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Crise ronda a Petrobrás !

Primeiro a bem-vinda avalanche de descobertas de gás e petróleo no pré-sal da Bacia de Santos. Depois, em cadeia, o olho gordo do companheiro Hugo Chávez (Venezuela) com a maré brasileira de prosperidade, a expropriação das refinarias pelo companheiro Evo Morales (Bolívia), a ameaça do Tratado de Itaipu pelo companheiro Fernando Lugo (Paraguai) e o calote aos financiamentos do BNDES pelo companheiro Rafael Correa (Equador); sem convencer, a nossa autosuficiente Petrobrás aparenta dificuldades de caixa e recorre a empréstimos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Nunca antes na história deste país vimos um cenário assim. O quê se passa, heim Lula ?

O lulopetismo não sabe nadar e nas dificuldades dá sinal de que pode morrer afogado até nas marolinhas da crise mundial. Está cada vez mais clara a falta de um projeto de governo para o país, porque as decisões são sempre pessoais e sem critério técnico. Prevalece o populismo, a farra de contratações de apadrinhados e os privilégios para todos quantos concordam em esse jeito de ser. Quem paga e pagará essa conta ? Por exemplo, a pretexto de um alinhamento ideológico latino-americano setores do governo e do PT direcionam as suas decisões para acordos políticos que favoreçam mais os países dos companheiros. E nosotros ?

Todo dia os espantos se renovam em relação ao modo de governar da companheirada. Desta vez, nem a Petrobrás escapou. Uma empresa com resultados sempre muito bons, competente em tecnologia e com um cenário futuro bem próspero, em condições normais não necessitaria disputar empréstimos concedidos no mercado interno – escassos e mais caros – com empresas nacionais e muito menores, tendo em vista que possue ações cotadas no exterior e conta com acesso fácil ao mercado financeiro internacional.

Nessa marolinha, conforme Lula, a empresa justifica que as suas áreas de exploração e produção estão blindadas da contenção de gastos, mas que coisas mínimas como pó de café, cartões de Natal para os fornecedores, linhas celulares para gerentes, bolsas de estudo para técnicos, engenheiros e executivos, seja de idiomas, pós-graduação ou aprimoramento na profissão estão suspensas. Nenhum comentário dos lulopetistas sobre a ineficiência, o empreguismo e os gastos sem explicação, que não serão mais tapados pela afluência de dólares. Sobram dúvidas sobre a manutenção dos investimentos.

O senador Aloysio Mercadante (PT) respondeu a essas dúvidas do Congresso Nacional e dos analistas do mercado, com o argumento de que a Petrobrás teve de recolher grande volume de impostos e teve dificuldades momentâneas de capital de giro. Para ele, esse retrato que nos preocupa "é um ataque político que não tem consistência econômica e subestima a grave crise financeira. A oposição não apresenta nenhuma alternativa para o Brasil."

Pois é, como bem disse o presidente Fernando Henrique Cardoso, "o rei está nú, aqui, ali, acolá", sem respostas ao desgoverno, má gestão e ineficiência. O preço da crise, com a conduta dos lulopetistas, será muito alto ! E por falar em herança maldita …

 

Ilustração customizada do site www.sponholz.arq.br

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Petrobrás perde ISE. Sabesp renova !

No cenário das grandes empresas públicas brasileiras é comum dizer que a Sabesp está para São Paulo, assim como a Petrobrás está para o Brasil. Ambas de capital aberto e importantes nas suas atividades específicas no país e no mundo, o dia de hoje foi ruim para a Petrobrás, excluída do ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial) da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), que reúne empresas que se destacam pelos seus compromissos com a responsabilidade social e a sustentabilidade. Nesse quesito a Sabesp renovou a sua participação, pelo segundo ano consecutivo, fortalecendo a sua imagem como empresa de soluções ambientais.

