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PAC é só mídia?

O objetivo do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento é nobre, principalmente quando vem de um governo que parou o país durante quatro anos. A meta é atingir um crescimento de 4,5% este ano e 5% a partir de 2008, com investimentos que se aproximam de R$ 505 bilhões até 2010. A primeira imagem que se forma é a de um país transformado num imenso canteiro de obras, mas a imagem que tem se apresentado é a do presidente Lula exercitando o seu grande poder como ilusionista.

O Brasil clama por ações concretas na área de energia, saneamento, habitação, rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias. Mas os setores produtivos querem acelerar e resolver o problema crucial da carga tributária, que unifica o pensamento de todos pela sua redução.

As turbulências externas, advindas no momento da crise americana, não vão ditar o rumo das taxas de juros no Brasil, segundo Guido Mantega (min. Fazenda). Ele credita essa posição de segurança por causa do bom desempenho fiscal apresentado nos últimos anos.

O Brasil não aproveitou quatro anos de céu de brigadeiro da economia mundial, durante o primeiro mandato de Lula, para dar o seu salto e responder às principais necessidades nacionais. Nos governos Itamar-FHC a inflação foi dominada e a economia estabilizada, mas Argentina, Ásia e os Estados Unidos deflagraram suas crises e, em paralelo ao sucesso do Plano Real, impediram uma desenvoltura melhor por aqui.

O saldo dessa época reflete na segurança de agora de Mantega e Lula. Fora isso, nada de obras importantes ou de ações mais concretas, além dos sucessivos lançamentos do PAC.

Então, se o governo Lula continua sendo um sucesso de mídia e a infra-estrutura social, urbana e de logística continuam em baixa, quem será responsabilizado pelo caos aéreo, pelo sucateamento dos portos e das nossas estradas?

PSDB vê futuro!

O Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB está comemorando hoje 19 anos de sua fundação e refaz o seu planejamento estratégico para o futuro, com foco e ritmo. Recente na história política do Brasil, o partido já se mostra experiente no hábito de governar. Presidiu o país durante oito anos, dois mandatos, com Fernando Henrique Cardoso; e governa São Paulo há 12, desde 1995, com Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. O desafio presente é o que se pode chamar de uma refundação de idéias, programas e ações; por isso, no meio de uma conjuntura de expectativas, os tucanos começaram a revitalizar o discurso em seminários preparatórios para o seu II Congresso Nacional Programático.

O Brasil de 1988 era outro, mergulhado nos afazeres da Constituinte, na consolidação da abertura política e nas polêmicas geradas pelo governo de José Sarney. Inflação galopante, gastos públicos incontroláveis, escândalos financeiros, dívida externa desgovernada, clientelismo. Aquele que seria o primeiro governo da Nova República optou por ser o último da velha República, não restando alternativa para os principais líderes políticos do Congresso naquela época – Covas, Fernando Henrique, Serra, José Richa, Pimenta da Veiga, Euclides Scalco – senão formar uma organização mais programática.

Como bem inscreveu o saudoso Franco Montoro, na abertura do texto do Programa do PSDB, o novo partido nasceu "longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas", para hever avanço no país, diante das mudanças que se verificavam no mundo. E esse novo partido nasceu também com a vocação de entender o papel do Estado de uma outra maneira, não como único instrumento de transformação da realidade, mas como uma agremiação aberta às ruas, à sociedade e de conotação democrática.

Mas o PSDB, como tem refletido o seu presidente de Honra, FHC, precisa ter mais convicção na defesa do que já realizou enquanto estava governando, principalmente o país. Para ele e para uma parcela grandiosa de tucanos, houve certo constrangimento na defesa das ações durante o seu governo, na campanha presidencial do ano passado. Sobra razão a FHC quando afirma que "partidos que não defendem seu próprio legado não existem. A população não os identifica. Precisamos recuperar nossas conquistas, ou o PT vai passar a faturar com elas. Daqui a pouco a estabilidade vai ser do PT, que trabalhou contra o Plano Real".

