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Blog do Raul

Personalidades

O mal do Brasil sem fronteiras !

José Serra não faltou com respeito à Bolívia e aos bolivianos, quando disse que o governo daquele país é cúmplice com o tráfico de drogas e que 90% da cocaína consumida no Brasil vem daquele país. José Serra apenas realçou que o atual governo federal do PT é complacente com a direção imposta pelo mui amigo Evo Morales, ideologizando uma parcela do Itamaraty (leia-se ministério das Relações Exteriores com dois ministros sentados na mesma cadeira – Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia) e deixando frouxa a vigilância das fronteiras brasileiras, porque os vizinhos são bastantes companheiros.

A Bolívia não combate nem a produção, nem o tráfico de drogas. A Colômbia, bem ou mal, combate. E o atual governo brasileiro se mostra incapaz de cobrar contrapartidas de seus parceiros políticos estrangeiros, aceitando sem qualquer resistência o maior combustível para o crime organizado no Brasil e para a imobilização da juventude brasileira sujeita ao vício da cocaína e do crack, com a acessibilidade cada vez mais fácil em todo o território nacional. Porque não se corta o mal pela raiz ?

O jornalista Josias de Souza, da Folha de São Paulo, teve acesso a documentos oficiais produzidos pelo governo federal durante a gestão do presidente Lula, que reforçam a acusação de José Serra contra o governo da Bolívia. As candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) estão equivocadas quando, respectivamente, combateram as declarações do presidenciável do PSDB: a petista disse que Serra “demoniza” a Bolívia, enquanto a verde alegou que “não se trata assim um país irmão”. Ora, não lí até agora uma linha de ambas em relação à maior segurança nas fronteiras do Brasil, à Soberania Nacional e à política concreta de Segurança Pública em todos os níveis.

Conforme os documentos revelados por Josias de Souza, realmente 80% da cocaína distribuída no Brasil vem da Bolívia, sendo a maior parte na forma de “pasta”, para que o refino seja feito no país. A fonte é uma autoridade da Divisão de Controle de Produtos Químicos da Polícia Federal, e o próprio Itamaraty atesta que, sob o governo de Evo Morales houve “valorização” da folha de coca, o aumento na sua produção pelo quinto ano consecutivo e o interesse daquele governo firmar acordo com o Brasil, segundo o qual a PF brasileira passaria a atuar lá no combate ao tráfico de cocaina e armas.

Ao invés de um gesto de preocupação e tranqüilidade para com a família brasileira, vítima das drogas e do crime organizado em nosso país, o PT insurgiu juntamente com o ministério das Relações Exteriores da Bolívia, as candidatas petistas (Dilma e Marina) e o presidente Lula, tentando desqualificar José Serra e as suas graves denúncias. Lula brincou de “fazer inveja no Serra”, abraçando Evo Morales no Rio de Janeiro, enquanto a cocaína continua atravessando nossas fronteiras. Por essas atitudes e por muitas outras que ainda estão por vir, acho fundamental que a sociedade reflita melhor sobre quais mãos garantem um futuro mais sério e seguro para todo o Brasil.

“Iscas eleitorais” e a ficha limpa!

A sociedade brasileira tomou partido pela despoluição do Congresso Nacional, de políticos e candidatos a cargos políticos, com a apresentação do projeto para vetar candidaturas de pessoas condenadas. O projeto “Ficha Limpa”, aprovado por deputados federais e senadores, vai ser sancionado pelo presidente da República, sobrando uma dúvida fundamental, se a Justiça irá ou não considerar a sua validade para as eleições deste ano. Essa iniciativa é transformadora num processo eleitoral improvisado e oportunista, que até hoje protege fichas sujas com a redoma da imunidade parlamentar e foro privilegiado no enfrentamento de pendências judiciais. Por outro lado, partidos médios e nanicos montam time de “iscas eleitorais” que escondem a eleição de rejeitados pela própria sociedade.