A Petrobrás foi excluída por descumprir a resolução 315/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que determina a redução do teror do enxofre no diesel comercializado no Brasil a partir de janeiro de 2009. Essa infração é negativa para a imagem da empresa, porque denuncia a sua postura protelatória de uma medida que garantiria o uso exemplar de diesel mais limpo em nosso país. Ninguém comemora esse resultado.

Podemos afirmar que essa é uma das piores notícias dos últimos tempos, porque a Petrobrás é motivo de orgulho de todos nós por sua excelência tecnológica e compromissos com o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Atrasar esse cronograma, contribuindo para a preservação e o aumento da quantidade de partículas de enxofre no diesel brasileiro, torna a Petrobrás a grande culpada por graves doenças respiratórias na população (em sua maioria crianças e idosos), além da responsabilidade pela morte prematura de pelo menos 10 mil pessoas por ano.

A nova carteira do ISE reúne 38 ativos de 30 companhias que totalizam R$ 384,7 bilhões em valor de mercado, o que corresponde a 31,8% da capitalização total das 394 empresas com ações negociadas na Bovespa. As empresas participantes do ISE foram selecionadas entre 51 empresas que responderam a um questionário enviado às 137 companhias emissoras das 150 ações mais líquidas da Bolsa paulista.

A decisão foi tomada pelo Conselho do ISE, formado por Bovespa, International Finance Corporation (IFC), Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (ABRAPP), Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais (APIMEC), Associação Nacional de Bancos de Investimentos (ANBID), Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Ministério do Meio Ambiente e Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Instituto Brasil PNUMA). Exceto a representação do Ministério do Meio Ambiente, que se absteve da votação, porque o Governo Federal é o maior acionista da Petrobrás, todos os outros membros votaram pela exclusão da Petrobrás. Deixam também essa carteira: Aracruz, CCR Rodovias, Copel, Iochpe-Maxion e Weg.

Por outro lado vale comemorar a posição da Sabesp, responsável pela execução das políticas de saneamento básico do Governo do Estado de São Paulo, que permaneceu nesse grupo seleto de empresas em dia com o respeito ao meio ambiente e às vidas humanas. Para os investidores que sempre valorizam as ações de empresas que compõem a carteira do ISE, selecionadas justamente por causa das suas políticas corporativas práticas de gestão, desempenho e cumprimento legal das obrigações no que diz respeito à eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social, natureza do produto e governança corporativa, em que pese o passo em falso da Petrobrás, há que se observar também as ações de: AES Tietê, Banco do Brasil, Bradesco, Braskem, Celesc, Cemig, Cesp, Coelce, CPFL Energia, Dasa, Duratex, Eletrobrás, Eletropaulo, Embraer, Energias do Brasil, Gerdau, Gerdau Metalúrgica, ItaúBanco, Light, Natura, Odontoprev, Perdigão, Sadia, Suzano Papel e Celulose, Telemar, TIM Participações, Tractebel, Unibanco e VCP, além da Sabesp.

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Rádio, TV, Celular & Internet … Twitter !

É impossível imaginar um mundo sem Internet e Celular. Creio que estou repetindo a mesma sensação de meus avós com o rádio e de meus pais com a televisão. A vida ensina que essas invenções são mídias convergentes e complementares, observando uma larga vantagem para o Celular, que reúne essas opções e funções, além de relógio, despertador, câmeras de fotografia e vídeo, calculadora, agendas de telefones e compromissos, videogames, GPS, cartões de crédito etc. Mídias impressas continuarão a saga do jornalismo, mas a capacidade de ser mais instantâneo abduz gente de todas as idades para esse revolucionário mundo novo sem fronteiras.

Comecei a escrever um novo livro, desta vez sobre o uso das mídias e ferramentas virtuais na política. No ano que vem ele estará pronto e lançado. Na vitoriosa campanha de Barack Obama, nos Estados Unidos, pudemos observar a importância da Internet e das suas consequências instantâneas e mobilizadoras. No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira também optou por esse caminho e fez uma das campanhas mais limpas da história do Brasil. Recentemente um publicitário amigo disse que apostava no destravamento do uso da Internet nas próximas eleições brasileiras e na repercussão disso para o sucesso de candidaturas com conteúdo programático e interativo.

