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A construção de Serra

Não estou satisfeito com o comportamento do PSDB em relação às eleições para a presidência da República em 2010, mesmo com a vantagem do nome do governador José Serra em todas as pesquisas eleitorais que se tem notícia hoje. Está cada vez mais claro para mim, praticamente desde a sua fundação, que a unidade partidária do PSDB despreza seu arco ideológico – social democrata, socialista democrático, democrata cristão e liberal progressista – e o seu próprio programa, para evidenciar projetos de pessoas e disputas regionais. No caso da disputa do ano que vem ví esse filme antes, em 2006, quando Geraldo Alckmin se apresentou como pré-candidato a Presidente e uniu burocraticamente o PSDB em torno do seu nome. Qual palanque regional os estrategistas tucanos pensam formar agora, se há apenas dois partidos – DEM e PPS – integrados a um presidenciável do PSDB?

Isso não é um jogo de cena para manter o PSDB em evidência como muitos estão imaginando. Mas revela que o PSDB tem dificuldade de superar algumas doenças infantis porque não manteve em dia a sua caderneta de vacinas. As ambições pessoais superam quase sempre a busca de identidade programática e a definição estruturada de uma política de alianças nacionais. E o PSDB falha porque acaba aceitando e interagindo com as regras do jogo. Não se mostra diferente, apesar de ter entre os seus quadros os melhores nomes quando se pensa mais seriamente no futuro do Brasil.

Quando nasceu com personalidade forte, vitaminado por expressões políticas nacionais como Franco Montoro, Mário Covas, Fernando Henrique Cardoso, José Richa, Pimenta da Veiga e José Serra, sinalizava como um partido de quadros prontos para realizar um projeto  de salvação nacional. E naquela altura ainda havia uma casta política ideológica que remetia o PSDB às bandeiras históricas do MDB autêntico como Cristina Tavares, Domingos Leonelli, Newton Friedrich e João Gilberto, apenas para citar alguns parlamentares que pensavam mais na ideologia e menos em partidos para projetos eleitorais.

José Serra é o nome mais lembrado pelo povo brasileiro, principalmente nos Estados do Sul e do Sudeste, e em pé de igualdade no Nordeste, onde uma pesquisa interna no Piauí, por exemplo, indica a vantagem da candidata do PT de um mísero ponto de vantagem, que analisando sob o prisma da margem de erro também pode estar em desvantagem. Portanto, acho indiscutível pensar outra alternativa além de Serra, a não ser que o PSDB queira viver outra experiência arriscada de perder.

Se os palanques regionais estão prontos com DEM e PPS, logo de saída, porque tentar imaginar que o PMDB, que vai deixar a sua decisão para os 15 minutos finais do segundo tempo da prorrogação, ou quem sabe para as disputas por penaltis? Não acredito que os dirigentes nacionais do PSDB fiquem motivados com as declarações de Ciro Gomes, de que ele abriria mão da sua candidatura para Aécio Neves em favor do país. Ora, Ciro sustenta ou não com o seu PSB o projeto do PT no Brasil?

A indefinição de Serra perturba somente as ambições pessoais do PSDB e o projeto de Lula continuar na presidência da República. Se as eleições presidenciais fossem hoje, Serra seria o próximo Presidente. Essa ficha precisa cair no PSDB e esperar a convenção de junho de 2010, se for o caso. É inusitado ouvir líderes tucanos e democratas pressionando uma definição agora.

Aécio, por sua vez, pode e deve dizer que é pré-candidato ao Senado por Minas Gerais. Consolidar a sua liderança no Estado, inclusive incensando o nome de seu vice Antônio Anastasia para sucedê-lo. Se lá na frente houver uma mudança de plano e Aécio for pressionado para disputar a vice-presidência da República de José Serra ou a própria presidência no lugar do paulista, a teoria das filas sempre lembrada por Fernando Henrique será observada sem prejuízo de um projeto maior do seu partido.

Ah, mas daí tem a questão de São Paulo, se o José Serra não for o candidato a Presidente pode ser candidato à reeleição… Óbvio e lógico! Por isso é fundamental saber de antemão qual é o foco principal do PSDB para o País. Se a presidência da República é a sua prioridade e o nome mais bem posicionado é o de Serra, não há razão para aliviar o PT dessa derrota. Deixa o Serra governar São Paulo enquanto não precisa se desincompatibilizar, porque assim ele continua se destacando para o Brasil.

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Educação é tudo !