É preciso registrar que o Congresso Nacional é composto por um número mínimo de fichas sujas, que devido ao comprometimento ético dessas figuras, antes e ao longo de suas vidas públicas, contamina a visão da sociedade sobre as instituições democráticas, especificamente o parlamento em todos os níveis – Câmaras Municipais, Assembléias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal. Comportamentos e folhas corridas de uns servem para generalizar a consideração de todos. Daí o descrédito e a rejeição aos políticos, que na última pesquisa do Datafolha no mês de março indicava que 33% consideravam o desempenho de deputados e senadores ruim e péssimo.

Acho fundamental que o Tribunal Superior Eleitoral opine pela validade da Lei “Ficha Limpa” para as eleições deste ano. Essa é a melhor resposta para o empenho da sociedade, que pela quarta vez na história quis modificar regras sobre questões essenciais e de interesse público, por meio de projetos de iniciativa popular. “Ficha Limpa” contou com 1,6 milhões de assinaturas na sua apresentação e agora soma quase quatro milhões de subscritores.

Mas será que isso por si só muda o perfil da classe política no Brasil? Acredito que é um passo muitíssimo importante para recuperar a credibilidade das instituições democráticas, mas ações complementares com uma Reforma Política e Eleitoral são necessárias, justamente para evitar as deformações representativas, que poderiam ser corrigidas a partir do voto distrital, por exemplo. No entanto, partidos forjam força eleitoral com investimento em candidatos que servem apenas para puxar votos e eleger também donos de partidos e até gente de passado duvidoso.

São as chamadas “iscas eleitorais”, compostas de personalidades do mundo artístico e dos esportes, sem traquejo político, mas de amplo conhecimento público, que se somam aos políticos com preço de compra por governantes inescrupulosos. Figuras que contribuem para aumentar a ignorância política e os desvios das finalidades do Congresso Nacional. Infelizmente esses servem de escada a políticos espertos, que apostam sempre na manutenção da repugnância e do descrédito nas próprias instituições, para agir com propriedade no retrato infiel da verdadeira democracia representativa.

Arquivos do DEOPS pós-Anistia !

Com a descoberta de mais uma quantidade de arquivos secretos do DEOPS – Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo, no prédio Palácio da Polícia, no Centro de Santos, novas informações subsidiarão a história política regional e do próprio país. Esses documentos contêm informações sobre as atividades de muitas pessoas, das mais variadas áreas de atuação regional, obtidas por meio de relatórios de policiais e civis infiltrados nas principais atividades e eventos sociais, sindicais e políticos da Baixada Santista. A surpresa veio com o período da perseguição dos passos da militância, após a anistia política em 1979, quando o país vivia ainda no governo militar a chamada “Abertura” e a diminuição dos atos repressivos.

Em que pese o fato de que esses documentos deveriam ter sido encaminhados ao Arquivo Público do Estado a partir de 1994, a sua descoberta agora gera a necessidade de uma investigação das razões de permanecerem fora dos cuidados da área responsável por tanto tempo. Estou convicto de que muitos “soldados desconhecidos” da causa pela democracia terão suas histórias resgatadas e muitas explicações novas acerca do paradeiro de desaparecidos políticos podem ser encontradas. Os dados foram obtidos pelos agentes do DEOPS até 1984, mas creio que ainda sobraram muitos segredos em outras salas, galpões, “cemitérios”.

A Baixada Santista sempre foi caracterizada como uma região bastante ativa no movimento sindical e político. A atividade portuária, que no passado representava a maior participação do seu movimento econômico, concentrava também a força da organização dos seus trabalhadores em sindicatos fortes e com repercussão nacional. Santos, por exemplo, era considerada a “Barcelona brasileira”, justamente pela similaridade política dos seus movimentos trabalhistas.