A democracia terá a sua plenitude. Vivi bastante essa experiência em 2002, quando disputei uma eleição para deputado federal e utilizei a Internet (site e e-mails) sem muita concorrência à época. Interagindo essa experiência eleitoral com os meios tradicionais (santinhos e faixas), desde então não me afastei mais do mundo dos portais, sites de relacionamentos, blogs. Minha prova virtual mais recente – além deste blog – é a exploração do microblogging Twitter.

O Twitter é a mais nova febre da Internet, para despertar o interesse dos seus interlocutores sobre o que estão fazendo ou pensando no momento. Três milhões de usuários estão registrados nessa onda. Na linguagem dos blogueiros o Twitter é a arte de blogar em pequenas dosagens de 120 a 180 caracteres por post. Muito longe de textos analíticos e compridos como este. Experimente o meu endereço nele: http://twitter.com/raulchristiano

Enfim, para refletir sobre o uso da Internet e da preferência crescente dos usos múltiplos dos celulares vale lembrar que no Brasil o total de internautas que acessam a rede por seus computadores domésticos cresceu 26,1%. Na comparação com dois anos atrás, o crescimento foi de 78%, de acordo com pesquisa Ibope/NetRatings. Segundo o Ibope, 36,3 milhões de brasileiros acessam a Internet de casa, mas, considerando todos os tipos de acesso (residências, trabalho, escolas, lan-house, bibliotecas, telecentros) chega a 42 milhôes.

Você consegue viver à margem disso ?

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Políticos infiéis ou sem posição ?

Nas últimas eleições, para o eleitor comum, a chamada política de alianças partidárias foi entendida como um verdadeiro "samba do crioulo doido". Partidos que se confrontam no cenário nacional compartilharam barcos comuns e a disputa ficou caracterizada mesmo pelo foco nos problemas locais, mais que as divergências expostas nas TVs Câmara e Senado. Esse fato poderia ser interpretado como mero oportunismo, mas ficou evidente a falta de convicção ideológica e o de conhecimento das principais doutrinas partidárias. Então, como exigir fidelidade, se nem posição política os políticos têm ?

Pois é, os resultados estavam sendo anunciados pelos tribunais eleitorais e no Congresso Nacional um deputado federal do PC do B, Flávio Dino, defendia o relaxamento da fidelidade partidária com um projeto que prevê uma brecha para o congressista trocar de legenda, faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2010. Em 2007, o Tribunal Superior Eleitoral – TSE respondeu a uma consulta do DEM sobre a fidelidade partidária e afirmou que o mandato pertence ao partido e, no caso de mudança de legenda, os infratores poderiam ser cassados.

Ontem o Supremo Tribunal Federal confirmou a resolução do TSE, mantendo a punição para os casos de infidelidade por meio da troca de partido, até que o Congresso aprove lei mudando essa possibilidade como quer o deputado Flávio Dino e muitos outros, principalmente da base governista interessada em ampliar a sua força parlamentar. Porque acredito na importância do papel dos partidos num Estado democrático, acho que essa flexibilidade nos remete à estaca zero, favorecendo o balcão de interesses fisiológicos que imaginava um dia fosse sepultado definitivamente.

Esses movimentos enfraquecem os esforços no sentido de construir posições políticas sustentadas numa linha transformadora da realidade. Outro dia desprezaram bastante a ética e a moral na política. Agora, os que não acreditam na necessidade dos partidos minimizam a fidelidade aos seus ideais, até porque duvidam se eles os possuem.