Dois artigos pontuaram neste final de semana a atenção que a educação brasileira precisa ter como política pública essencial, prioritária dos governos em todos os níveis. Refiro-me ao texto da secretária municipal de educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, intitulado “Educando filhos para um mundo melhor”, no Jornal do Brasil, e à análise do ministro da área, Fernando Haddad, com “Educação e Constituição”, na seção de Tendências e Debates da Folha de São Paulo, que discorre sobre o aumento de recursos e de brasileiros que merecem a preocupação do governo, sem uma linha sobre a melhoria da qualidade do ensino. As letras mortas na Constituição de 1988 foram reavivadas por FHC e descontinuadas por Lula, que agora insere mais obrigações sem que tenha realizado o dever de casa.

As duas vertentes refletidas nas opiniões dos dois importantes dirigentes educacionais do país não são antagônicas, mas precisam de uma fusão de esforços para que as mudanças consideradas por eles no setor sejam percebidas e reflitam na condição do aprendizado das gerações do presente e do futuro. Cláudia Costin estrutura a sua reflexão no reforço escolar e nas condições oferecidas ao corpo de professores, para melhorar os níveis de ensino e ter uma população mais preparada para os desafios reservados a um país em desenvolvimento.

O ministro Fernando Haddad insiste nas diferenças entre o projeto de reformas educacionais iniciado pelo governo FHC e as alterações institucionais do governo Lula. Chega a enaltecer a obviedade de que as suas mudanças tiveram o aval da base de sustentação do governo no Congresso, mas não faz qualquer referência à posição do seu partido, o PT, que votou contra a criação do FUNDEF e do sistema de avaliação do ensino superior, apenas porque fazia oposição sistemática ao governo FHC.

Nada mais retrógrado, neste momento, que se ufanar de comparações inócuas, do sistema educacional, enfatizando investimentos e novos recursos projetados, quando o país precisa de políticas públicas mais eficientes para melhorar a qualidade da educação. Esse deve ser o mantra de todo homem público, inclusive para inserir, se não tiver outro jeito, um dispositivo constitucional que proíba a descontinuidade de políticas públicas bem sucedidas nas áreas da educação e da saúde, por exemplo, pela melhoria da qualidade dos serviços oferecidos aos cidadãos.

O maior desafio, decorrente das mudanças estruturais e progressistas do governo FHC, foi o de matricular 97% das crianças de 7 a 14 anos de idade nas escolas. Lula turbinou essa perspectiva para acrescentar as crianças em idade de creche e os adolescentes do ensino médio, no FUNDEB, que substituiu o FUNDEF. Com isso elevou o patamar do desafio para o aprendizado e inclusão de mais brasileiros nas escolas, mas falhou como a própria Cláudia Costin define, no aperfeiçoamento as condicionalidades de programas compensatórios de renda como o Bolsa Família, para sensibilizar os pais pela presença maior na vida dos seus filhos em idade escolar.

Uma Nação sem educação de qualidade sela um destino triste para o seu povo. O legado para mudar esse parâmetro ficará mesmo para o próximo governo.

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Luz para os aposentados !

Sou a favor de uma vida mais digna para todos os aposentados. Sempre achei injusto um cidadão trabalhar uma vida inteira para conseguir sobreviver e quando pode se dedicar com liberdade aos desejos pessoais fica recluso em casa ou é expulso dela porque não conseguiu comprar uma antes ou não consegue pagar os próprios aluguéis. Faz tempo que o Brasil não dá a devida atenção para os aposentados e muitas vezes olham para eles como se fossem um estorvo. Parlamentares e governos precisam encontrar logo uma saída.

A Previdência Social acumula déficit de R$ 29,9 bilhões de janeiro a agosto, segundo dados divulgados pelo ministro da Previdência, José Pimentel. O fluxo de caixa no mês de agosto, por exemplo, indica que a arrecadação foi de R$ 14,4 milhões enquanto a despesa com benefícios foi de R$ 19,5 milhões. Essa conta negativa evidencia um déficit e faz a previdência recorrer às reservas, dificultando novos reajustes.

Faz muito tempo que os recursos da previdência foram utilizados pelos governos para muitas outras atividades, impulsionando o rombo nas suas contas. A equação é simples: anteriormente havia um número maior de contribuintes da carteira previdenciária e o país não se preparou para a hora em que milhares de trabalhadores da ativa mudariam de condição.

O PT honestamente falhou para resolver no passado essa questão, porque quando os governos anteriores a Lula agendavam uma discussão sobre o tema, esse partido era o primeiro a levantar bandeiras impossíveis e demagógicas. Agora faz de conta que nunca antes se comportou dessa maneira. E nesse ponto acho que a coerência não pode ser abandonada, mesmo quando há necessidade de dizer um não negociado ao invés de um sim que você não reúne qualquer condição de atender. Mário Covas ensinava isso, mas muitos agem pelo contrário, inconsequentes como foi e tem sido o PT.