No entorno do Porto de Santos repercutiam outras ações, entre os estudantes e também nas representações políticas da Câmara de Vereadores, Assembléia Legislativa e Câmara dos Deputados. Políticos locais e de repercussão regional sempre foram reconhecidos além do nosso território, em todo o país. Por isso não surpreende a atividade intensa da polícia política exercida pelo DEOPS, vigiando reuniões, eventos, concentrações de pessoas, publicações, salas de aulas. Nesses locais haviam sempre civis infiltrados para depois relatar comportamentos e ações consideradas subversivas, que na percepção deles podiam significar um perigo aos poderes constituídos de São Paulo e do governo ditatorial centralizado em Brasília.

Por isso, a revelação da existência de mais de seis mil dossiês, dispostos em cerca de 600 pastas, numa sala na sede da polícia civil em Santos, é mais uma luz no final do túnel de uma parte da história do Brasil, ainda desconhecida e sem esclarecimento. Estou certo que em breve conquistaremos novas explicações para reforçar a nossa crença na importância incomensurável da Democracia, como o melhor de todos os regimes de governo!

Foto de Alberto Marques (jornal “A Tribuna” de Santos)

O fim da linha de Cuba !

Cuba, Fidel Castro e Chê Guevara marcaram muito a minha juventude e as gerações que me antecederam. O espírito revolucionário que derrubou o regime oligárquico-ditatorial cubano e implantou um governo popular nos animava ao enfrentamento do regime militar no Brasil, adversário da democracia e da reunião de forças políticas e populares no governo do nosso país. Nossa luta aqui perdurou de 1964 a 1984, quando perdemos a luta por eleições diretas para a presidência da República, aceitamos a escolha de José Sarney pelo Colégio Eleitoral no Congresso Nacional e atravessamos o abismo da ditadura para a chamada Nova República. Apesar de tudo mantivemos acesa a chama do idealismo, renovando idéias e comportamentos, até o testemunho dos últimos acontecimentos lamentáveis desde Cuba.

Juro que me vejo incomodado com a visão arcaica de Fidel Castro e com o desmoronamento do regime que sonhou e ainda mantém a ferro e a fogo. Acho inaceitável o papel de cúmplice da repressão política e da violação dos Direitos Humanos na América Latina, sintomas do atraso, quando vivemos praticamente uma 5.ª Revolução Industrial. Não estamos mais suscetíveis a martelar com romantismo os referenciais da década de 60, que na história da minha geração e de duas anteriores, além de ter sido marcada por um sabor de inocência e lirismo nas manifestações sócio-culturais, de idealismo e entusiasmo no espírito de luta do povo, nas experiências com drogas, revolução sexual e protestos juvenis contra a ameaça de endurecimento dos governos. Mesmo assim conto isso aos meus filhos com o orgulho da minha natureza política e ainda exibo fotos de uma viagem em missão do governo brasileiro a Cuba em 1996, inclusive ao lado de Fidel.

Mas nunca tive laços de amizade com Fidel, como revelam sem constrangimento os atuais ocupantes do governo federal brasileiro e da militância do PT. Atravessei a fase de idolatria revolucionária, focando prioridades com a alfabetização, a educação para o emprego, a melhoria da qualidade do atendimento na área da saúde, o combate a corrupção, ao terrorismo e aos bloqueios políticos e econômicos desde o fim da Guerra Fria e o símbolo da derrubada do muro de Berlim. Fidel Castro explicitou recentemente, para mim soando nostálgico, que muitas gerações acreditaram e apoiaram a sua revolução, porque conseguia mobilizar gente atuante na ciência, na técnica, no trabalho, professores, intelectuais, jovens, estudantes.

