre a popularidade do presidente Lula, o país perdeu 102 mil vagas com carteira assinada em janeiro, no pior resultado no mês em dez anos. Desde novembro, foram cortados 797 mil postos de trabalho no mercado formal brasileiro. Mas o governo federal continua surfando na onda do sucesso, inclusive formatando o discurso político e de campanha antecipada da pré-candidata às eleições presidenciais de 2010, a ministra Dilma Rousseff, no velho estilo "deixa comigo" que as coisas continuarão no rumo certo, além de continuar apostando dos ventos da boa sorte.

Na verdade o governo Lula mantém a aparência de tranquilidade por causa da herança bendita dos governos Itamar e FHC, com o Plano Real, o Fundef – Fundo de Desenvolvimento da Educação e Valorização do Magistério, a Responsabilidade Fiscal, o Proep – Programa de Expansão da Educação Profissional e a rede de proteção social com os programas Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e Peti – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, apenas para citar algumas ações que os petistas rebatizaram.

O país necessita de mais governo e menos demagogia. A notícia que o FAT – Fundo de Amparo ao Trabalhador não tem condições de custear a ampliação do pagamento do seguro-desemprego de 5 para 10 parcelas, como cogita o governo ao planejar uma transformação desse benefício em "Bolsa Desemprego", sinaliza uma vez mais o caráter enganador do lulopetismo. Ao invés de pensar e focalizar a redução dos juros, o sucesso de políticas emancipatórias e o apoio para projetos de empresas que ampliem a oferta de emprego, eles insistem condenar os mais pobres à dependência financeira do Estado. Não é curioso que esse governo proteja os pobres, para que continuem assim e dependam dele para sempre ? Não fui pesquisado até hoje para aprovar isso !

Já lí e ouvi comentários que a fase crítica atual está sob controle e que a culpa é do Barack Obama (sic). Pelo amor de Deus, quando teremos uma resposta para todo o Brasil, a exemplo do que faz o governador José Serra em São Paulo, que monta um amplo plano de requalificação para o trabalho, justamente para atender quem perde o emprego hoje e necessita voltar logo para o mercado ? O próprio Banco do Brasil, que ampliou a sua capacidade de empréstimos e investimentos, mantém as maiores taxas de correções e juros do mercado, aparecendo como um banco público lucrativo. Não seria o caso de utilizá-lo para estimular o empreendedorismo com as condições melhores e preocupadas com a emancipação dos cidadãos e da capacidade de empregar no país ?

Enfim, para não dizer que não falei de crise, e sem torcida pela queda da popularidade do governo Lula, posto a minha contribuição ao debate neste Carnaval, entre marchas de más notícias dos cenários futuros.

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Paz e Bem, ò PSDB !

O fogo amigo no PSDB está ganhando proporções preocupantes outra vez. O partido, virtualmente vencedor nos cenários para 2010, encerra a semana nos espaços de mídia dedicados à intriga e à inabilidade políticas. Militantes, simpatizantes e o eleitorado do tucanato ficam perplexos com as sucessivas "crises" na legenda. Quem se delicia com esse novo momento são os analistas de plantão que, graças às plantações de notícias pelos próprios companheiros, preenchem os seus espaços de informação expondo egos e vaidades em desfile fashion. Vou chover no molhado reescrevendo que isso é ruím e que os principais líderes políticos deveriam realinhar comportamentos e vozes.

Na juventude estava acostumado ao centralismo democrático, indispensável na democracia interna dos partidos, para encaminhar as decisões de consenso, quer de pensamento, quer de ações. Esse sistema definia a necessidade de qualquer discussão programática, antes de ser resolvida, passar por debates pelas bases dos partidos. Parece utopia nas estruturas partidárias brasileiras? Não, justamente porque Ulysses Guimarães nos ensinava que antes de iniciar uma reunião política o desenho do consenso estava pronto e contemplava inclusive os pontos de discordância. Sabiamente ele encontrou uma solução tupiniquim para a organização dos partidos marxistas-leninistas, minimizando a exposição das rachaduras em evidência em quase todas as legendas partidárias: mais diálogo antes, mais entendimento.

Hoje temos ajudas científicas, além de uma capacidade maior de mobilizar forças para a construção de consensos. Pesquisas, indicadores, Internet, comunicação globalizada estão disponíveis para todos. Pena que ainda sobrem egos e vaidades, para sublinhar, ou sublimar (acho até mais adequado), os resultados que o país tem esperança de concretizar. Lula deve rir dessa situação, enquanto surfa em índices recordes de popularidade e aprovação de seu governo. Ele não tem oposição até porque as energias dela estão concentradas nas disputas internas, negligenciando o alvo principal. Isso pode consolidar cada vez mais a sua posição, para o quê quiser.

Então, sem entrar no mérito dos interesses em jogo, porque resultaria em um post  mais nessa maré de intrigas, acho que ainda há tempo para emplacar mudanças de comportamento e discursos, como os de Aécio Neves – que insiste não reconhecer as chances reais de José Serra se eleger presidente da República em 2010 – e da "bancada paralela" na Câmara dos Deputados, que se recusa a aceitar a "reliderança" de José Aníbal. Sei que é difícil uma equação dessa natureza, justamente porque a cultura basista no PSDB é relembrada apenas nos momentos em que o nome próprio ou o projeto pessoal de um pretendente não consegue o consenso.

Assim não vale!

"Paz e Bem", ò PSDB !!!

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