O governo Lula está empurrando com a barriga o temas "Previdência" e "aposentados". Por isso não quer nem ouvir falar dos projetos no Congresso Nacional que aumentam as despesas da Previdência, como o que vincula os aumentos de todas as aposentadorias ao salário mínimo e o que põe fim ao fator previdenciário, criado com a finalidade de reduzir o valor dos benefícios no momento de sua concessão, de maneira inversamente proporcional à idade de aposentadoria do segurado.

Na oposição o PT nunca se preocupou com "o limite do responsável e do sustentável ao longo dos anos". Prometiam um mundo novo que jamais teriam condições de entregar. Seguindo esse raciocínio, lógico seria que um governo do PT, que sempre defendeu a vinculação das pensões ao salário mínimo, soubesse de onde extraíria os recursos necessários para realizar as suas velhas promessas.

Sobra então a situação de penúria para aqueles que sempre ajudaram o país a se desenvolver e não tem culpa pela incompetência de gestão que remonta décadas. Para valer a demagogia petista dos palanques, o nosso sistema previdenciário não aguentaria. Mas o pior é que até agora o governo do PT não apresenta uma proposta que responda ao equilibrio das carências dos beneficiários, para aproximar mais os seus ganhos atuais da realidade econômica. Não apresenta porque não quer desagradar os aposentados e fica criando subterfúgios, incluindo mais essa conta nas potencializadas riquezas do pré-sal, a exemplo da educação e da saúde de primeiro mundo no futuro, do Grande PAC Brasil e da eleição de Dilma Rousseff.

Fábio Gambiagi fez uma análise profunda sobre a pressão do salário mínimo sobre a previdência e deixou algumas questões, como: "Quanto tempo mais o país irá manter a política de aumentos do piso previdenciário? Os políticos têm a palavra. Este ano e no próximo, o SM e o piso previdenciário, em termos reais, estarão aumentando mais de 5% ao ano. É óbvio que essa é uma decisão que já está tomada e deve ser cumprida. Na próxima década, porém, se o SM continuar a crescer nessa velocidade, a despesa do INSS cresceria em torno de 6,0% todos os anos. Se o PIB crescer 4,5% ao ano, o gasto do INSS, que em 2010 deverá ser da ordem de 7,5% do PIB, alcançaria 8,6% do PIB 10 anos depois. Lembremos que o investimento do governo é hoje de 1% do PIB. O país pode não fazer nada. O risco, nesse caso, é que em 2020 não sobre nada para investir. O próximo presidente terá provavelmente que propor algo a esse respeito."

Afinal, qual é mesmo a proposta real do governo do PT para todos aqueles que já fazem parte da história do Brasil, por seus suores e contribuições ? Mãos à obra !

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O “apagão” de Lula !

O apagão elétrico que deixou sem luz 18 Estados brasileiros na noite desta terça-feira reacende muitas dúvidas e especialistas do setor descartam que tenha sido provocado apenas por problemas naturais. Muitos dos argumentos usados pelo PT durante o governo FHC foram atualizados agora com a demonstração técnica de que um problema natural não seria capaz de provocar um apagão com essa extensão, fragilizando o currículo de ações da ex-ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, mãe do PAC da energia, inclusive. Se os lulopetistas não se cansam de espezinhar o tucanato com o apagão de FHC, como eles se explicam agora, se propagandeiam tanto os investimentos no setor e eles não evitam apagões ? Ou vamos acreditar que estamos vulneráveis a ataques de hackers, conforme pré-anunciou o programa "60 minutos", da emissora norte-americana CBS, ao exibir uma reportagem contando que dois "apagões" no Brasil nos últimos quatro anos teriam sido causados por ataques de hackers ?

No "apagão" de FHC havia condições adversas da natureza, com a falta de chuvas e longas secas, criando dificuldades para a movimentação das hidrelétricas nacionais e binacionais. Essa condição não se repete hoje e o próprio presidente da Itaipu Nacional, Jorge Samek, atestou uma ameaça do gênero passa longe graças aos elevados índices pluviométricos em todo o Brasil. Como todo brasileiro fui surpreendido com esse fato novo. Principalmente porque, duvidando da capacidade do governo Lula em dar a atenção devida ao sistema elétrico brasileiro, por causa dos baixos índices de execução do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, que mais parece um programa de aceleração da campanha eleitoral da candidata desbravada do PT, não percebi alterações naturais no clima em São Paulo. Pelo menos entre São Paulo e Santos.