Lamento que Fidel tenha se transformado numa figura errante, sobrevivente dos ideais revolucionários e encantado com a bajulação de esquerdistas caquéticos do Brasil e dos simpatizantes do neo-revolucionário bolivariano Hugo Chavez. Sei que um comentário dessa natureza, distante da linha comum da cobrança pura e simples de uma posição do governo do PT em relação a morte do dissidente cubano Orlando Zapata, morto em razão de maus tratos sofridos durante a sua prisão em Cuba, agravados pela greve de fome que manteve por mais de 80 dias, desagradará “companheiros”. Serei confinado na “direita” e na combinação de opositor lulopetista/tucano neoliberal (sic), que rasgou a “parte boa da biografia”. Não me importo com isso, minha preocupação está mais voltada a dignidade humana e a perspectiva emancipatória e de sobrevivência das pessoas

Cuba precisa de ajuda. O seu povo sofre, apesar da cultura, conhecimento e consciência, legados importantes da Revolução Cubana. O Brasil deveria aproveitar esse momento de “prestígio” político com a família Castro, posicionando pela democracia, liberdade e solidariedade. Por uma questão de princípio e de compreensão da realidade, o atual governo federal deveria considerar inegociável uma parceria tecnológica para produção e de investimentos para a recuperação econômica daquele Estado, sem o início da reconstrução da democracia. Não quero prosseguir acreditando que o presidente Lula esteja conivente com a similaridade histórica do holocausto e da opressão que vive o povo cubano.

Dizer amém aquele modelo político hoje, diante de todos os sinais de socorro emitidos da Ilha de Cuba, impõe compactuar com o atraso, o refluxo do esquerdismo e as ameaças contra as liberdades individuais. Em nosso próprio território, o governo Lula combina o seu pensamento autoritario para validar o polêmico Programa Nacional de Direitos Humanos, também rechaçado por toda a sociedade. O assessor para Assuntos Internacionais de Lula, Marco Aurélio Garcia, justificou a defesa da falta de liberdade de expressão e dos direitos humanos em Cuba, relativizando que “há problemas de direitos humanos no mundo inteiro”. Assim é possível compreender o silêncio de muitos e a mudança de posição de poucos, que felizmente tiveram a capacidade de despertar no meio desse pesadelo !

Viver a vida com Fred !

Recebi de Renata Covas Lopes, cópia de uma crônica de Sílvio Lancellotti, sobre um jovem sensível ao extremo, militante do otimismo, das melhores práticas da vida – Frederico Marcondes de Carvalho, o Fred, que tive o imenso prazer de conhecer em 2004, quando ao lado do atual deputado estadual Bruno Covas disputei o cargo de prefeito de Santos. Fred estudava jornalismo, dedicava uma parte do seu dia ao atendimento no consultório médico da família e fazia parte do parecido "exército de Brancaleone" que nos acompanhava na campanha santista irradiando otimismo. O texto de Sílvio Lancellotti, publicado na Revista da Folha dia 10 de janeiro, tocou fundo e me fez mergulhar nas origens de uma amizade e companheirismo que tenho orgulho de comemorar cinco anos.

Na comunidade criada no Orkut – http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=1828113 – "Frederico – O Jornalista" registrei em 14 de abril de 2005 o momento certo do nosso primeiro contato. Para cumprir pauta do jornal laboratório da Faculdade de Comunicação da Universidade Santa Cecília – Unisanta – Fred falou comigo por telefone para uma entrevista sobre política, educação, o PSDB e o seu ídolo Fernando Henrique Cardoso. Instigante na sua função de repórter, exigindo respostas do tipo que decidem debates eleitorais, pouco tempo depois percebi que fui convincente a tal ponto que consegui sensibilizá-lo para a campanha e dela para conquistar a admiração de tantos outros amigos, colegas de profissão, gente sensível como Sílvio Lancellotti, nesse admirável depoimento:

Um tipo inesquecível

Por Sílvio Lancellotti

Criada em 1922, a revista "Seleções do Reader’s Digest", até hoje publicada em mais de 70 países, ostenta uma rubrica que sempre me fascinou: "O Meu Tipo Inesquecível". Pessoas várias enviam textos a respeito de outras que, de alguma forma, encantaram os seus destinos. Neste começo de 2010 eu utilizo este "Quintal Paulistano" (seção da Revista da Folha) a fim de eleger meu tipo inesquecível no ano que acabou.