Há muito a fazer. E a expectativa desse momento de travessia para um novo programa e visão de futuro implicar acreditar que o PSDB ressurgirá a caminho dos seus 20 anos, maduro, mais forte, pronto para enfrentar e vencer 2008, 2010. A agenda política do PSDB para o presente inclui a complementação das reformas necessárias, com ênfase na política e na tributária. Mas o partido continuará deparando com os conflitos internos, que são parte da vida. Assim pode consolidar suas idéias, organização e liderança, para mobilizar a sua militância com maio eficiência para o debate, o respeito e a unidade para a vitória.

Olha o perigo (?), Renan ameaça Lula e colegas!

Josias de Souza, da Folha, publicou em seu blog no último dia 20 que "Isolado, Renan ameaça Lula e os colegas de Senado". Ora bolas, parece um filme reeditado. Quem não se lembra de um episódio ocorrido ainda no governo José Sarney, quando o então ministro ACM (Antonio Carlos Magalhães) dizia ter um dossiê contra o seu colega de ministério Jader Barbalho. Este retrucou informando também possuir o seu contra ACM, e tudo ficou como estava antes, sem que ninguém pudesse conhecer as informações "secretas" sobre os dois. Agora Renan Calheiros repete o caminho, para não ser punido?

Essa notícia de chantagem pura é crítica e preocupante. Ocorre quando há falta de pulso do governo. E acaba sobrando para todos os atores desse espetáculo negativo encenado pelo Congresso Nacional. Quando todos nós imaginávamos que haveria uma mudança de comportamento, objetivamente verificamos que os representantes do povo (Câmara dos Deputados) e dos Estados (Senado) ainda sofrem com o lamaçal gerado na legislatura passada.

Mário Covas, durante a constituinte de 1987-1988, ao deparar com as acusações de ACM e Jader disse que um governo sério e de pulso mandaria os dois ministros para casa, além de investigar os conteúdos dos dossiês a que se referiam. No caso de Renan, há uma omissão constrangedora, principalmente com as ameaças de coxia.

Segundo Josias de Souza, Renan Calheiros considera-se abandonado pelos aliados. Queixa-se de todos, inclusive de Lula e de seu próprio partido (o PMDB): "Nas últimas 48 horas, passou a utilizar, entre quatro paredes, uma arma que destoa da frieza que exibe em suas aparições públicas: a ameaça. Disse claramente a um grupo de interlocutores que, se lhe der na telha, pode criar ‘uma crise institucional’. Declara-se inclusive disposto a prejudicar Lula e seu governo".

"Se cair, não irei para o chão sozinho". No seu blog Josias revela ainda que Renan diz que "arrastará consigo outros senadores. Chega mesmo a difundir, em timbre inamistoso, a informação de que não hesitará em revelar segredos de alcova dos colegas. Diz que sua privacidade foi invadida sem constrangimentos. E não se julga na obrigação de guardar as confidências alheias".

Infelizmente, uma parte do Congresso ainda não é séria!

 

Bruno Covas em Santo André.

Fica o registro e o convite para a comemoração dos 19 anos do PSDB em Santo André. Acontece na próxima segunda-feira (25), a partir das 19h00, na Câmara Municipal (Praça IV Centenário, 02 – Centro), palestras do Bruno Covas (sobre a "Trajetória de Mário Covas") e minha (sobre "Um Breve Histórico do Partido").

Qualquer evento partidário na região do Grande ABCD-RRM é desafiador. Até porque precisamos turbinar a militância e as lideranças regionais para que o PSDB cresça com vitórias para as prefeituras e câmaras municipais locais. Hoje temos a prefeitura de Rio Grande da Serra e a vice-prefeitura de Mauá. Quem sabe arando e cevando a terra, nessa contagem regressiva para 2008, atingiremos os grandes objetivos, no coração do PT!?