E esse apagão sob as bençãos do lulopetismo foi longo demais. Resisti o quanto pude e as baterias do meu celular e laptop, tentando saber os motivos de iluminar minha casa com luz de velas. Twitei bastante madrugada adentro, até com humor, diante de opiniões de notívagos virtuais e dos questionamentos do meu filho caçula, que me perguntou sobre o tal apocalipse de 2012… e se a escuridão poderia ser um prenúncio dele (?). Respondi que campanhas antecipadas ocorrem somente por ação e obra do PT, de Lula e Dilma, por exemplo.

Os jornais chegaram atrasado pela manhã. O primeiro a chegar foi a "Folha de São Paulo", com destaque para a "mediação" de Lula sobre o jogo de empurra entre Furnas e Itaipu. No portal do UOL lí que a imprensa paraguaia expunha o evento com a responsabilidade de São Paulo ! Oras, pensei, será que o PT vai partidarizar esse apagão de novo e culpar a oposição ? Curiosamente, durante a madrugada, por coincidência, a maior parte dos Estados afetados eram aqueles governados pela oposição ao PT, inclusive por alguns raros lulopetistas do momento.

Não temos até agora uma resposta fundamentada sobre o assunto. E o senador Arthur Virgílio, líder do PSDB, está apresentando no Senado requerimentos de convites a Dilma e o Edison Lobão (ministro de Minas e Energia) para falarem sobre a falta de luz no país. Sei bem que depois da luz acesa o tema esvazia na agenda nacional. Mas aguardo o resultado da reunião de emergência de Lula e seus ministros para redigir a versão oficial, que pode resultar numa cadeia nacional de rádio e tv à noite, talvez com Dilma explicando melhor quem é mais patético na história deste país !

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Mérito pela qualidade da Educação

Quando o governador José Serra criou o Programa de Valorização pelo Mérito para professores, supervisores e diretores da rede estadual de ensino em São Paulo houve reações negativas dos sindicatos corporativos e de políticos adversários do PSDB, e positivas de especialistas do setor e da sociedade em geral. Nessa balança, entre as justificativas infundadas de que a iniciativa beneficiará apenas uma minoria do magistério e jogará nos ombros dos educadores toda responsabilidade pela qualidade do ensino no Estado, o peso maior recai no reconhecimento do papel-chave do professor para a conquista da melhoria do aprendizado e para tornar mais atraentes as carreiras do magistério.

Durante o governo FHC, o desafio de criar condições e de colocar (97%) praticamente toda criança na escola foi vencido, mas os esforços para rever as formas de gestão escolar e promover a valorização dos professores e demais profissionais da educação, estimulando o bom desempenho e o atingimento de metas de qualidade, foram descontinuados pelo governo Lula.

Agora, prestes a completar o segundo mandato, ainda não vimos uma reação efetiva do governo federal em reverter a ineficiência do ministério da Educação, responsável pela série de indicadores negativos, conforme números divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, de 2008 e em comparação com 2007. Verificou-se uma retração de 0,1% no índice de analfabetos entre pessoas com 15 anos ou mais; retrocesso na proporção de jovens de 15 e 17 anos de idade fora da escola, que parou de cair no ritmo que vinha caindo; e, no caso da educação básica, a escolarização de crianças com quatro ou cinco anos passou de 70,1% para 72,8%, bastante comemorado pelo atual governo como um de seus avanços, porém longe dos resultados obtidos por FHC, quando 97% das crianças em idade escolar estudavam.

A iniciativa do governo Serra servirá de espelho para outros Estados, também pelo gestor experiente na secretaria da Educação, o ex-ministro Paulo Renato Souza, que cuidou dessa pasta durante todo o governo FHC e sempre alertou para a não interrupção dos trabalhos desenvolvidos com sucesso no país. Lulopetistas comemoram sempre a ampliação de investimentos em educação e a definição do piso mínimo para os educadores brasileiros, “entre tantas outras ações” que não conseguem explicitar quais, pois consideram números globais e incluem valores e indicadores de responsabilidade de Estados e municípios, sem qualquer distinção.

O novo programa do governo paulista muda a história da remuneração dos professores no Brasil. Com a “Valorização pelo Mérito”, os professores da rede estadual, por exemplo, terão uma remuneração de até R$ 6.270,00, valor que corresponde ao recebido por 10% de brasileiros com maior renda ou por um Professor Doutor em tempo integral e dedicação exclusiva na USP. Essa perspectiva de crescimento rápido na carreira do magistério promoverá 20% dos educadores a cada ano e todos os anos, desde que aprovados num processo de avaliação e se tiverem cumprido as regras de assiduidade e de tempo de permanência numa mesma escola. Além da “Valorização pelo Mérito”, o magistério acumulará vantagens como auxílio por localização de exercício, auxílio transporte, sextas partes e qüinqüênios, e levará todos os benefícios para as suas aposentadorias.