Trata-se de Frederico Marcondes de Carvalho, nascido em Santos, em março de 1981, um produtor do "Pontapé Inicial", o programa matinal do qual, eventualmente, participo no canal ESPN Brasil. Filho de um neurologista e de uma enfermeira, por incrível que pareça, Frederico padeceu no parto. O cordão umbilical se enrolou no seu pescoço e praticamente o enforcou. Por falta do oxigênio crucial, se tornou um deficiente físico, na sua mobilidade e na sua fala.

Deficiente? Absolutamente, não. À parte o fato de ele torcer para o "Peixe", em que fulgurou um certo Pelé, que Frederico jamais viu jogar ao vivo e em cores. Um absurdo de inteligência e de criatividade, ele aprendeu, nas suas palavras, "a aceitar o fato de ser diferente". Completou, em escolas convencionais, o curso colegial. E se diplomou em jornalismo.

Na faculdade, mesmo com todas as dificuldades de dicção, conduziu um programa de rádio no qual alinhavou entrevistas inesquecíveis com Mário Soares, líder político de Portugal, com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com Chico Buarque.

O esforço e o sucesso cativaram José Trajano, diretor da ESPN, que lhe abriu um espaço, em 2004. Apaixonado por música, dono de uma vasta coleção de CDs de todos os estilos, da MPB ao fado, do jazz ao tango, ele é hoje responsável pela trilha sonora que escolta o "Pontapé".

Do chefe, recebe broncas, quando escorrega, como qualquer funcionário da emissora. Invariavelmente, porém, responde com um bom humor cativante.

Emociona testemunhar o seu esforço e a sua competência. E saber que Frederico, atualmente, faz aulas de teclado e de canto. Que Frederico, apesar das dificuldades na fala e na mobilidade, é um jovem feliz. Eu o admiro. Aqui, peço que ele enquadre e dependure este "Quintal" na parede do seu quarto.

Deixa o “Cara” descansar ?

Os feriados da semana do Natal e da travessia para o Ano-Novo são muito bons para descansar e para recarregar as baterias, menos para uma parcela de homens públicos responsáveis diretamente pelo bem-estar das pessoas. Nos últimos anos, essa época é marcada por verdadeiras tragédias em função das chuvas cada vez mais fortes pelo desequilíbrio do clima e pelo fenômeno El Niño. Por isso é quase inimaginável que nesse plantão nacional, além das comissões municipais, estaduais e federal da Defesa Civil, os chefes maiores, prefeitos, governadores e o presidente da República, com seus respectivos secretários e ministros de infra-estrutura comandem suas competências de longe. Ou isso é uma bobagem ?

As últimas cenas de Angra dos Reis e de São Luiz do Paraitinga são chocantes, assim como foram as de Blumenau no final de 2008, além de Cunha e da própria Capital de São Paulo recentemente. Há quem prepare moções de repúdio à natureza, em função das mortes e danos provocados de maneira crescente, passando longe também de qualquer análise mais profunda do estado de desorganização urbana que o país vive, com raras exceções.

Engatinhamos ainda na solução do déficit habitacional, que indica a necessidade da construção de pelo menos 8 milhões de moradias. E são cogitadas regras mais severas para coibir a ocupação de áreas de risco e de preservação ambiental por pessoas que sonham constituir lares ou ambicionam desenvolver atividades produtivas e geradoras de renda. Tais respostas devem ser apresentadas na forma de projetos executivos de soluções, indicação de recursos orçamentários e prazos para esse fim.

O momento exige solidariedade plena dos governantes de qualquer esfera pública. As soluções não sairão da noite para o dia, mas elas precisam ser sinalizadas, com maior privilégio para o planejamento das ações e menor espaço para leniência ou complascência públicas, que derivam para lágrimas de crocodilo, demagógicas. As máquinas estatais têm o papel de acudir as suas vítimas, não importando agora a escolha errada no passado, porque a sociedade espera mudança com competência de gestão.