FIES para pós-graduação e especialização!

Boa notícia foi gerada pelo deputado federal Lobbe Neto (PSDB-São Carlos-SP), que conseguiu a aprovação em Plenário do texto de sua autoria (Projeto de Lei 5.210/05) que foi incorporado pelo projeto de lei 7701/2006 do Senado Federal, que modifica o artigo primeiro da lei que instituiu o Fundo de Financiamento do Estudante do Ensino Superior (FIES). O novo texto do artigo além de redefinir os percentuais que deverão ser destinados a este fim incorporou a proposta do deputado de financiar os estudantes carentes que queiram fazer cursos de pós-graduação e de especialização.

Realmente essa notícia é muito mais que boa. É excelente. Todo mundo sabe que hoje não basta ter apenas uma graduação para alcançar as melhores oportunidades de emprego, trabalho e renda. É fundamental o aperfeiçoamento continuo. As exigências do mercado são cada vez maiores. Soube, recentemente, que para trabalhar como ajudante geral em uma empresa no município de Cubatão era necessário ter o ensino médio (2.º grau) completo. A educação é realmente a travessia para o futuro promissor, melhor!

PSDB deve fortalecer núcleos de base

Publico para o conhecimento dos prezados leitores, entrevista disponível desde segunda-feira (18), nos sites do PSDB nacional – www.psdb.org.br – e do ITV – Instituto Teotônio Vilela – www.itv.org.br – contendo minha visão sobre os rumos do PSDB. Realmente tenho encontrado muitos tucanos em discussões sobre o futuro do PSDB e como se insere o partido na proposta de Reforma Política que tramita no Congresso Nacional. Mas o PSDB completará 19 anos no dia 25 de junho, razão da entrevista que concedi ontem.

Fundador do PSDB, o jornalista Raul Christiano defende que o partido, às vésperas de completar 19 anos de fundação na próxima segunda-feira (25/06), estreite laços com os movimentos sociais e sindicais. "Existe a necessidade de o partido tomar um banho de articulação, de inserção maior com os movimentos sociais", argumenta em entrevista ao site do ITV, para a série de contatos com fundadores do PSDB. Para ele, "a consolidação da democracia passou pela forma como o partido conduziu o processo de participação política no governo Fernando Henrique".

Christiano filiou-se ao MDB, em 1976, participou do movimento que originou na criação do PT, em 1978, mas optou por filiar-se ao PMDB em 1979, liderando uma dissidência na agremiação a partir de 1986 com o Movimento de Unidade Progressista.

Militou ativamente nos movimentos contra a ditadura militar e a favor da democracia, da anistia, da convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte e de eleições diretas para presidente. É autor de livro "De Volta ao Começo! – Raízes de um PSDB militante, que nasceu na oposição", editado pelo ITV e pela Geração Editorial, em que conta a história do partido. Atualmente, o jornalista mantém o Blog do Raul (www.raul.blog.br). Leia abaixo a entrevista:

O PSDB completa 19 anos de fundação na próxima segunda-feira (25/06). Ao longo dessas quase duas décadas, o mundo mudou muito. Em setembro o partido realiza o seu III Congresso Nacional para se atualizar. Qual a expectativa do senhor sobre o Congresso da legenda?

No texto de abertura do programa do PSDB, o ex-governador Franco Montoro destaca que o partido recém-criado estaria longe das benesses oficiais, mas perto do grito das ruas. Acredito que o que está faltando para o PSDB é a atualização programática, que vai acontecer agora. Estamos precisando de uma atualização teórica, de idéias, novas palavras de ordem. Acho que esse momento de revisão programática é extremamente importante, porque dará consistência a um posicionamento nosso na oposição.

Que tipo de partido deve surgir então?

A expectativa é que o PSDB ressurja como um partido maduro, que foi responsável pela travessia de um mundo difícil, de uma democracia sendo resgatada. A consolidação da democracia passou pela forma com que o PSDB conduziu o processo de participação política no governo Fernando Henrique. O PSDB vai se tornar uma alternativa concreta de poder, de programas capazes de resolver os problemas de várias áreas.