Ao contrário de algumas vozes que se opõem, contra-argumentando com valores democráticos e com o desmerecimento do papel da comunidade escolar para vencer o desafio pela melhoria da qualidade da educação, é sabido que a valorização do educador passa por plano de carreira, salário digno e condições de trabalho. E isso se efetiva com o aperfeiçoamento dos professores, apoio em sala de aula, boa avaliação dos responsáveis e das condições de oferta de ensino em escolas com estrutura física em ordem, biblioteca, sala de informática, número adequado de alunos por classe, material didático e pedagógico atualizado e também avaliado.

Não tenho dúvida que São Paulo vai desfazer a percepção de escolas públicas boas e ruíns coexistirem num mesmo Estado, pessoas, orçamentos, investimentos e infra-estrutura. Não há fórmulas máginas para uma educação melhor e para atrair novos e dedicados educadores. É preciso impedir que políticas públicas bem sucedidas sejam descontinuadas, a qualquer pretexto. O resto é "trololó político", sem respeito às gerações do presente e do futuro.

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Vale-tudo eleitoral para Dilma e o PT ?

Se o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, admite que o governo Lula testa os "limites de tolerância" da Lei Eleitoral e nenhuma atitude é tomada para coibir a antecipação da campanha, é possível acreditar que as disputas de 2010 vão institucionalizar o vale-tudo ! Nunca antes na história deste país essa atitude saiu impune, mas agora parece legal emitir sinais eleitoreiros nas margens do São Francisco, nas cercanias do Palácio do Alvorada e nas "inspeções" de obras lentas do PAC. Quem pagará pelo dinheiro público que está sendo utilizado na campanha, com tenda árabe no meio do sertão, com nove cozinheiros, 22 garçons, cantor de forró e aviões e helicópteros transportando lulopetistas ? Não sabia que o TSE e os TRE’s têm "limites de tolerância".

Trocando em miúdos, para bom entendedor, o processo eleitoral do vale-tudo está virando uma zona, por causa das más intenções históricas do Congresso Nacional que não aprova uma reforma política para valer, com fidelidade partidária, voto distrital e até as burocráticas listas partidárias. Quem duvida disso precisa observar o desdém no tratamento aos candidatos com fichas sujas, que mereceu a mobilização da sociedade civil – Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – que reuniu 1,3 milhões de assinaturas em projeto de iniciativa popular, crentes em mudanças.

A Internet liberada, com algumas pequenas restrições, logo será usada antes do prazo para apresentar candidaturas e antecipar os pedidos de votos. Observo que há um certo conformismo geral, mesmo com os partidos – PSDB, DEM e PPS – de oposição ao PT e ao lulopetismo, representando pedido de punição à campanha eleitoral antes do prazo à justiça responsável pela aplicação das novas regras. Acho que ninguém acredita na capacidade de fiscalização e punição pelos tribunais eleitorais, porque o presidente Lula não se preocupa mais em pedir votos e torcer pela sua candidata, enquanto a ministra Dilma Roussef, como ouvi hoje de comentaristas políticos no rádio, que "bate como homem", cândidamente diz que a oposição a persegue por preconceito contra o fato de ser mulher.

Como disse a senadora Marina Silva (PV), o governo Lula está usando a máquina pública para fazer campanha: "Há um incômodo legítimo da sociedade; essa ida ao São Francisco em caravana caracterizou um ato de campanha; os atos falhos falam por si. Não tem nada a ver com ser homem ou mulher."

Esse cenário abusivo merece aquela comparação que Dilma Roussef sempre gosta de fazer: quem respeitou mais a democracia e as regras do jogo por eleições limpas e sem corrupção. A história registra que FHC jamais manipulou a igualdade de oportunidade na competição eleitoral !

Enquanto o PT, Lula e os seus lulopetistas aloprados…

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Serra leva o Brasil a sério !

Lí e recomendo a leitura da última edição (37) da Revista Piauí, que traz um dos mais completos perfis do governador José Serra, "Serra na hora da decisão", em reportagem da jornalista Daniela Pinheiro. Nos últimos 15 dias acompanhei comentários de colunistas, blogueiros e twiteiros, que extraíram partes da matéria, utilizando-as de maneira pejorativa na rádio peão, para tentar denegrir a imagem daquele que é, sem dúvida, a maior expressão política da oposição ao PT e ao lulopetismo. Valho-me da resumida introdução da jornalista, que escreveu: "O espelho, as duas almas, os três Eus, as pesquisas, as implicâncias e os critérios que o presidenciável levará em conta para resolver se, de fato, será candidato ao Planalto", como ponto de partida para desconstruir algumas das expressões manipuladas pelas vozes e textos de aluguel do mundo virtual e algumas colunas que se autoproclamam reacionárias ao PIG – Partido da Imprensa Golpista.