Tenho certeza que o projeto da brecha infiel pode apresentar apoiadores que nos surpreenderão. Faz falta a convicção e a unidade necessárias dos partidos para responder a esse momento com a aprovação de uma Reforma Política. Quem sabe daí resultaria na análise da questão da fidelidade sob outra ótica, incluindo o respeito aos partidos, à coerência e à confiança dos próprios cidadãos. Vamos refletir ?

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O quê esperar de Obama ?

Em meio à crise econômica global, os americanos optaram por um facho de esperança e elegeram o democrata Barack Obama presidente dos EUA. No seu primeiro discurso repetiu que "os Estados Unidos são o lugar onde tudo é possível", mas ele sabe que nem todos os desafios à sua espera serão possíveis de resolver sem uma coalizão política e sem capacidade de gestão. A sua eleição foi uma atitude revolucionária num país conservador, que certamente já torcia pela volta do Super-Homem.

Ficção à parte, a impressão que se coleciona com as manifestações em todo o Mundo, é que a sua vitória eleitoral aconteceu justamente porque ele foi convincente, até como o melhor amigo do maior super-herói de todos os tempos, pregando que, sem mudanças, o futuro é incerto.

Estes comentários parecem óbvios, principalmente quando alerto para o espírito de coalizão política para enfrentar e tentar superar a crise. Obama acena para ter republicanos no seu governo e recebe as primeiras demandas para iniciar a recuperação do seu país, ao mesmo tempo em que poderia estender as mãos para quem não possui alternativa de sobrevivência.

Enfim, a vitória de Barack Obama valoriza a luta de todos aqueles que acreditam e defendem a democracia como o melhor instrumento para realizar a travessia do medo para a esperança. Há uma carga incomensurável de ações à sua espera, nos EUA e nos países que dependem do seu equilíbrio. Com Obama venceu o caminho do sonho sonhado por muitos e juntos, venceu o diálogo, a juventude, a renovação política. Isso é um alento que deve se manter à distância de qualquer frustração.

"Yes, we can" (sim, podemoso slogan de campanha).

Salve, Obama !

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Escolas que ensinam governar bem !

Dinheiro não é o problema principal e muito menos a solução para a melhoria da qualidade da Educação no Brasil. O caminho é a eficiência na gestão dos recursos, para por fim ao desperdício e à roubalheira. Nosso País precisa investir mais em capital humano e o Governo de São Paulo deu um importante passo nesse sentido, com o lançamento do Programa Escola de Gestão, em todo o Estado, que objetiva economizar milhões para reinvestir, obrigatoriamente, na Educação. Essa iniciativa merece aplauso, porque responde também às preocupações de dois grandes educadores e ex-ministros Paulo Renato Souza e Cristovam Buarque: "a Educação precisa ser vista como um investimento e não como um gasto."

As regras definidas para o uso do dinheiro público são cumpridas. O que falta é um padrão único para os seus procedimentos de compras, aplicações e utilização dos benefícios adquiridos. Isso é possível constatar nos gastos com telefonia, energia elétrica, água e materiais de consumo escolar. Com o programa Escola de Gestão, dirigentes escolares experimentaram bloqueadores de chamada nos telefones, troca de lâmpadas amarelas por outras que consomem menos energia e troca de torneiras e reformas na rede hidráulica.

A Secretaria de Estado da Educação contabiliza 5 milhões de alunos na sua rede de escolas e planeja obter economias de até R$ 100 milhões no primeiro do ano, que vai assegurar a construção de mais 40 unidades escolares de porte médio no Estado, além de disponibilizar mais recursos para a capacitação de professores e melhorias salariais e de condições de trabalho. Esses fatores são fundamentais para melhorar os níveis de aprendizado na rede pública.

Diretores, professores, alunos e a comunidade do entorno das escolas serão envolvidos nesse processo de aprendizagem administrativa e econômica para garantir outro futuro ao ensino paulista. Se mais dinheiro ou simplesmente menos despesas representam soluções, a palavra-chave é gestão, governo, competência.