Muita gente defende que o PSDB deve se tornar no partido da classe média…

O PSDB tem bandeiras muito claras para a classe média. Como é um partido social-democrata, a legenda deveria centralizar a sua ação nos próximos anos no fortalecimento dos núcleos de base, na influência da militância sindical, nas sociedades comunitárias. Portanto, existe a necessidade de o PSDB tomar um banho de articulação, de inserção maior com os movimentos sociais. A classe média já sabe o papel do PSDB. A maioria dos nossos parlamentares são oriundos da classe média.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tem afirmado que o partido deve se diferenciar das outras legendas. Hoje o principal contraponto ao PSDB talvez seja o PT. Avaliando a posição dos dois partidos, tanto no governo quanto na oposição, o senhor acha que essa diferença está nítida?

A diferença é nítida. O PT não tem um programa para o país, mas apenas de poder. O Partido dos Trabalhadores tem uma estratégia de ocupação de espaços no governo, de aparelhamento do Estado. O PSDB tem um modelo de gestão para o Estado.

De modo geral, como o senhor definiria a situação do Brasil durante o governo Lula?

O governo Lula teve uma origem popular, democrática, voltada para as políticas focalizadas nas maiores vulnerabilidades sociais. No entanto, o atual governo está simplesmente ampliando o fosso das desigualdades. O Brasil só perde com isso. Por exemplo, na questão econômica com todo cenário mundial favorável, o governo Lula não conseguiu avançar, não conseguiu que o país desse um salto no crescimento. Na educação o problema se repetiu.

Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, houve um grande esforço para universalização do acesso à educação básica…

De fato, colocar todas as crianças nas escolas foi um grande desafio. Já a gestão Lula tinha como meta melhorar a qualidade da educação como um todo. Depois do primeiro mandato do PT, percebemos que o país perdeu quatro anos. Efetivamente nada aconteceu. Mesmo com a mudança do Fundef para Fundeb, tudo continua na mesma. Acho que o governo está devendo em vários pontos e isso pode significar uma projeção de atraso para o Brasil nos próximos anos.

Na sua avaliação, o PSDB tem boas perspectivas nas próximas eleições, tanto em 2008 como em 2010?

Sem dúvida, o partido tem a sua agenda política. Por esse motivo, não pode tentar acompanhar a agenda do PT e do governo. O PSDB precisa mostrar claramente qual é a sua agenda política para esse ano e para o ano que vem. Isso irá desenhar o processo pré-eleitoral em 2010.

Em 1988, quando o partido foi fundado, as principais demandas da sociedade eram a estabilidade econômica e a consolidação da democracia. Neste momento do país, quais as bandeiras atuais que o partido deveria empunhar com mais ênfase?

Manter a estabilidade da moeda. O governo Lula navega em um mar tranqüilo do ponto vista econômico por conta do que foi estruturado pelo governo Fernando Henrique. Na era pós-Collor, o PSDB estabeleceu uma visão de futuro e as coisas estão acontecendo pelas linhas traçadas em 1993, quando o ex-presidente Fernando Henrique ainda era ministro do governo Itamar Franco. Nada é por acaso. Devemos consolidar isso. Há necessidade de termos um foco mais na questão da produção do país. O Brasil precisa retomar o crescimento, reduzir juros, realizar os investimentos necessários à malha rodoviária, aos portos, enfim o foco à infra-estrutura.

O senhor participou do último Laboratório de Aprendizagem Política, promovido pelo ITV para jovens tucanos, em Anápolis (GO) neste fim de semana. O partido está conseguindo atrair novas lideranças?

Acredito que sim, percebi isso neste fim de semana. A Juventude é uma vitamina poderosa para renovação de quadros e de perspectivas no partido. Nesse processo de discussão do programa, a Juventude precisa estar sintonizada com os problemas de políticas públicas. É fundamental que os jovens tucanos colaborem com essa discussão.