Por uma questão ética não vou expressar o quê penso desses "colegas", que em muitos momentos passados contavam com o meu respeito pelo talento e capacidade de influência na opinião pública. A comunicação contava com o testemunho e a visão desses jornalistas, para dar a dimensão das notícias e da sua interpretação para formar conceitos e até para mobilizar multidões em torno de bandeiras sociais, políticas e econômicas. Não havia a facilidade de hoje no acesso às informações, portanto muitos desses profissionais concentravam mais admiração e respeito, dados os níveis da descoberta de fatos e acontecimentos de interesse público.

Um perfil revelador de José Serra, como esse publicado pela Revista Piauí, desnuda para a sociedade brasileira, a história pessoal de alguém que tem todas as condições de dirigir o país nos próximos oito anos, pós-Lula. Uma história construída desde a sua origem humilde, filho de imigrante italiano, feirante no Mercado Municipal da Cantareira, onde tinha uma barraca de frutas, pobre, só estudou em escola pública e aprendeu a ser muito correto, rígido e trabalhador: "Num país de enorme desigualdade social, ele veio de baixo e se fez sozinho, não tem culpa ou responsabilidade pela pobreza", avalia Fernando Henrique.

Egydio Bianchi, ex-presidente dos Correios no governo FHC, que conheceu Serra aos 14 anos e estudou com ele na adolescência, relembrou que moleques da Mooca se referiam a Serra como aquele que queria ser presidente do Brasil e que desde cedo lia e estudava bastante. Outros amigos e familiares atestaram na matéria que ele faz diferença sobre outras pessoas e políticos, porque "pesa contra ele" o fato de escancarar suas implicâncias, enquanto a maioria as silencia.

Na rádio peão ou nas "leituras" e orelhadas emplacaram de maneira falsa que a Revista Piauí mostrou um Serra "mulherengo", quando na verdade explicita que ele foi "uma criança cercada de mulheres que o paparicavam. E é fato que a sua vida foi marcada pela interlocução feminina. A madre Cristina foi essencial na formação dele. Conversava bastante com a Maria da Conceição Tavares e a Liana Aureliano, sempre falou mais com a Ruth do que comigo – não reparou como ele ficou destruído quando a Ruth morreu? -, com a Marta Suplicy, com a Soninha, com a Cosette Alves, com a Verônica", discorreu FHC.

Por essas mesmas vias de informação, resumiram que FHC afirmara que "Serra não formulava nada e que era apenas um gestor", quando na realidade Fernando Henrique disse que "o Serra é um ótimo gestor e ponto final. Mas acho que ele é mais administrador e economista do que formulador. É mais pragmático que imaginativo". O próprio Serra responde a essa assertiva, na própria matéria: "Andei pensando sobre aquilo de eu ser mais gestor do que teórico e não concordo. Acho que formulação e execução são inseparáveis".

Jamais ouviríamos Serra repetindo Lula, quando em 2002, durante a campanha perguntaram o que ele queria para o Brasil. Lula disse querer que "todo brasileiro tenha dinheiro para tomar uma cervejinha depois do trabalho", enquanto Serra respondeu a mesma questão, querendo "que os jovens tenham emprego e perspectiva de futuro".

Enfim, ao Serra também jamais caberia uma estratégia marqueteira de transformá-lo num "Serrinha paz e amor", porque tudo com Serra é sério e o Brasil está mesmo precisando de um governante assim!

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Santos para contemplar e interagir !

Faz 20 anos que a cidade de Santos contempla os armazéns – 1 a 8 – do seu Porto, desativados e em estado gradativo de deterioração. Não faltam projetos para o uso dos mesmos, com atividades turísticas, culturais, educacionais e empresariais, a exemplo do que ocorre em Buenos Aires (Puerto Madero) e em Belém do Pará (Estação das Docas). Infelizmente parece que esse processo não sairá tão cedo do papel. Soube que o prefeito João Paulo Papa articulou todos os detalhes com a Codesp – Companhia Docas do Estado de São Paulo, proprietária dos armazéns, e já mereceu solenidades públicas de anúncio da intenção do repasse a Prefeitura, inclusive com a participação do ministro-chefe da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, mas ficou nisso.