Então compartilho uma observação de Teodoro Gottfried Meissner, editor de Conteúdo do Fórum de Líderes Empresariais: “Lula está em férias. O Congresso Nacional está em férias. Dos 37 ministros de Lula, 23 estão em férias. Brasília está às moscas. Não é necessariamente uma má notícia”, para complementar com a informação de que o presidente da República, em férias na Base Naval de Aratu, em Salvador (BA) (visto pelas lentes de Márcio Fernandes, da Agência Estado, carregando uma caixa de isopor que ilustra este post), pediu ao ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, que acompanhasse de perto a situação em Angra dos Reis e na Baixada Fluminense.

Geddel continua na Bahia, em sua casa de praia, no litoral norte de Salvador, descansando.

Adeus ao “Pira”, Piratininga !

Fui surpreendido nesta segunda-feira (19), no meio da tarde, com a informação da morte do publicitário Luiz Celso de Piratininga, o "velho" Pira, aos 76 anos de idade, que atualmente presidia a ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Instantâneamente lembrei de quando o conheci, apresentado pelo também publicitário Petrônio Correa, durante o governo FHC em Brasília. Os dois chegaram na sede do MEC sorrindo, cúmplices de alguma história que não ousaria perguntar, para não perder a oportunidade de testemunhar com encanto uma amizade entre dois grandes talentos da propaganda, que só conhecia do mercado, dos livros e da história da publicidade no Brasil. Até hoje não me lembro de vê-lo mais sério que na foto que ilustra esta homenagem singela. Desde então, sempre nos tratamos como velhos amigos, graças também à capacidade de Petrônio integrar pessoas de todas as gerações, e ao jeito simples do ser humano admirável, professor Piratininga.

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1972), Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1984) e Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (1991). Foi professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing ESPM e professor da ECA-USP, onde lecionou por mais de 30 anos.

Fundador da agência Adag, dirigente do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), Luiz Celso de Piratininga presidiu a APP (Associação dos Profissionais da Propaganda) e a Abap (Associação Brasileira das Agências de Publicidade). Em 2007 passou a dirigir a ESPM, em substituição a Francisco Gracioso. A ESPM, um dos ícones das melhores escolas formadoras de publicitários e profissionais de marketing e administração, premiou a sua própria história com o comando de um gestor acostumado a ensinar tantas gerações com dignidade e brilhantismo.

Publicitário com ampla experiência e atuação no mercado, escreveu o livro "Publicidade: Arte ou Artifício?", reafirmando que, para o sucesso profissional das novas gerações, é fundamental ter conhecimentos específicos, cultura geral, agilidade e vontade de trabalhar.

O corpo de Pira é velado no Cemitério de Congonhas, na Capital de São Paulo, e será sepultado às 16h00 desta terça-feira, no mesmo lugar, a rua Ministro Álvaro de Souza Lima, 101, Jardim Marajoara.

Eu que já perdi meu pai em 2004 sei do tamanho da dor que deve estar sentindo o também amigo Luiz Celso de Piratininga Júnior, "Pirinha", que cuida da Adag e se encarregará do legado de administrar, com todos os seus amigos, a saudade que nos consome!

Elogio ao Lula !

Diferenças políticas e partidárias à parte, honesta e civilizadamente me vejo obrigado a reconhecer que Barack Obama tinha razão em dizer que o presidente Lula é o "Cara". Resolvi revelar esse sentimento porque não adianta atribuir a Lula todas trapalhadas do seu governo. Outro dia comentei que ninguém da política tinha mais sorte que Lula, porque os ventos que sopraram difíceis no início da sua própria vida, agora são favoráveis para ele. Esses ventos não melhoram o governo, mas intensificam cada vez mais o brilho da sua trajetória. As suas respostas nos jornais de hoje, mesmo que tardias sobre a ação do MST, o confisco do IR a mais e a taxação da poupança expõem as contradições entre o homem sensível e a sua equipe de aloprados.