Muitos leitores deste blog lembrarão com saudade dos tempos da escola pública de qualidade, nos anos 50 e 60. Representávamos um número menor de matriculados e é impossível comparar a estrutura educacional daquela época com os nossos dias, em que quase 100% das crianças de 7 a 14 anos têm uma escola para frequentar, desde o governo FHC. Houve a universalização do acesso e matrícula ao ensino e é comum observar a coexistência de escolas públicas boas e ruíns num mesmo município, às vezes num bairro em comum.

A melhoria não vai acontecer com mais discursos ufanistas ou pieguices. É preciso ação e acredito muito na capacidade da professora Maria Helena Guimarães Castro (secretária de Estado da Educação), porque o seu passado contribui muito para que o futuro da Educação seja de fato melhor para todos !

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2010 sem demagogia !

Houve uma recomposição do tabuleiro de xadrez político após o conhecimento geral dos resultados das eleições municipais deste ano. Mas toda vez que se fala sobre 2010 a preocupação menor é com a eleição de postes ou com o próprio PT. Resta saber qual a estratégia para superar o lulismo, porque apesar do sucesso público desse modelo não acredito que o povo brasileiro queira outro presidente da República popular, assistencialista e demagogo. Analistas de plantão acham que essa é uma opção de voto ideológico num momento em que, contrariamente a essa tendência, a confiança e a avaliação do desempenho político dos governantes foi mais considerada na disputa deste ano. Sem falar na crise econômica, que a meu ver vai balizar o cenário futuro.

Sempre fui adversário daqueles que defendiam e mantém o pensamento do quanto pior melhor. O presidente Lula e os seus lulopetistas insistem nessa idéia, criando um falso clima de otimismo e acusando a oposição de formar uma torcida favorável a que a gravidade da crise econômica chegue ao nosso País. Ninguém esquece das primeiras manifestações do presidente, quando jornalistas pediam a sua opinião sobre a crise e que ele mandava dirigir essa pergunta ao presidente dos EUA, George Bush.

Na avaliação do presidente FHC, em artigo publicado hoje no jornal "O Estado de São Paulo", ele diz que as oposições devem aumentar as suas esperanças com vistas a 2010, porque houve uma desconexão entre as eleições municipais e as perspectivas nacionais. Os resultados das últimas disputas, principalmente nas capitais e grandes cidades, mostraram que o governo Lula não foi derrotado, mas politicamente enfraquecido, porque na contramão dos seus discursos fáceis há uma "sensação ainda não muito nítida, mas presente, de que nem tudo vai tão bem no País".

Quem acompanha a disputa americana, entre Barack Obama e John McCain, percebe que a crise recheia os debates e pode definir o resultado, na medida em que há muita expectativa sobre a candidatura que ofereça as melhores alternativas para enfrentar e superar a crise instalada. No Brasil não é diferente. Por isso é fundamental conhecer e acompanhar o posicionamento dos possíveis presidenciáveis – Dilma Roussef, José Serra/Aécio Neves, Heloísa Helena e Ciro Gomes -, na forma da condução das suas experiências políticas e administrativas, no entendimento de governo e oposição, e das razões e saídas para uma crise que não é de Bush, porque numa economia globalizada afeta todos nós. Que tal ?

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“Lixo eletrônico”, xô para onde ?

 A Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo realizou nesta quinta-feira (30), um Mutirão do Lixo Eletrônico, em 372 municípios que aderiram à iniciativa, para começar a recolher pilhas, baterias, celulares, rádios, DVDs, CDs, lâmpadas fluorescentes e outros produtos que formam o perigoso e-lixo. Sabemos que é impossível resolver essa questão num só dia, mas com certeza essa medida (que muitos de nós nem prestamos a atenção) servirá de alerta para uma ação contínua, preservando pontos de coleta e intensificando campanhas educativas nas escolas e organizações sociais em São Paulo e no país inteiro.