Semana passada almocei no Clube 22, no Centro de Santos, e não resisti fotografar a paisagem que é maravilhosa mesmo em dias nublados. A Prefeitura criou em 2003, o Programa Alegra Centro, com o objetivo principal de preservar o patrimônio histórico em conjunto com a valorização da paisagem urbana e a retomada do desenvolvimento econômico e social da área central de Santos e, consequentemente, da Cidade e região.

Muitos empresários se instalaram no Centro Histórico, aproveitando toda a infra-estrutura oferecida e as belezas que fazem desse local um cenário, obtendo incentivos fiscais por isso. Nas proximidades dos armazéns, a Petrobrás deverá iniciar obras em breve, da construção de três torres que abrigarão os seus escritórios de gestão do boom do Pré-Sal.

Na mesma área, aproveitando ruínas de casarões históricos no Valongo, o município em parceria com os governos José Serra e Lula vai iniciar as obras do cantado em prosa e verso "Museu Pelé", que se transformará numa das principais atrações turísticas de Santos e do país. Muitos outros imóveis históricos ainda deverão ser restaurados para receber atividade econômica, contribuindo com a preservação e com a atração de público.

Santos é uma paisagem pronta para receber e interagir com os seus visitantes. Não me canso de ouvir expressões de paixão e as expectativas sobre o grande salto desenvolvimentista reservado a Santos e região. Por essas razões e pensando no futuro, com parcerias e maior agilidade dos atores envolvidos, acho fundamental que a burocracia e o faz de conta não atrapalhem o que está por vir.

Quando os armazéns – 1 a 8 – estarão definitivamente disponíveis para a Prefeitura de Santos implantar o nosso Porto Valongo ? Quando você, leitor, conhecerá de perto esta cidade maravilhosa ? Enfim, um tema que pega leve, mas que deseja consequência !

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Adeus ao “Pira”, Piratininga !

Fui surpreendido nesta segunda-feira (19), no meio da tarde, com a informação da morte do publicitário Luiz Celso de Piratininga, o "velho" Pira, aos 76 anos de idade, que atualmente presidia a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Instantâneamente lembrei de quando o conheci, apresentado pelo também publicitário Petrônio Correa, durante o governo FHC em Brasília. Os dois chegaram na sede do MEC sorrindo, cúmplices de alguma história que não ousaria perguntar, para não perder a oportunidade de testemunhar com encanto uma amizade entre dois grandes talentos da propaganda, que só conhecia do mercado, dos livros e da história da publicidade no Brasil. Até hoje não me lembro de vê-lo mais sério que na foto que ilustra esta homenagem singela. Desde então, sempre nos tratamos como velhos amigos, graças também à capacidade de Petrônio integrar pessoas de todas as gerações, e ao jeito simples do ser humano admirável, professor Piratininga.

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1972), Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1984) e Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1991). Foi professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing ESPM e professor da ECA-USP, onde lecionou por mais de 30 anos.

Fundador da agência Adag, dirigente do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), Luiz Celso de Piratininga presidiu a APP (Associação dos Profissionais da Propaganda) e a Abap (Associação Brasileira das Agências de Publicidade). Em 2007 passou a dirigir a ESPM, em substituição a Francisco Gracioso. A ESPM, um dos ícones das melhores escolas formadoras de publicitários e profissionais de marketing e administração, premiou a sua própria história com o comando de um gestor acostumado a ensinar tantas gerações com dignidade e brilhantismo.

Publicitário com ampla experiência e atuação no mercado, escreveu o livro "Publicidade: Arte ou Artifício?", reafirmando que, para o sucesso profissional das novas gerações, é fundamental ter conhecimentos específicos, cultura geral, agilidade e vontade de trabalhar.

O corpo de Pira é velado no Cemitério de Congonhas, na Capital de São Paulo, e será sepultado às 16h00 desta terça-feira, no mesmo lugar, a rua Ministro Álvaro de Souza Lima, 101, Jardim Marajoara.

Eu que já perdi meu pai em 2004 sei do tamanho da dor que deve estar sentindo o também amigo Luiz Celso de Piratininga Júnior, "Pirinha", que cuida da Adag e se encarregará do legado de administrar, com todos os seus amigos, a saudade que nos consome!

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O PT mente como sempre !