Como o senhor acredita que o ITV pode ajudar no processo de reformulação do partido?

O ITV deve ser o maestro da reforma programática. Já tem todo um histórico de discussões voltadas para os grandes temas nacionais. A presença do ITV nesse processo é fundamental.

 

Fará bem a Renan pratos limpos !

Acho que o PSDB precisa manifestar, de todas as regiões do país, a sua preocupação e apoio às bancadas de deputados federais e senadores, para agirem com muito rigor na apuração e esclarecimento dos resultados das investigações sobre as denúncias contra o Senador Renan Calheiros. Não é possível permitir o compadrio político ou o espírito de corpo do Congresso Nacional ou até a "solidariedade de conterrâneo" explicitada pelo governador Teotônio Vilela.

Prestes a completar 19 anos de existência, o PSDB amplia cada vez mais o seu compromisso com a sociedade brasileira, principalmente contra os maus exemplos nacionais de corrupção, impunidade, desmandos administrativos e desgoverno. A sociedade espera muito do PSDB e joga sobre o partido as suas expectativas pela apuração das denúncias que continuam chamuscando a imagem do Congresso. Entendo que isso não é bom para a saúde da democracia brasileira.

Atento aos acontecimentos e sentindo a carência de respostas para botar um ponto final nesse cenário negativo, volto a dizer que é necessário os tucanos de todo o Brasil recomendarem o apoio, dada à conduta exemplar dos seus parlamentares – deputados e senadores – no sentido de que eles não hesitem um milímetro em exercer medidas políticas e regimentais, pelo esclarecimento das denúncias envolvendo empreiteiras, funcionários públicos, parentes e amigos do Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva.

O Brasil espera o nosso apoio às medidas adotadas e acompanhadas pelo Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal. O PSDB tem um projeto para o Brasil. Não faz oposição pela oposição.

Apesar de desgastadas, porque chegam a (in) conclusões e raramente punem, as CPIs continuam representando um instrumento a mais de apuração, oportunidade de esclarecimento, defesa e punição dos envolvidos.

Cadê a agenda do Parlamento? O governo Lula não tem outra senão a publicidade abundante do PAC. E a questão moral continua pautada, fortalecendo a idéia que o Brasil e o seu povo precisam de bons exemplos. Que tal começar pelo desestímulo da corrupção e do desvio de recursos públicos? Sempre alerta, Bancada! Fará bem ao próprio Renan apurar com seriedade e esclarecer tudo!

Governo tucano submete Gautama ao TCE

Como a imprensa tem divulgado amplamente, o ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu (PT) também tem um blog. Um dos seus objetivos, claramente expostos na abertura da sua página, é que ele foi criado para funcionar como um "espaço de disputa política". E assim ele o fez no último dia 12 de junho, quando publicou opinião sobre a licitação do saneamento ambiental de Peruíbe, que teve a Construtora Gautama vencedora de um lote da obra como parceira do consórcio liderado pela Gomes Lourenço.

Com o título "Silêncio da mídia sobre uma estranha licitação", Dirceu constrói um cenário de "negociações" para tentar comparar o resultado de uma licitação internacional em São Paulo com as "concorrências públicas" do governo Lula, carregadas de suspeitas conforme o noticiário.

Nenhuma irregularidade foi constatada pelo Governo do Estado de São Paulo e pela SABESP que, diante da "notoriedade" da Gautama por causa das suas relações com os aliados do PT no governo federal, encaminharam o resultado ao TCE – Tribunal de Contas do Estado. O objetivo é a realização de um pente-fino nesse processo para definir se tudo terá que ser reiniciado.