Lula parece que está permanentemente em campanha. Não faltam avaliações irônicas e negativas sobre o seu estilo palanqueiro, fustigador, descomprometido com antecessores, apesar deles (Itamar Franco e FHC) terem deixado as melhores referências e diretrizes para a sua atual receita de sucesso. Lula é vaidoso da sua condição histórica pessoal e fala como ninguém da sua vivência sofrida para relembrar e comparar reações dele mesmo no tempo em que era um dos milhares de excluídos deste país.

Não esqueço daquele debate, no segundo turno das eleições presidenciais em 2006, quando foi questionado sobre as políticas públicas que implementaria para resolver o problema das enchentes nas áreas urbanas. Antes de responder, ele olhou fixamente para as câmeras e para o seu adversário de então (Geraldo Alckmin) e disparou: "Você não tem idéia do que é viver com a água tomando o seu peito…" e continuou explicando soluções que já não importavam mais para ninguém. Todo mundo ficou sabendo que ele apoiaria as vítimas das enchentes, porque viveu isso na pele.

Acho que ele abusa do feeling, da sensibilidade pessoal. Por isso deixa a impressão de que está sempre no palanque, porque cabe aos políticos prometer e deixar a sensação de que vai realizar as mudanças esperadas. Mas as mudanças necessárias têm ficado aquém, justamente porque elas exigem gestores, que no caso do governo Lula somente ocorrem quando há iniciativas anteriores para continuar e mudar a marca.

Vejam os últimos acontecimentos do seu governo em relação ao MST, Imposto de Renda e poupança. Enquanto a sua equipe do INCRA e do ministério do desenvolvimento agrário botavam panos quentes na ação dos companheiros sem-terra, que destruíram pés de laranja, máquinas agrícolas e outras instalações de uma fazenda do grupo Cutrale, Lula condenou essa atitude, batizando-a de "vandalismo", longe da sua sintonia em defesa das lutas sociais.

Sobre o adiamento das restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física, que atingiu trabalhadores da classe média, Lula demonstrou insatisfação com a decisão do ministério da Fazenda, embora sem justificar que a economia gerada com esse confisco momentâneo não compensaria o desgaste à imagem do governo lulopetista. Agora o governo cogita acelerar a devolução do IR, ao mesmo tempo em que aproveita o ministério na berlinda para anunciar que pretende desistir da cobrança de Imposto de Renda sobre a caderneta de poupança, conforme Guido Mantega vinha cogitando.

Além desses últimos três casos, que ainda sustentam o noticiário em todas as mídias, mesmo parecendo que Lula não esconde a sua insatisfação por causa dos reflexos políticos e eleitorais negativos em todo o seu governo e nele próprio, há de se considerar que Lula é uma coisa e a sua equipe é outra. Talvez essa separação seja orientada, mas duvido que alguém consiga dirigir o instinto de Lula. Ele pode dizer que não sabia das coisas, mas ninguém neste país é mais capaz que Lula para dizer o que o povo está pensando. Suas antenas estão muito ligadas nessa afinidade.

Ele é mesmo o "Cara". Não creio que ele consiga transferir essa estrela para o PT ou para as suas sublegendas. Há dois brasis em vigência. Um que se propaga na figura de Lula e outro do desgoverno da sua equipe insensível e incapaz. Quem já esqueceu de Ricardo Berzoíni, presidente do PT, quando ministro da Previdência e fez aposentados madrugarem em intermináveis filas para dizer que ainda estavam vivos ? E dos escândalos do mensalão, da incompetência de planejamento e gerenciamento de projetos e obras para o PAC ? O quê dizer agora da incompetência do ministro da Educação com o ENEM ?

O governador José Serra tem razão quando diz que a disputa em 2010 não será entre Lula e FHC. Os legados de ambos vão interferir no próximo governo do Brasil, porque essas bases estão muito sólidas. Porém, vencerá quem tiver a maestria de Lula para convencer o eleitor brasileiro de que é mais capaz de vencer carências estruturais e fazer o que o país necessita e precisa. Na minha opinião, o próximo "Cara" é o Serra !

Toffoli, o “péssimo aluno” !