Nesta semana o PT exercitou um velho hábito durante os comerciais políticos no horário nobre das programações de rádio e TV. Mentiu sem vergonha que o governo Lula investirá R$ 100 bilhões no Estado de São Paulo até 2010.  Sua retrospectiva revela uma intenção permanente de "trabalhar o imaginário da população", como justificou um conhecido marqueteiro (João Santana). Na mentira dessas últimas inserções da sua propaganda política, o PT "omite" que os referidos bilhões de reais totalizam o dinheiro repassado pela União, incluindo despesas de empresas públicas federais e estaduais, empréstimos de bancos federais e investimentos vultosos do Governo do Estado e dos próprios municípios.

Isso faz lembrar que o PT, nos seus 30 anos de existência, dos quais 22 na oposição aos governos federais, mente bastante. Nunca na história deste país na oposição ou para tentar se manter na situação houve um partido mais mentiroso que o PT. O escritor Mark Twain costumava dizer que há três espécies de mentiras: as mentiras, as mentiras sagradas e as estatísticas. Pesquisando fatos históricos correlacionados com o comportamento petista, diante das adversidades e enfrentamentos políticos, é possível observar que o PT, de tão acostumado com a mentira, não só acredita nas suas mentiras, como passa a mentir para si mesmo, com uma criativa profusão de argumentos para todas as ocasiões.

Alguém já esqueceu as mentiras elaboradas durante o segundo turno das eleições presidenciais de 2006, quando o PT tentou e conseguiu colar no PSDB a falsa imagem de que o partido privatizaria a Petrobrás e o Banco do Brasil ? E dos números apresentados durante os programas eleitorais da então candidata Marta Suplicy na disputa da prefeitura de São Paulo ? O quê dizer dos discursos do presidente Lula quando sugerem dúvidas quanto à continuidade dos programas sociais como o Bolsa Família e de iniciativas que iludem a população como Minha Casa, Minha Vida ?

O PT não tem escrúpulos em massificar as informações na versão e no formato que mais interessam aos seus objetivos políticos. O PT, como escreveu Reynaldo Azevedo, transforma a burla "num método, numa visão de mundo, numa escolha, numa, enfim, teoria política".

A percepção dos resultados desse trabalho maquiavélico foi assinalada em pesquisa analisada pela cientista social Lourdes Sola, que constatou a capacidade dos governos petistas se apoderarem de realizações como a estabilização da economia (Plano Real), programa de aceleração do crescimento (Avança Brasil), fundo de desenvolvimento da educação e valorização do magistério – Fundeb (FUNDEF) e a rede de proteção social Bolsa Família (que unificou Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Vale Gás e Programa de Erradicação do Trabalho Infantil – PETI).

Mentira é isso, como foi repetida agora na tentativa de se apropriar das obras do Metrô paulistano, realizadas com recursos que vêm do tesouro do governo do Estado e de empréstimo contraído do BNDES, que será pago por São Paulo nos próximos 15 anos. Mentira também é o PT dizer que o Rodoanel é uma obra do PAC federal, prevendo investimentos de R$ 3,6 bilhões, ao omitir que o governo federal entra com R$ 1,2 bilhão e o governo do Estado é responsável pela maior parte, R$ 2,4 bilhões.

Enfim, seguindo ainda a reflexão de Mark Twain, nas espécies da mentira, vale dizer que a candidata do PT, ministra Dilma Roussef, tem afirmado que haverá comparações estatísticas entre os governos FHC e Lula em 2010. Ora, pois, Dilma sabe que nesse terreno o PT tem notória especialização, já que estatística pode ser considerada a arte de nunca ter que dizer que você está errado.

Em novembro e 2006, João Santana, marqueteiro que cuidou da campanha para a reeleição de Lula, desnudou o gen petista e pode ser considerada uma excelente oportunidade para refletir como essa turma manipula as informações e usa a imprensa como ferramenta para seus objetivos eleitorais. Ele desconversou quando o repórter da Folha de São Paulo perguntou se houve "certa desonestidade intelectual" dos lulopetistas ou a criação de uma "mentirobrás", como expressou Geraldo Alckmin naquela ocasião:

"Não é bem assim. O presidente não foi reeleito por causa da polêmica sobre privatização. O fato é que o adversário teve a chance de responder, mas não o fez. Tivesse ele uma resposta pronta, objetiva, o impacto teria sido reduzido. Alckmin poderia mostrar objetivamente o uso de telefones, de computadores, de internet."

Concluo estas reflexões citando o livro "A Mentira Sagrada", escrito há milênios, por criaturas primitivas, que inventaram histórias para explicar os fenômenos da natureza que não conseguiam explicar. Por serem primitivos e ignorantes, todos acreditaram na mentira e a passaram adiante através dos séculos. Atualmente, mesmo com a ciência explicando muitos dos fenômenos inexplicáveis, o povo continua acreditando naquelas histórias.

O PT mente como sempre ! Read More »