Os governantes tucanos não tem nada a esconder, razão pela qual pediram que eu elaborasse uma nota em resposta aos comentários de José Dirceu, que tentei postar entre os comentários do seu blog, mas que até esta data foi desconsiderada. Vale dizer que a mesma resposta servirá também para a vereadora e ex-presidente da Câmara de Peruíbe, Maria Onira (PT), que não se cansa de propagar as "suspeitas" sobre a licitação que beneficiará o seu município, sem apresentar uma evidência, por menor que fosse a sua importância.

O endereço do blog  – http://z001.ig.com.br/ig/45/51/932723/blig/blogdodirceu/ – para que conheça o conteúdo da referida opinião de Dirceu e, na sequência, o texto integral da resposta que elaborei e assinei como Superintendente de Comunicação da SABESP, para o conhecimento dos prezados leitores:

RESPOSTAS AOS COMENTÁRIOS

DO EX-MINISTRO E DEPUTADO FEDERAL CASSADO JOSÉ DIRCEU

Em resposta aos equívocos de análise, dúvidas e ilações contra a Sabesp e o Governo do Estado publicadas nesta data, pelo ex-ministro e deputado federal cassado José Dirceu, no seu blog, cabe-nos repelí-lo com transparência e verdade.

Para o seu conhecimento, não estão sob suspeita as obras de implantação de rede coletora, estações elevatórias e ligações domiciliares em Peruíbe, que são parte do Programa Onda Limpa de Recuperação Ambiental da Região Metropolitana da Baixada Santista.

O Programa prevê o investimento de R$ 1,2 bilhão em obras de saneamento nos nove municípios da Baixada Santista e é suportado com financiamento do JBIC (Japan Bank for International Corporation), aprovado pelo Senado Federal. Aliás, o financiamento realizado em condições altamente favoráveis a administração pública prevê o pagamento de juros a taxa média de 2,00% a.a, muito inferior às taxas de mercado.

O deputado federal cassado parece desconhecer as regras elementares para a obtenção e uso de recursos externos. Para implantação das obras foi realizada uma licitação internacional com a divisão do objeto em 8 lotes conforme exigiu o agente financiador, que acompanha o processo licitatório e autoriza oficialmente a continuidade do processo em cada uma de suas etapas.

É séria a ignorância do ex-ministro quando se refere superficialmente aos atributos da lei 8666/93. Em seu artigo 42 a lei estabelece que "nas concorrências de âmbito internacional o edital deverá ajustar-se às diretrizes da política monetária e do comércio exterior e atender às exigências dos órgãos competentes".

O Edital de licitação das obras foi elaborado em obediência às condições estabelecidas pelo JBIC expressas no documento intitulado "Manual para Aquisições em Conformidade com os Empréstimos do JBIC", ao qual a SABESP está subordinada, sob pena de perda do financiamento em caso de desobediência.

Dentre as inúmeras condições estabelecidas pelo Agente Financiador no referido Manual, define em seu ítem 5.06 – alínea "e" que o edital não poderá prever mecanismos de desclassificação automática de empresas por limitação de valores, a exemplo do que prevê a Lei brasileira.

O mesmo documento define ainda que caso as propostas apresentadas superem o valor de referência estabelecido no edital (também uma exigência do Manual) deverá ser estabelecido um processo de negociação entre a contratante e a licitante que apresentou proposta de menor valor, visando sua reavaliação, para só então, em não havendo acordo, proceder-se à desclassificação da empresa.

Governos republicanos são democráticos e transparentes. Não há variantes de condutas. Há regras que precisam ser observadas sempre com atenção a esses princípios. E o processo de negociação é conduzido pela Comissão Especial de Licitação em reuniões registradas em atas arquivadas no dossiê da Licitação CSO – 33.339/06, arquivado no Departamento de Licitações de Obras – CSO – situado a Avenida do Estado, 561. Não há "silêncio" da mídia sobre o tema, porque os procedimentos são feitos às claras, e porque os documentos constantes do dossiê são públicos.

O resultado da licitação 33.339/06 foi homologado em 11/05/2007 e encaminhado ao JBIC para avaliação e aprovação. Não foi, portanto assinado o contrato.