Ouvi agora à noite, comentário da jornalista Lúcia Hippolito na CBN, que os senadores estão cautelosos com a indicação do advogado José Antonio Dias Toffoli porque parecem temer a sua juventude aliada à perspectiva de permanecer 30 anos no cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Medo das suas condutas passadas e presentes dependerem da decisão de Toffoli no futuro, porque não acreditam na mínima hipótese do Senado deixar de aprovar o seu nome para o STF na próxima semana. Com isso, simplesmente dão de ombros para o curriculum fraco e comprometido do afilhado do presidente Lula, assinando embaixo da sua fala ao justificar Toffoli das críticas, sob o argumento de que se tratavam de "pura bobagem", pois "alguns dos maiores cientistas foram péssimos alunos".

Confesso que ando desanimado com o comportamento vigente na política. Mesmo com o consenso na opinião de especialistas em Direito e de raros opositores no Congresso Nacional, sobre as características de formação do futuro ministro do STF, do desprestígio da instituição em abrigar um membro sem notório saber jurídico, que não possui mestrado ou doutorado, que tomou bomba por duas vezes nos exames para juiz estadual, que responde a duas condenações e que pode participar do julgamento do mais escandaloso caso da era Lula, o "Mensalão", nos papéis de réu e juiz ao mesmo tempo, Toffoli será homologado.

Não consigo entender sempre que esse tipo de coisa acontece porque já houve um precedente. Aprendi a vida inteira que um erro não deve justificar outro, nem mesmo na melhor das hipóteses. Por isso engulo seco as palavras do presidente do STF, Gilmar Mendes, quando diz que exercia também o cargo de advogado-geral da União ao ser indicado para o órgão pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, minimizando as críticas que recebeu do PT à época no meio de uma disputa eleitoral e que hoje esse partido não é mais o mesmo.

Arthur Virgílio, líder do PSDB, por sua vez, não esconde a sua pregação de cautela, alegando que não faria uma avaliação pública antes da sabatina do dia 30 de setembro, para esperar a repercussão no mundo jurídico e ouvir "compromissos" que mostrem também que "aquela coisa de advogado do PT ficou para trás". Senador, é claro que a advocacia do PT ficará para trás, porque no STF ele terá uma estabilidade de mais ou menos 30 anos no novo emprego, a não ser que no futuro próximo ele se sinta "convocado pela Nação" para cuidar de um ministério da Defesa, como fez Nelson Jobim, indicado por FHC para o STF.

Há uma inversão de valores e uma acomodação nunca antes vista na história do Brasil. Ou estou equivocado?

O que leva um presidente da República a minimizar a importância da educação formal na construção do cidadão? Só mesmo o afã de validar a sua própria biografia e isso Freud explica.

Desde cedo aprendi que o exemplo vem de cima, que o cidadão é um produto do seu meio; sendo assim pais são exemplos para seus filhos e presidentes para suas nações. Batalho em casa com meus filhos sobre a importância de seus estudos para uma vida futura plena, independente de qualquer jeitinho ou golpe de sorte para alcançar o sucesso profissional.

Como cidadão, político e militante desses ideais e crenças busco respostas. Outro dia assisti a matéria na televisão, mostrando pessoas em países diferentes e de diversas nacionalidades, respondendo __ Educação à mesma pergunta: __ O quê faz um país crescer?

Negar a importância da educação na formação do cidadão é o mesmo que avalizar o vale-tudo, a impunidade, o desrespeito aos pais, professores, sociedade. Pobre país, com medo do futuro incerto e do julgamento que pode ter em razão dos seus erros. Na democracia a busca do consenso é uma decorrência natural da luta política e das adversidades. Por tudo isso não entendi o defensivo título do post do Reinaldo Azevedo no seu blog – "É o currículo que diz quem é Toffoli, não eu" – dia 6 de setembro de 2009 – http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/e-o-curriculo-que-diz-quem-e-toffoli-nao-eu/ 

Fala mais, Brasil! Seja franco, mude!