Com o título "Mutirão do Lixo Eletrônico. Recicle. Não descarte essa idéia", a feliz idéia do Governo do Estado responde dúvidas que pairam na cabeça da maioria dos brasileiros, que não sabem onde descartar um produto eletrônico quando deixa de ter utilidade. Normalmente pilhas e baterias, por exemplo, são depositadas em lixeiras comuns ou em caçambas nas ruas, daí são levadas aos aterros sanitários ou lixões, infiltrando no solo, comprometendo os mananciais, onde liberam substâncias como chumbo, cádmio, arsênio e mercúrio – metais pesados responsáveis por vários tipos de câncer, problemas do sistema nervoso central, dos rins, do fígado, dos pulmões, além de provocar má-formação de fetos em mulheres grávidas.

O jornal "O Estado de São Paulo", no editorial "Os perigos do e-lixo", enaltece o trabalho, mas também destaca a necessidade de que essa iniciativa não pode se restringir a um único dia. Os dados apresentados são preocupantes. Imagine que o Brasil consome, anualmente, 1,2 bilhão de pilhas e 400 milhões de baterias de telefone celular, e, na maioria das vezes não nos damos conta de onde deixamos as peças com as cargas vencidas. Eleve esses dados para o âmbito mundial…

Podemos colaborar, mobilizando alternativas semelhantes à de São Paulo. Conheça mais no site da secretaria – http://www.ambiente.sp.gov.br/mutiraodolixoeletronico/default.htm -, considere as informações e dicas no blog – http://www.lixoeletronico.org/ -, reveja os seus costumes e procure maneiras de sugerir a manutenção dessa idéia fundamental para preservar vidas presentes e futuras.

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Não fale de crise com o Lula ?

Enquanto o Mundo revelava a sua preocupação com os efeitos da crise americana, o presidente Lula se vangloriava da "imunidade brasileira", porque nunca antes na sua história o país esteve tão forte para repelir de boca cheia com o bordão "não me venha falar de crise". Mesmo com o clima instável, com as bolsas despencando e as principais moedas oscilando para cima e para baixo, lulopetistas denunciavam, como o lendário prefeito da fictícia Sucupira, Odorico Paraguaçú, que os derrotistas oposicionistas juramentados pediam a Deus que a crise chegasse logo ao Brasil apenas para desgastar o governo. Pois é, essa postura garantiu que o povo não fosse alarmado e os resultados das eleições municipais comprometidos. Mas agora, quem vai pagar a conta dos financiamentos aos setores atingidos ? Lula quer um cheque em branco do Congresso Nacional para ajudar os "especuladores" com verbas do erário, com o dinheiro da viúva, como popularmente se diz.

Os índices de aprovação de Lula, insuficientes para que elegesse postes, como acreditavam a maioria dos analistas políticos antes dos resultados do primeiro turno e das pesquisas derradeiras do segundo, são responsáveis pela dúvida de muitos sobre a influência da crise na economia brasileira e pela anestesia política em relação à construção de um outro projeto de país. Prevaleceu durante quase todo o tempo, o clima de confiança e de crédito no Brasil, superando qualquer indício de crise. Foi gritante perceber a subserviência de alguns partidos e de seus principais líderes, convencidos pela oportunidade de considerar que com o Lula tudo bem, mas sem o PT !

Chegou a hora de acordar para o futuro e compreender que Lula e o PT sempre coexistiram. Que as suas práticas políticas e de governar são semelhantes. E que não é possível continuar aceitando como uma torcida apenas para o fracasso, a falta de uma resposta do governo federal à crise. Se ocorresse logo no início, sem optar por cobrir o sol com a peneira, não haveria o alarmismo e os danos que já são reais na agricultura, construção civil, nas exportações e nos pequenos bancos privados brasileiros.