Após a divulgação do noticiário sobre a Construtora Gautama, que movimentou o cenário público e político em torno do Governo Federal, imediatamente a SABESP encaminhou a carta P-0409/2007 ao TCE solicitando orientações sobre providências a serem adotadas sobre o caso.

O TCE registrou o processo sob o n.º TC-018741/026/07 e se manifestou através de despacho proferido pelo Conselheiro relator Eduardo Bittencourt Carvalho informando que a documentação deveria ser requisitada somente após e se assinado o contrato, para exame da matéria nos termos das Instituições da Corte.

Paralelamente, a administração da SABESP determinou o exame da documentação referente ao processo licitatório por sua Auditoria Interna, para certificar a correção do processo e só então prosseguir.

É importante destacar que durante o processo de licitação iniciado em abril de 2005 ocorreram várias interpelações judiciais questionando aspectos do edital, inclusive junto ao próprio TCE que se manifestou pela legalidade do documento através do seu Acórdão n.º 017470/026/05 de 02 de maio de 2005.

Com relação à empresa Gomes Lourenço cumpre-nos informar que não consta em nossos registros, até a presente data, qualquer impedimento para que a empresa firme contratos com a administração pública. A bem da verdade, o deputado cassado José Dirceu sabe que é fundamental tratar com maior respeito e responsabilidade, toda e qualquer ação que envolva dinheiro público.

 

12 de junho de 2007.

RAUL CHRISTIANO – Superintendente de Comunicação da SABESP.

 

Professor incapaz de ensinar melhor os seus alunos?

Causou alguma surpresa a divulgação dos resultados do estudo Determinantes do Desempenho Escolar do Brasil, no início desta semana. A pesquisa foi realizada pelo economista Naércio Menezes Filho, que através de cruzamento dos dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) concluiu que os cursos de capacitação para professores não melhoram o seu desempenho na hora de dar aula.

Retomamos o debate sobre a qualidade da educação no Brasil. O maior desafio, de colocar toda criança na escola, foi praticamente vencido no governo FHC. Em 1995, quando Paulo Renato Souza assumiu o Ministério da Educação, 89% das crianças entre 7 e 14 anos estavam na escola. Em 2002, 97% confirmavam a universalização do acesso ao ensino fundamental.

O desafio seguinte ainda não teve êxito. Embora as condições fossem mais favoráveis à estrutura educacional brasileira, com o pleno vigor do FUNDEF (agora FUNDEB), a edição dos Parâmetros Curriculares Nacionais, a atualização e a avaliação do livro didático, que passou a chegar na hora certa do início das aulas; a TV Escola, o Programa de Informática na Escola, os programas de capacitação e atualização dos professores.

É inegável, como o próprio jornal "O Estado de São Paulo" destacou em sua edição de ontem (26 de março), que é consenso que "o professor precisa estar atualizado para ampliar conhecimentos e aperfeiçoar práticas pedagógicas. É recomendável que a instituição para a qual ele trabalha estimule e dê preferência, forneça oportunidades para isso".

Há uma dívida enorme com a qualidade da educação. A capacitação dos professores é um ítem nesse rol de tarefas que ainda precisam ser cumpridas. Diretores das escolas e funcionários não podem ficar fora desse processo. É fundamental também resolver carências com a infra-estrutura física das escolas. Ainda, os laboratórios, biblioteca, material didático, salários.

É preciso sensibilizar as famílias para acompanhar o desempenho dos filhos e parentes estudantes. É preciso garantir que esse esforço seja compartilhado pelos governos municipais, estaduais e federal. Somos todos capazes de responder a essa mobilização, desde que com um país com perspectivas concretas de um futuro melhor.