O ritmo de venda de móveis e eletrodomésticos já diminuiu; produtores tem dificuldade para financiar o plantio com a suspensão das linhas de crédito pelos bancos; construtoras com lançamentos no mercado imobiliário ficaram sem dinheiro em caixa e sem crédito para terminar os seus empreendimentos. Lula comenta que são marolinhas de crise e que levou o tema ao Congresso para que "as pessoas percebam que, embora o Brasil não corra nenhum risco, não podemos vacilar" (segundo as suas próprias palavras).

O Governo quer aproveitar o momento e aprovar, inclusive, uma reforma tributária; tema que ressuscita conforme a sua conveniência política. Contudo é possível observar que os governistas não querem perder a oportunidade de aumentar do poder do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, fomentando os seus negócios e tamanho, comprando ações de bancos e empreiteiros, além de financeiras de veículos. Ao BNDES caberia o socorro aos exportadores.

Enfim, para onde vamos ? Nunca torcemos favoráveis às crises, por menor que elas fossem. No passado recente, Lula e seus companheiros foram useiros e vezeiros em apostar no quanto pior melhor. Parece existir um fosso entre o discurso e as práticas dos principais atores do lulopetismo na definição de medidas estruturantes e de interesse nacional.

Lula continua afirmando que os setores atingidos estão nessa condição porque especularam de forma pouco recomendável, por ganância. Guido Mantega reforça que o governo não vai arcar com um tostão para cobrir prejuízos privados. Luciano Coutinho diz que trabalha para acelerar soluções e Paulo Bernardo acha correto oferecer crédito para ajudar as empresas a equilibrar seus fluxos de caixa. Será que os limites orçamentários são considerados ou haverá uma simples transferência de um rombo possível para o próximo governo ?

A contradição é grande: o importante é a moral elevada, sem consciência de crise, sem importar quem pagará pelos prejuízos trazidos ao Brasil ? Semana passada o governador José Serra alertou para percebermos que o Banco Central está entregando dinheiro de graça aos bancos, para não ficar mal com eles. Nem com os banqueiros e muito menos com os construtores, depois de impregnar uma onda artificial de otimismo. Os bancos com dinheiro terão ainda garantias de financiar empresas sem liquidez. Tema árido, não !? Ocupa todos os dias as páginas de economia dos jornais, bombando a crise que só o presidente da República não quer ver.

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São Paulo vence com Kassab !

Com 60,72% dos votos, Gilberto Kassab venceu uma das disputas mais importantes deste ano. Ele manteve a conquista da Prefeitura de São Paulo, que desde 2004 é gerida pela aliança PSDB-DEM sob o comando do governador José Serra. Ficou ainda mais clara a posição dos paulistanos contra o jeito de ser petista, independentemente da popularidade de Lula e do baixo nível imposto à campanha municipal pela candidatura de Marta. Esse resultado também pode ser interpretado como um indicador político de São Paulo para 2010, porque a vitória com Kassab é repartida entre PSDB, DEM, PMDB, PPS, PTB e PV, e isso significa bastante para a musculatura de um projeto nacional.

Os analistas de plantão vão simplificar o sucesso eleitoral de Kassab, obviamente  remetendo para possíveis disputas internas do PSDB, entre Serra e Aécio Neves, que também colecionou vitórias importantes em Minas Gerais. Por isso vou recorrer à opinião de Renato Lessa, cientista político do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), em entrevista ao jornal "Valor Econômico", de que o PSDB se consolida, a partir das eleições de 2008, como o principal partido de oposição, e que todos os esforços devem se concentrar na somatória de modelos de gestão bem sucedidos.

Paulistas e mineiros bem sabem o quê é isso. Imaginem, então, uma chapa presidencial-pura Serra-Aécio e composições Brasil afora para os governos estaduais, Congresso Nacional e assembléias legislativas. Lessa sustenta que o pragmatismo despolitiza as campanhas, mas neste momento é fundamental reagrupar lideranças políticas regionais, para um projeto de país. Dispersar, jamais…

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