 

Tucanos fazem política virtual no Second Life

Esse título foi publicado no site da Agência Reuters, nesta data (27 de março de 2007), para destacar matéria assinada pela jornalista Carmen Munari. A iniciativa de inserir o PSDB no Second Life (www.secondlife.com) foi do publicitário paulista Jorge Henrique Singh (avatar Unger Felix), um grande entusiasta da utilização de novas mídias.

Acontece que ainda é muito restrita a participação/navegação pelos espaços criados nesse novo programa de Internet, idealizado em 2003 nos Estados Unidos pela Linden Lab. Nos últimos tempos pudemos ler bastante a respeito no caderno de informática do jornal "O Estado de São Paulo" e, há 10 dias, a revista "Época" destacou o Second Life em sua capa semanal.

O Second Life é um programa acessado hoje por quase 4 milhões de usuários, dos quais aproximadamente 140 mil são brasileiros. Informa Jorge Henrique Singh que pesquisas feitas pela Linden Lab, recentemente, apontam para 10 milhões o número de pessoas que acessarão o programa em junho próximo.

 


 

Matéria publicada pela Reuters, dia 27 de março de 2007.

Tucanos fazem política virtual no Second Life

Por Carmen Munari

SÃO PAULO (Reuters) – O PSDB partiu para a política virtual. O diretório do partido nos Second Life (segunda vida), um simulador da vida real na Internet, reproduz uma sala envidraçada, com porta, mesas, cadeiras e, na parede, um manifesto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Até prova em contrário, o PSDB é a primeira legenda brasileira a atuar no Second Life. PT e PMDB, os maiores partidos do país, informaram que não aderiram a esta nova mídia alternativa, que, para ser visitada, exige equipamento compatível, domínio da língua inglesa e disposição para novidade.

"Temos estimulado as mais variadas formas de comunicação do partido. Internet, Orkut e agora os Second Life", afirmou à Reuters Raul Christiano, membro da Executiva do PSDB em São Paulo que aderiu à idéia sugerida por um filiado.

Por enquanto, o espaço não teve divulgação, talvez por isso estivesse vazio quando a reportagem da Reuters visitou o local, criado no início deste ano. "Sem divulgação, ainda não colou", disse Christiano, que não tem uma data para propagar o novo espaço. Ele mesmo admite falta de tempo para navegar.

Nos Second Life, acessível pela Internet (www.secondlife.com), os usuários podem criar ambientes tridimensionais, liberando a imaginação com o uso da programação gráfica. E há uma grande vantagem: não existe custo para se instalar.

Entrar nesta segunda via exige uma identidade falsa pinçada em uma lista de nomes e sobrenomes. O clone virtual serve para dar liberdade de diálogo no ambiente Second Life.

Mas trata-se de uma navegação elitista, por demandar um computador top de linha, com banda larga e que possa receber e girar um programa de 30 megabites.

Sem levar esses custos em conta, os tucanos querem levar para o diretório virtual fóruns de discussão e trocas de idéias, como aparece no cartaz disponível no espaço, que critica a demora na montagem do ministério pelo presidente Lula.

"Não se pode esperar muito de um governo que começa optando por não começar… Lula não tem pressa, Quer esperar a eleição das presidências da Câmara e do Senado para definir o ministério do segundo mandato. O ano administrativo só vai começar depois do Carnaval. Pode ser batizado de ano Macunaíma (ai que preguiça!)", diz parte do texto, já defasado, colocado próximo de outro que informa que o espaço do partido no Second Life está em construção.

Fundado em 2003 por Philip Rosedale, da Linden Lab, com sede em São Francisco, este mundo virtual já tem cerca de 5 milhões de residentes, de diversas nacionalidades. A partir do final de abril, terá uma versão em português tendo o site IG e a Kaisen Games à frente do projeto.

Se no Brasil o PSDB está sozinho neste mundo, na França, os principais candidatos à Presidência, o conservador Nicolas Sarkozy, a socialista Segolene Royal, François Bayrou, de centro; e Jean-Marie Le Pen, da extrema direita, já fazem campanha lá para as eleições deste ano.